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DOSSIÊ FAUCI — NOVO CAPÍTULO

Os E-MAILS que FAUCI MANDOU APAGAR: Os novos DOCUMENTOS reabrem PERGUNTAS sobre NIH, CIA e os BASTIDORES da PANDEMIA

Material divulgado nos Estados Unidos mostra Fauci instruindo colaboradores a excluir mensagens. Outros documentos revelam cooperação entre NIAID e CIA.

Mas até onde essas evidências realmente chegam?

Uma frase curta está provocando novas perguntas nos Estados Unidos:

“Please delete this e-mail after you read it.”

Em português:

“Por favor, apague este e-mail depois de lê-lo.”

A frase foi escrita por Anthony Fauci.

E não aparece apenas uma vez no conjunto documental que vem sendo examinado pelo Congresso americano.

Novos documentos divulgados no final de agosto de 2026 colocaram novamente o antigo diretor do NIAID no centro de uma discussão que parecia interminável: o que acontecia nos bastidores das instituições americanas enquanto autoridades, cientistas e serviços de inteligência tentavam compreender a origem e os riscos dos coronavírus?

A descoberta não significa automaticamente que exista prova de uma conspiração.

Mas existe algo que o jornalismo não pode ignorar:

os pedidos para apagar determinadas mensagens são reais.

“APAGUE — E DEPOIS APAGUE DOS EXCLUÍDOS”

Um dos documentos mais impressionantes é anterior à Covid-19.

Em 4 de março de 2012, durante a controvérsia científica sobre experimentos com o vírus da gripe aviária H5N1, Fauci escreveu para Clifford Lane, importante funcionário do NIAID.

A orientação foi ainda mais específica:

“Please delete this e-mail and then delete from the deleted file.”

Ou seja:

“Por favor, apague este e-mail e depois apague-o da pasta de excluídos.”

Segundo os documentos divulgados em 29 de agosto, a mensagem estava relacionada à discussão sobre pesquisas que haviam tornado o H5N1 mais transmissível experimentalmente — trabalho financiado pelo NIAID.

Isso merece atenção.

Mas precisamos evitar um salto que os documentos, sozinhos, ainda não permitem.

O e-mail demonstra que Fauci pediu a exclusão da mensagem.

Ele não demonstra, por si só, que Fauci estivesse tentando esconder um crime.

Essa diferença será fundamental em todo este capítulo.

E NÃO FOI UM CASO ISOLADO

Outro documento revelado anteriormente mostra uma situação ocorrida durante a própria pandemia.

Em 20 de julho de 2020, Fauci respondeu internamente a uma discussão relacionada a críticas feitas pelo senador Rand Paul sobre Nova York e as medidas adotadas contra a Covid.

Fauci discordou duramente de Paul e, ao final da mensagem, escreveu:

“please delete this e-mail after you read it.”

O documento está atualmente disponível nos próprios arquivos publicados pela Comissão de Segurança Interna do Senado americano.

Portanto, aqui não estamos falando de uma captura de tela sem origem conhecida circulando em rede social.

Estamos falando de documentação disponibilizada no âmbito de uma investigação do Senado.

POR QUE RAND PAUL CONSIDERA ISSO TÃO GRAVE?

Rand Paul argumenta que essas mensagens demonstrariam desprezo pelas obrigações de preservação de documentos governamentais e poderiam ajudar a explicar por que determinadas comunicações da época se tornaram difíceis de reconstruir.

Paul afirma que sua investigação encontrou vários exemplos de Fauci instruindo funcionários do NIH a excluir mensagens.

Mas é importante deixar claro:

Essa é a interpretação de Rand Paul.

Para transformar um pedido de exclusão de e-mail em prova de destruição criminosa de registros públicos seria necessário determinar, entre outras coisas, se a mensagem constituía registro federal sujeito a preservação, se efetivamente foi destruída, quais regras se aplicavam naquele momento e qual era a intenção de quem ordenou sua exclusão.

Isso é matéria para investigação — e eventualmente para a Justiça.

Não para uma condenação antecipada.

ENTÃO APARECE A CIA

Talvez a parte mais surpreendente dessa nova leva de documentos não envolva Wuhan diretamente.

Envolve a CIA.

Documentos recentemente divulgados descrevem uma relação institucional entre a agência de inteligência americana e o National Institute of Allergy and Infectious Diseases — NIAID, então comandado por Fauci.

Segundo o acordo interagências reportado a partir desses documentos, recursos da CIA seriam utilizados em cooperação com pesquisas civis já existentes relacionadas à microbiologia forense e ameaças biológicas.

O objetivo descrito era melhorar a capacidade americana de analisar e identificar agentes biológicos que poderiam representar ameaças de bioterrorismo.

Isso é importante porque demonstra que existia cooperação entre estruturas científicas e de inteligência americanas.

Mas existe uma enorme diferença entre dizer:

“CIA e NIAID cooperaram em pesquisas relacionadas a ameaças biológicas”

e afirmar:

“CIA e NIAID criaram ou financiaram o SARS-CoV-2”.

Até agora, os documentos divulgados não demonstram a segunda afirmação.

UM ACORDO SENSÍVEL, MAS NÃO CLASSIFICADO

Outro detalhe chama atenção.

Segundo o material divulgado, determinados trabalhos resultantes dessa colaboração eram tratados como sensíveis, embora não necessariamente classificados como secretos.

A divulgação de informações produzidas na parceria poderia depender de autorização da CIA.

Isso ajuda a explicar por que pesquisadores e jornalistas estão examinando esses documentos cuidadosamente.

Existe uma história institucional de cooperação entre biodefesa, inteligência e pesquisa científica que antecede em muitos anos a pandemia.

E conhecer essa história pode ser fundamental para compreender as decisões tomadas posteriormente.

MAS O QUE ISSO TEM A VER COM WUHAN?

Essa é justamente a pergunta que precisa ser respondida — e não presumida.

Até agora, não há nesses documentos uma linha direta comprovando que essa colaboração CIA–NIAID tenha causado o surgimento do SARS-CoV-2 em Wuhan.

Também não existe nesses papéis uma prova de que Fauci conhecesse antecipadamente a origem definitiva do vírus.

O que existe é um contexto muito mais complexo do que aquele conhecido pelo grande público em 2020.

Agências de inteligência estudavam ameaças biológicas.

Instituições sanitárias financiavam pesquisas com vírus.

Cientistas discutiam riscos de coronavírus.

E existiam canais de cooperação entre diferentes setores do governo americano.

Tudo isso merece transparência.

O OUTRO NOME QUE NÃO SAI DO DOSSIÊ: PROXIMAL ORIGIN

Os novos documentos aparecem justamente quando outra controvérsia continua crescendo.

Em julho, a comissão presidida por Rand Paul divulgou mensagens internas trocadas pelos cientistas envolvidos no famoso artigo “The Proximal Origin of SARS-CoV-2”, publicado na Nature Medicine em março de 2020.

As mensagens mostram que, durante o processo científico, alguns autores atribuíram probabilidades não desprezíveis a uma possível origem laboratorial.

Kristian Andersen chegou a trabalhar com uma estimativa de 30% para laboratório em determinado momento das discussões; Edward Holmes mencionou 20%, posteriormente reduzidos.

Também existiram discussões sobre o sítio de clivagem da furina e outras características do vírus.

Isso demonstra que a hipótese laboratorial foi discutida seriamente entre cientistas.

Mas também aqui precisamos preservar uma diferença essencial:

uma hipótese considerada durante uma investigação não é necessariamente a conclusão final dessa investigação.

Os autores sustentaram posteriormente que a evolução das evidências os levou a favorecer uma origem natural.

A GRANDE QUESTÃO É A TRANSPARÊNCIA

Talvez este seja o verdadeiro coração do Dossiê Fauci.

Não precisamos provar antecipadamente que alguém criou o vírus.

Não precisamos transformar cada e-mail em conspiração.

Os próprios documentos já levantam uma questão suficientemente importante:

O público recebeu uma imagem fiel do grau de incerteza existente dentro das instituições?

Essa pergunta vale para Wuhan.

Vale para Proximal Origin.

Vale para as discussões sobre pesquisas com coronavírus.

E agora vale também para os registros governamentais.

MORENS TRANSFORMOU A QUESTÃO DOS E-MAILS EM ALGO AINDA MAIS SÉRIO

Existe uma razão pela qual pedidos para apagar mensagens ganharam uma importância muito maior em 2026.

David Morens, antigo assessor sênior do NIAID e colaborador de Fauci, declarou-se culpado neste mês de participar de uma conspiração para contornar regras federais de transparência e ocultar documentos relacionados à pandemia e a pesquisas sobre coronavírus.

Segundo o processo, Morens utilizou comunicações pessoais e outras estratégias para evitar solicitações realizadas através da lei americana de acesso à informação, a FOIA.

Ele pode receber até cinco anos de prisão.

Sua sentença está prevista para novembro.

Mas novamente existe uma linha que não podemos atravessar:

A culpa de Morens não é juridicamente a culpa de Fauci.

Fauci afirmou anteriormente ao Congresso que desconhecia as práticas de Morens envolvendo Peter Daszak, EcoHealth Alliance e seus e-mails.

A questão para os investigadores agora é descobrir se essa afirmação permanece compatível com todos os documentos disponíveis.

E FAUCI DECIDIU NÃO RESPONDER

Essa investigação ganhou outra dimensão em 29 de julho de 2026.

Fauci compareceu novamente ao Senado.

Rand Paul perguntou diretamente se a CIA havia transferido recursos ao NIH por meio de acordo interagências e se o NIH havia realizado pesquisas em coordenação com integrantes da comunidade de inteligência.

Fauci, seguindo orientação de seus advogados, invocou a Quinta Emenda e recusou-se a responder.

Isso não constitui confissão de culpa.

A Quinta Emenda é uma proteção constitucional americana contra autoincriminação.

Mas politicamente e jornalisticamente o episódio tornou as perguntas ainda maiores.

Porque agora sabemos que documentos relacionados à cooperação CIA–NIAID existem.

O QUE ESTÁ PROVADO — E O QUE AINDA NÃO ESTÁ

Este talvez seja o trecho mais importante desta reportagem.

Está documentado que Fauci enviou mensagens pedindo que determinados e-mails fossem apagados.

Está documentada uma cooperação institucional entre CIA e NIAID relacionada a pesquisa e biodefesa.

Está documentado que cientistas do Proximal Origin discutiram privadamente a hipótese laboratorial antes da publicação do artigo.

Está judicialmente estabelecido que David Morens admitiu participar de uma conspiração para evitar regras de transparência e ocultar registros.

E está documentado que Fauci invocou a Quinta Emenda quando questionado pelo Senado em julho.

O que não está provado por esses fatos é que Fauci tenha criado o SARS-CoV-2, ordenado um encobrimento de sua origem, manipulado a CIA para produzir determinada conclusão ou participado da conspiração criminal admitida por Morens.

Essas distinções são fundamentais.

POR QUE ESSE CAPÍTULO É TÃO IMPORTANTE?

Porque documentos têm memória.

Durante anos, a discussão sobre a pandemia foi dominada por declarações públicas, entrevistas, redes sociais e disputas políticas.

Agora estamos entrando numa fase diferente.

E-mails estão aparecendo.

Mensagens privadas estão sendo confrontadas com declarações públicas.

Antigos funcionários estão prestando depoimentos.

Um ex-assessor já admitiu culpa num caso envolvendo registros públicos.

O Senado está reconstruindo decisões tomadas nos primeiros meses de 2020.

E documentos anteriores à própria pandemia estão revelando como ciência, biodefesa e inteligência trabalhavam juntas.

Talvez algumas suspeitas sejam confirmadas.

Talvez outras sejam desmontadas.

É justamente por isso que os documentos precisam falar antes das conclusões.

DOSSIÊ FAUCI: A PERGUNTA AGORA É SIMPLES

Quando uma autoridade pública escreve:

“APAGUE ESTE E-MAIL DEPOIS DE LER”

a sociedade tem direito de perguntar:

Por quê?

Quando aparece:

“APAGUE TAMBÉM DA PASTA DE EXCLUÍDOS”

a pergunta torna-se ainda mais inevitável.

Isso não é uma sentença.

É uma pergunta.

Mas é exatamente para responder perguntas como essa que existem arquivos públicos, investigações parlamentares, tribunais — e jornalismo investigativo.

O 7Minutos continuará acompanhando cada documento novo deste caso.

Porque seis anos depois do início da pandemia, talvez estejamos descobrindo que algumas das páginas mais importantes dessa história não foram escritas diante das câmeras.

Foram escritas nos e-mails.

E alguns deles, aparentemente, deveriam desaparecer.

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

Colagem investigativa sobre ciência e governo

Dossiê Fauci: A Verdade Não Apagada

 

 

 

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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