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'Um Príncipe em Nova York 2' é outro erro na carreira de Eddie Murphy

Continuação do filme de 1988 se perde, entre outras razões, por focar apenas na entrega de nostalgia ao público

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Akeem (Eddie Murphy) enfrenta dilemas do presente Foto: Divulgação Amazon Studios

A notícia de uma continuação para “Um Príncipe em Nova York” me trouxe uma dúvida .

“Bem. Eddie Murphy vem aí. Poxa, o original é irretocável… Pera lá, mas qual Eddie estará na telinha dessa vez?”. Será o cara das piadinhas com flatulência, tipo ‘Norbit’? Ou o sujeito por detrás do recente (e ótimo) “Meu Nome é Dolemite” (2019)?

Prestes a completar 40 anos da estreia nos cinemas, Edward Regan Murphy é dono de uma carreira brilhante.

No entanto, essa jornada é costurada por altos e baixos no tocante à qualidade de algumas produções entregues. E “Um Príncipe em Nova York 2” pode ser contabilizado na safra dos questionáveis.

33 anos depois, a sequência erra feio. Boa parte do elenco e roteiristas do primeiro capítulo estão no projeto. O diretor, Craig Brewer, vinha de uma dobradinha feliz com o comediante no já citado “Meu Nome é Dolemite”. Teoricamente, o jogo era favorável. Quais razões explicam o insucesso dessa nova aventura no reino de Zamunda?

A começar, a trama. Akeem (Eddie Murphy) e Lisa McDowell (Shari Headley) tiveram três filhas e seguem felizes para sempre. Essa calmaria será abalada com dois fatos. O rei Jaffe Joffer (James Earl Jones) está nos últimos dias de vida. Outra dor de cabeça é o General Izzi (Wesley Snipes).

O militar biruta (e sanguinolento) comanda uma nação vizinha e planeja dominar Zamunda. Só mudará os planos de uma guerra caso os herdeiros dos dois reinos se casem.

Do nada, Akeem descobre ter um filho nos Estados Unidos e achar o rapaz será a solução dos problemas com Izzi. Tinha como dar certo?

Príncipe sem Nova York
Se existisse um roteiro, talvez. A partir dessa virada no destino de Akeem, “Um Príncipe em Nova York 2” amarra um amontoado de cenas. Do início ao fim dos créditos, referências à obra de 1988 são exploradas ininterruptamente. Muito pouco para quem pretende uma nova história desse universo.

Além das filhas, esse fogo cruzado introduz outros personagens. Conhecemos o filho “bastardo”, Lavelle Junson (Jermaine Fowler) e sua irritante família. Daí em diante é ladeira.

A direção de Craig Brewer se arrasta e pouco desenvolve ideias bacanas. “Um Príncipe em Nova York” trouxe um conto de fadas às avessas. Um homem rico, quase uma divindade, em busca do amor da vida. Nessa busca conhecemos a faceta detonada dos Estados Unidos nos últimos anos da era Ronald Reagan (1911-2004).

No bairro pobre do Queens, o príncipe africano quebra uma tradição secular e foge de uma casamento arranjado. Em 2021, o dilema é outro. Meeka (KiKi Layne), a cria mais velha, possui todas as condições de ser a dona do trono futuramente. Todavia, a lei de Zamunda não permite uma mulher no cargo. Esse choque de paradigmas guarda uma conclusão mal desenvolvida. ,

Pouco de “Nova York” está em cena. A “América”, esse lugar alienígena à realidade de Zamunda é rapidamente contextualizada na famosa cena da barbearia. Saul (um dos papeis de Eddie) reclama de nazistas comandado os EUA hoje em dia. Se o recado é direcionado aos últimos acontecimentos políticos daquele País, faltou conhecer mais dessa realidade pela ótica dos estrangeiros.

Mas, Eddie nos lembra que o seu filme é uma comédia. É quando a sequência de um leão com problemas estomacais ganha mais tempo de tela.

John Landis e a comédia
Difícil conseguir um resultado favorável quando se está à sombra de uma comédia tão redonda. “Um Príncipe em Nova York” marcou o ápice na carreira oitentista de Eddie Murphy. O filme original também demarcava o auge criativo de outra figura, falo de John Landis.

“The Kentucky Fried Movie” (1977), “Clube dos Cafajestes” (1978), “Os Irmãos Cara de Pau” (1980), “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981) e “Trocando as Bolas” (1983) são algumas das obras assinadas por ele até então. Landis foi criado na escola de humor feita por pesos pesados como David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker. Coisa que Craig Brewer, a julgar pelo trabalho medíocre dessa continuação, terá dificuldades em trilhar.

Aliás, “Trocando as Bolas” iniciou a parceria entre Eddie e Landis. O último trabalho dos dois foi o já cansado “Um Tira da Pesada III” (1994). Nessa década, o ator seguiria uma linha mais apelativa e escatológica. Fora “Shrek” (2001), outros destaques na carreira são “Os Picaretas” (1990) e “Dreamgirls: Em Busca de um Sonho” (2006).

Tem um dele (o único em que ele assina como diretor) chamado “Os Donos da Noite” que também é legal. Esse fica na galeria dos mais obscuros, casos de “Príncipe das Mulheres” e “Um Distinto Cavalheiro” (ambos de 1992).

“Um Príncipe em Nova York 2” se perde em apenas alimentar a nostalgia do público. Para o futuro, o astro promete desenterrar outro sucesso do passado. Vem aí “Um Tira da Pesada 4”. Pera lá, mas qual Eddie estará na telinha dessa vez?

https://youtu.be/HyZlbWhg4RA

Link original da matéria:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/um-principe-em-nova-york-2-e-outro-erro-na-carreira-de-eddie-murphy-1.3057203

Meeka (Kiki Layne) bate de frente com outra tradição de Zamunda     Foto: Divulgação Amazon Studios

Cotidiano político e comportamental dos Estados Unidos na barbearia Foto: Divulgação Amazon Studios

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