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Dependência industrial e pressão

A conta da China chegou à Alemanha e Berlim já não pode fingir surpresa

Durante anos, a Alemanha vendeu carros e máquinas à China e tratou a expansão desse comércio como uma vitória permanente

Pequim, enquanto isso, fortaleceu sua própria indústria. Hoje, fabricantes chineses competem com os alemães, e a Alemanha depende de importações e matérias-primas essenciais para produzir as tecnologias do futuro.

Os números tiram o conforto de qualquer discurso. Em 2025, a China voltou a ser o maior parceiro comercial da Alemanha, com € 251,8 bilhões em trocas. Mas a relação é desigual: a Alemanha importou € 170,6 bilhões em produtos chineses e exportou € 81,3 bilhões para a China. No primeiro semestre de 2026, as importações alemãs vindas da China cresceram mais 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o órgão federal de estatísticas. Destatis — balanço de 2025; Destatis — primeiro semestre de 2026.

Há também uma vulnerabilidade que não se resolve com um discurso inflamado: segundo a Comissão Europeia, a China fornece 100% das terras raras pesadas consumidas pela União Europeia. Esses materiais são importantes para diversas tecnologias industriais. É uma dependência concreta, reconhecida pela própria Europa. Comissão Europeia — matérias-primas críticas.

Chamar tudo isso de uma derrota exclusiva da “esquerda” seria conveniente demais para os demais responsáveis. A aposta alemã no mercado chinês atravessou governos e decisões empresariais de diferentes orientações. O próprio governo alemão reconheceu, em sua estratégia para a China publicada em 2023, a necessidade de reduzir dependências em setores críticos. Reconhecer o problema no papel foi o passo fácil; recuperar capacidade industrial e poder de negociação será muito mais difícil. Ministério das Relações Exteriores da Alemanha — estratégia para a China.

A consequência política já merece atenção. A AfD venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt em setembro, com 43,8% dos votos, segundo a apuração divulgada pela imprensa pública alemã. É um sinal forte de insatisfação, mas uma eleição estadual não transfere o governo federal à AfD, nem prova que a relação com a China determinou aquele voto. Tagesschau — resultado em Saxônia-Anhalt.

A pergunta incômoda para Berlim é esta: quanto tempo a maior potência industrial da Europa pode continuar comprando de seu principal concorrente mais do que consegue vender a ele, enquanto tenta preservar suas fábricas e seus empregos? A Alemanha ainda tem força para mudar de rumo. Mas cada ano de hesitação torna essa mudança mais cara.

Nota de apuração: consegui confirmar o título do vídeo enviado, mas não acessar seu conteúdo integral de modo confiável. Por isso, esta matéria se baseia nos dados e documentos citados, sem atribuir ao vídeo afirmações que não pude verificar.

Por Gildo Ribeiro Redação Portal 7Minutos — Brasília

Linha alemã e carros elétricos chineses

Mão robótica, chuva e guindastes chineses
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Mão robótica, chuva e guindastes chineses
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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