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Guerra declarada!

Califórnia aperta o cerco à Meta e Europa amplia ofensiva contra redes sociais

Novas leis atingem recursos considerados “viciantes”, enquanto ações em Portugal colocam Facebook, Instagram, TikTok e YouTube no centro de uma batalha que já ultrapassou os Estados Unidos

O acordo bilionário firmado pela Meta nos Estados Unidos parece ter sido apenas o começo.

Em menos de um mês, a discussão sobre os mecanismos utilizados pelas redes sociais para manter crianças e adolescentes conectados ganhou uma nova dimensão: a Califórnia transformou parte dessa ofensiva em lei, enquanto ações judiciais em Portugal levaram a mesma discussão para a Europa.

No dia 10 de setembro de 2026, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, sancionou um amplo pacote de proteção infantil que atinge redes sociais e sistemas de inteligência artificial.

Entre as novas regras está a proibição de oferecer a menores de 16 anos determinados recursos classificados como capazes de estimular o uso compulsivo, incluindo rolagem infinita e reprodução automática de conteúdos.

A legislação californiana pode atingir diretamente plataformas como Facebook, Instagram e TikTok.

E há uma ameaça financeira considerável: grandes empresas de redes sociais consideradas negligentes em danos causados a crianças poderão enfrentar penalidades de até US$ 1 milhão por criança, dependendo das circunstâncias previstas pela legislação.

Califórnia foi além do acordo com a Meta

Essa diferença é fundamental.

No acordo firmado em agosto, a Meta concordou com mudanças profundas para adolescentes no Facebook e Instagram: limite padrão de duas horas diárias, bloqueio durante a madrugada, notificações reduzidas, controles parentais e possibilidade de desligar o autoplay ou escolher um feed não personalizado.

A nova legislação californiana vai além em pontos importantes.

Para usuários menores de 16 anos, certos mecanismos considerados viciantes deixam de ser simplesmente uma opção configurável e passam a sofrer restrições legais aplicáveis ao setor, e não apenas à Meta.

Isso muda o tamanho da batalha.

O que começou como uma acusação contra uma empresa passa a atingir a própria engenharia utilizada pelas plataformas para disputar nossa atenção.

  • A ofensiva atravessou o Atlântico
  • No mesmo dia, surgiu outra frente.

O grupo português de direitos digitais D3 revelou a apresentação de ações coletivas contra Facebook, Instagram, TikTok e YouTube no Tribunal Cível de Lisboa.

A acusação ataca justamente mecanismos que se tornaram parte do cotidiano de bilhões de pessoas:

  • rolagem infinita,
  • reprodução automática,
  • notificações persistentes e
  • sistemas de recomendação altamente personalizados.

Segundo o D3, a combinação dessas ferramentas elimina as pausas naturais que poderiam levar uma pessoa a encerrar o uso da plataforma e cria ciclos de comportamento comparados pelo grupo a técnicas empregadas pela indústria de jogos de azar.

Essa é uma alegação dos autores das ações e ainda terá de ser examinada pela Justiça portuguesa.

O Google, proprietário do YouTube, afirmou que proporcionar uma experiência mais segura e saudável é parte de seu trabalho e citou recursos como lembretes para fazer pausas e dormir.

Meta e ByteDance, controladora do TikTok, não haviam respondido à Reuters quando a reportagem foi publicada.

O cerco está se tornando internacional

Há um detalhe que mostra que Portugal não está sozinho.

Em fevereiro, a própria Comissão Europeia concluiu preliminarmente que recursos do TikTok como infinite scroll, autoplay, notificações push e recomendações altamente personalizadas poderiam violar as obrigações da plataforma previstas no Digital Services Act.

O processo europeu ainda não chegou a uma decisão definitiva.

É justamente aí que está a grande mudança.

Durante anos, a discussão foi concentrada na pergunta: quanto tempo crianças e adolescentes deveriam passar nas redes sociais?

Agora, autoridades e tribunais começam a formular uma questão muito mais incômoda:

  • até que ponto as plataformas podem projetar seus produtos especificamente para dificultar que o usuário pare de utilizá-los?

Depois de aceitar um acordo que pode chegar a aproximadamente US$ 18 bilhões nos Estados Unidos, a Meta agora observa a Califórnia transformar parte dessa discussão em lei e a Europa ampliar a ofensiva contra os mesmos mecanismos.

A batalha deixou de ser apenas contra uma empresa.

O que começa a ser colocado no banco dos réus é o próprio modelo de captura da atenção que ajudou a construir a era das redes sociais.
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Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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