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Um país em descontrole

A Destruição da Democracia, da Lei e do Estado de Direito no Brasil

O Papel da Suprema Corte e de Alexandre de Moraes

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um acirramento de tensões institucionais que desafiam os alicerces da democracia, do estado de direito e da separação dos poderes.
No centro dessas controvérsias está o Supremo Tribunal Federal (STF) e, em particular, o ministro Alexandre de Moraes, cuja atuação em casos sensíveis e controversos gerou acusações de abuso de poder, autoritarismo e politização da justiça.
A Supremacia Judicial e a Crise Institucional
O Supremo Tribunal Federal, criado para ser o guardião da Constituição de 1988, tem assumido um protagonismo que ultrapassa suas funções originais, intervindo em questões legislativas, administrativas e políticas de forma sem precedentes.
Embora o controle judicial seja uma ferramenta essencial para garantir o equilíbrio democrático, críticos apontam que o STF tem atuado como um “superpoder”, frequentemente invadindo competências do Executivo e do Legislativo.
O ministro Alexandre de Moraes,ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e figura central no STF, tem sido o símbolo dessa expansão de poder.
Entre os casos mais polêmicos estão:
1.Inquéritos Sem Limites:
Moraes foi relator de inquéritos controversos, como o das fake news e o dos atos antidemocráticos. Esses inquéritos, abertos de ofício pelo próprio STF, têm sido criticados por violarem o princípio do devido processo legal, ao acumularem funções investigativas, acusatórias e judicantes em uma única instância.
2.Censura e Liberdade de Expressão:
Decisões envolvendo a retirada de conteúdo das redes sociais, bloqueio de contas de opositores políticos e até mesmo a prisão de críticos da corte geraram acusações de censura e intimidação contra vozes dissidentes.
Essas medidas foram justificadas sob o argumento de proteger a democracia, mas levantaram preocupações sobre o autoritarismo e a falta de limites no poder judicial.
3.Intervenção Eleitoral: Durante o período eleitoral de 2022,
Moraes tomou decisões polêmicas como presidente do TSE, incluindo medidas contra veículos de comunicação, candidatos e plataformas digitais.
Para muitos, essas ações ultrapassaram os limites da neutralidade e do respeito à pluralidade política.
A Erosão do Estado de Direito
O estado de direito pressupõe que todas as ações do poder público sejam conduzidas dentro dos limites da lei e da Constituição.
No entanto, os críticos argumentam que as ações recentes do STF e de Moraes representam um risco para esse princípio fundamental, em especial devido à ausência de freios e contrapesos para controlar o poder da corte.
Entre as principais violações apontadas estão:
•Práticas Arbitrárias:
A abertura de inquéritos sem provocação do Ministério Público e a determinação de medidas cautelares, como prisões e bloqueios financeiros, sem fundamentos sólidos e transparentes.
•Desrespeito ao Direito de Defesa:
Os investigados em alguns dos inquéritos relatorados por Moraes denunciaram a dificuldade de acesso às informações do processo e a limitação de seus direitos de defesa.
•Centralização de Poder:
O acúmulo de funções nas mãos de um único ministro enfraquece a colegialidade da corte e a pluralidade de decisões, características essenciais de uma democracia funcional.
Os Impactos na Democracia
A democracia brasileira, baseada em um delicado equilíbrio entre os poderes, encontra-se sob ameaça quando um de seus pilares, o Judiciário, exerce um poder desproporcional.
A percepção de seletividade, parcialidade e autoritarismo em algumas decisões mina a confiança popular nas instituições, um elemento essencial para a estabilidade democrática.
Além disso, a supressão de liberdades fundamentais, como a liberdade de expressão e de imprensa, levanta o questionamento: pode-se proteger a democracia restringindo os direitos que a fundamentam?
A resposta a essa questão é central para compreender o momento atual do Brasil e os riscos de se justificar excessos em nome da proteção institucional.
O Papel da Sociedade e do Legislativo
O fortalecimento da democracia requer que a sociedade civil e o Congresso Nacional desempenhem um papel mais ativo na contenção de excessos de qualquer poder.
A possibilidade de regulamentar os poderes do STF e promover reformas no sistema de nomeação de ministros são frequentemente debatidas como formas de evitar a concentração de poder em um pequeno grupo de magistrados.
Além disso, o fortalecimento de mecanismos de controle externo, como conselhos independentes e maior transparência no Judiciário, pode ajudar a restabelecer a confiança nas instituições.
Conclusão
O momento atual do Brasil levanta um alerta sobre os riscos da hipertrofia do poder judicial e da violação do equilíbrio entre os poderes.
Embora a proteção da democracia seja uma prioridade indiscutível, ela não pode ser alcançada às custas do estado de direito e dos direitos fundamentais.
O desafio é restaurar a harmonia entre as instituições e reestabelecer a legitimidade do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição, e não como um ator político. Somente assim será possível fortalecer a democracia brasileira e proteger os valores que ela representa.
Rodrigo Schirmer Magalhães 
Cientista político

 

 

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[caption id="attachment_176798" align="alignnone" width="1024"] A Supremacia Judicial e a Crise Institucional. Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil[/caption]
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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