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antes de determinar reintegração

Juiz dá 15 dias para ocupantes saírem de fazenda de João de Deus

Integrantes de movimentos ocupam o local e já fizeram atos na região. Médium está preso acusado de abusar sexualmente de mulheres, mas sempre negou os crimes.

O juiz Dante Bartoccini estipulou prazo de 15 dias para os ocupantes da fazenda Agropastoril Dom Inácio, que pertence ao médium João de Deus, saírem voluntariamente do terreno em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Segundo a decisão, caso isso não ocorra, será determinada reintegração de posse.

A decisão foi dada nesta sexta-feira (15), dois dias após membros dos grupos Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Movimento Camponês Popular (MCP) ocuparem parte do terreno.

O G1 tenta contato com os representantes dos movimentos por telefone e mensagem nesta tarde e aguarda posicionamento para saber se já foram
informados da decisão.

Quando ocuparam o local, na última quarta-feira (13), representantes disseram, por meio de nota, que o território é fruto do

“abuso, do estupro e da violência”.

Eles também realizaram um ato no local na quinta-feira (14) em memória de mulheres que foram vítimas de violência.

O documento afirma que, devido ao “número significativo de ocupantes, a medida concedida deverá ser cumprida mediante reforço policial”.

Também na decisão, o juiz já deixou autorizada “a prorrogação do cumprimento do mandado de reintegração compulsório, pelo prazo de 30 (trinta) dias”.

A organização afirmou que os manifestantes chegaram ao local em 13 ônibus. Eles vieram de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O grupo também é composto por cerca de 30 crianças e alguns homens. Na entrada da fazenda, os manifestantes hastearam uma bandeira vermelha sobre a porteira para controlar o acesso à propriedade. Moradores da região que precisam passar pelo local são liberados.

A fazenda invadida é uma das sete propriedades rurais que o médium relatou ter em depoimento à Polícia Civil. Na ocasião, João de Deus relatou que elas rendem R$ 60 mil, mas não especificou se este lucro é mensal ou anual. Ainda no depoimento, ele disse ter “várias” casas e declarou não saber quantos carros possui.

Médium
João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, está preso desde o dia 16 de dezembro de 2018, no Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

O médium é réu em processos por abuso sexual de mulheres que o procuraram para tratamento espiritual em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal.
Ele também responde por posse ilegal de arma de fogo e coação de testemunha, mas nega ter cometido qualquer crime.

Processos
Ações na Justiça: João de Deus já virou réu três vezes por violação sexual e estupro de vulnerável. A mulher dele, Ana Keyla Teixeira, também foi
denunciada no crime envolvendo os armamentos, e o filho, Sandro Teixeira, por intimidação das testemunhas;

Apuração no MP:

O órgão segue colhendo e analisando novas denúncias de mulheres que se dizem vítimas do médium;
Investigação: Polícia Civil aguarda laudos para concluir a investigação sobre lavagem de dinheiro, devido aos mais de R$ 1,6 milhão e pedras
preciosas aprendidos em imóveis do médium.

Desde a prisão do médium, a defesa dele tenta a soltura ou a transferência para prisão domiciliar. O médium teve habeas corpus negado por posse
ilegal de arma em caráter liminar no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) e por abusos sexuais no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A corte do TJ concedeu o habeas corpus ao médium no processo em que ele responde por coação de testemunha junto com o filho, Sandro Teixeira. O filho dele foi solto no mesmo dia porque não tinha outros mandados de prisão, mas o médium segue preso porque não teve liberdade concedida nos outros processos.

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Integrantes do MST que ocupam fazenda de João de Deus em Goiás — Foto: Liliane Bueno/TV Anhanguera[/caption]
[caption id="attachment_66406" align="alignnone" width="1024"] Foto de João de Deus no sistema penitenciário, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera[/caption]
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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