Embate em ano eleitoral
PADRE KELMON reage a HUGO MOTTA e COBRA EXPLICAÇÕES após APOIO a LULA
Religioso questiona guinada do presidente da Câmara em direção ao petista e transforma decisão eleitoral em debate sobre coerência, responsabilidade e o papel institucional de quem comanda a Casa do Povo
A política brasileira ganhou mais um capítulo daqueles que merecem ser observados além das declarações de palanque.
De um lado está Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados e uma das figuras mais poderosas da República.
Do outro, Padre Kelmon, conhecido por sua atuação no campo conservador e que decidiu reagir publicamente ao apoio de Motta à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E Kelmon não escolheu o silêncio.
A pergunta levantada pelo religioso é essencialmente política: o que mudou?
Hugo Motta declarou apoio a Lula afirmando que seu grupo político na Paraíba entende que o presidente converge com aquilo que considera ser o melhor para o país.
Para Padre Kelmon, entretanto, uma afirmação dessa dimensão exige explicações.
Hugo Motta, o que você pensa para o Brasil?
O socialismo, o comunismo é melhor para o Brasil?
Você quis dizer isso para o povo paraibano e para o Brasil?,
questionou Kelmon, segundo a manifestação divulgada.
A crítica prosseguiu:
A quebra de empresas, a mentira, isso é melhor para o Brasil, Hugo Motta?
As palavras são duras. Mas, por trás delas, existe uma discussão ainda maior.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DO APOIO?
O apoio de Hugo Motta não acontece isoladamente.
O Republicanos optou pela neutralidade na disputa presidencial, deixando espaço para que suas lideranças estaduais construíssem alianças próprias.
Na Paraíba existe ainda um tabuleiro eleitoral particularmente importante.
Motta pretende disputar novamente uma cadeira de deputado federal, enquanto seu pai, Nabor Wanderley, busca chegar ao Senado.
Nesse cenário, Lula representa uma força eleitoral considerável no estado.
Isso inevitavelmente produz uma pergunta que ultrapassa Padre Kelmon:
o apoio é resultado de uma convicção sobre o futuro do Brasil ou de uma composição eleitoral conveniente para a política paraibana?
- A pergunta é legítima.
- E merece resposta.
KELMON COBRA COERÊNCIA
A reação de Padre Kelmon ganha força justamente porque não se limita a discutir uma eleição.
Sua cobrança está direcionada à responsabilidade de quem ocupa a Presidência da Câmara.
O presidente da Câmara não é um parlamentar qualquer.
- Ele controla pautas, conduz sessões, influencia votações e ocupa uma posição central na relação entre Legislativo e Executivo.
- Por isso, suas escolhas políticas inevitavelmente são submetidas a um grau maior de escrutínio público.
Curiosamente, em setembro de 2025, o próprio Hugo Motta havia defendido que seria melhor para o país não revelar naquele momento sua preferência presidencial, argumentando que uma manifestação eleitoral poderia prejudicar seu trabalho à frente da Câmara.
Agora, em 2026, decidiu assumir uma posição.
O que mudou entre aquele Hugo Motta e o Hugo Motta de hoje?
Essa talvez seja a pergunta politicamente mais interessante de toda a história.
NÃO É APENAS SOBRE LULA
Transformar a controvérsia simplesmente em “Kelmon contra Lula” seria reduzir demais o episódio.
A discussão levantada pelo religioso envolve também coerência política.
Quem ocupa a Presidência da Câmara tem o direito de possuir preferência eleitoral.
- Naturalmente.
Mas também tem a obrigação institucional de demonstrar que suas decisões dentro da Casa não serão subordinadas aos interesses eleitorais de qualquer candidato, governo ou grupo político.
É justamente aí que a cobrança ganha relevância.
Padre Kelmon procura se apresentar nesse debate como uma voz conservadora disposta a fazer uma pergunta que parte desse eleitorado também deseja fazer:
- qual Brasil Hugo Motta está defendendo?
HUGO MOTTA PRECISA RESPONDER POLITICAMENTE
Não cabe condenar um parlamentar simplesmente por apoiar Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro candidato.
Isso faz parte da democracia.
- O que cabe ao jornalismo — e aos cidadãos — é investigar as circunstâncias, interesses e consequências dessas alianças.
- No caso de Hugo Motta, existe um elemento adicional: ele preside a Câmara dos Deputados.
- Sabedoria, equilíbrio, independência, transparência e credibilidade não deveriam ser virtudes opcionais para quem ocupa uma posição dessa magnitude.
- São exigências do cargo.
Por isso, quando uma mudança política relevante acontece simultaneamente a articulações eleitorais importantes em seu estado, questionamentos são inevitáveis.
Padre Kelmon decidiu fazê-los publicamente.
UMA COBRANÇA QUE CHEGA AO ELEITOR
Existe ainda uma dimensão simbólica nessa reação.
Kelmon fala diretamente ao segmento conservador, religioso e de direita que observa com desconfiança a aproximação de lideranças anteriormente identificadas com o centro e a centro-direita em relação ao governo Lula.
Sua mensagem é simples:
- políticos precisam explicar suas escolhas aos eleitores.
- E nisso existe um princípio democrático difícil de contestar.
- Hugo Motta pode defender Lula.
- Padre Kelmon pode criticá-lo.
- E o eleitor pode — e deve — cobrar explicações dos dois.
- Porque a Presidência da Câmara pertence temporariamente a quem ocupa aquela cadeira.
Mas a Câmara pertence permanentemente ao povo brasileiro.
E talvez seja justamente essa a pergunta que permanecerá depois de toda a polêmica:
Hugo Motta escolheu aquilo que acredita ser melhor para o Brasil — ou aquilo que considera eleitoralmente melhor para seu grupo político?
A resposta não deve vir de acusações precipitadas.
Deve vir dos fatos, das próximas alianças e, principalmente, das próximas decisões do presidente da Câmara.
O Portal 7Minutos continuará acompanhando.
Por Gildo Ribeiro
Editoria de Política em Ano Eleitoral
Redação Portal 7Minutos — Brasília
O Portal 7Minutos deseja a todos um bom dia pic.twitter.com/76cDh70cEI
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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