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Setembro Amarelo: quando o sofrimento pede para ser escutado

Mais do que uma campanha de prevenção ao suicídio, o mês propõe uma reflexão necessária: por trás do silêncio, do isolamento e da desesperança pode existir alguém tentando encontrar uma maneira de pedir ajuda

Por Dra. Ana Claudia de Laet Segantine

Setembro se veste de amarelo para lembrar algo que deveria estar presente durante todos os meses do ano: a vida precisa ser cuidada — e o sofrimento precisa ser escutado.

A campanha Setembro Amarelo busca conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio, combater preconceitos relacionados à saúde mental e, principalmente, incentivar pessoas em sofrimento a procurarem ajuda.

No Brasil, a mobilização ganhou força a partir de 2015, envolvendo entidades médicas e organizações dedicadas à valorização da vida.

O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, mas limitar essa discussão a uma única data — ou mesmo a um único mês — seria insuficiente diante da dimensão do problema.

Os números registrados ao longo dos últimos anos mostram que estamos diante de uma questão séria de saúde pública.

Entretanto, por trás de cada estatística existe algo que nenhum número consegue traduzir completamente: uma história humana.

  • Existe uma pessoa.
  • Existem sentimentos.

Existem perdas, conflitos, angústias, medos e, muitas vezes, um sofrimento que permaneceu silencioso por tempo demais.

  • Quando a dor não consegue virar palavra

Para além das campanhas e das frases de incentivo, a Psicanálise nos convida a observar algo fundamental: existem sofrimentos que a pessoa não consegue expressar claramente.

Nem sempre alguém consegue dizer:

Eu preciso de ajuda.

Às vezes, esse pedido aparece de outras maneiras.

Pode surgir no isolamento,

  • no afastamento de familiares e amigos,
  • na irritabilidade, na tristeza persistente, na perda do interesse por atividades antes prazerosas, em alterações importantes do sono e da alimentação ou na sensação de que nada mais faz sentido.

Também podem surgir falas recorrentes sobre morte, desejo de desaparecer, inutilidade ou desesperança.

  • Esses sinais não devem ser ignorados.

O sofrimento psíquico não pode ser tratado simplesmente como fraqueza,

  • falta de fé,
  • ausência de força de vontade ou
  • algo que a pessoa deveria conseguir superar sozinha.

Por trás daquilo que vemos exteriormente pode existir uma batalha emocional muito mais profunda.

  • O silêncio também fala

A Psicanálise atribui grande importância à palavra e à possibilidade de o indivíduo construir sentidos para aquilo que sente.

Falar não significa encontrar imediatamente uma solução.

Mas poder falar sobre a própria dor, diante de alguém verdadeiramente disposto a ouvir, pode permitir que aquilo que permaneceu silenciado comece a ser elaborado.

É justamente aqui que precisamos compreender o verdadeiro significado da escuta.

  • Escutar não é julgar.
  • Escutar não é oferecer respostas prontas.
  • Escutar não é simplesmente dizer: “isso vai passar”.

Escutar é permitir que o outro fale sobre aquilo que sente sem precisar esconder sua dor para não incomodar, preocupar ou decepcionar as pessoas ao redor.

Em uma sociedade acelerada, na qual tantas pessoas parecem obrigadas a demonstrar felicidade e sucesso o tempo inteiro, talvez estejamos precisando reaprender uma atitude profundamente humana: estar verdadeiramente presentes uns para os outros.

O vínculo pode abrir uma porta

  • As relações humanas e o sentimento de pertencimento possuem enorme importância na vida psíquica.
  • Ser reconhecido, sentir-se acolhido e perceber que existe alguém disposto a ouvir pode fazer diferença durante períodos de intenso sofrimento.
  • Isso não significa, entretanto, que uma conversa substitua acompanhamento especializado.

Quando existem sinais de risco ou manifestação de desejo de morrer, é fundamental procurar profissionais de saúde, serviços de saúde mental ou atendimento de emergência.

Mas uma conversa acolhedora pode representar o primeiro passo.

Às vezes, é justamente por perceber que alguém está disposto a ouvi-la sem julgamentos que uma pessoa aceita procurar ajuda.

Por isso, diante de alguém em sofrimento, não minimize sua dor.

Não diga simplesmente que existem pessoas em situações piores.

Não transforme sofrimento emocional em falta de gratidão.

  • Pergunte.
  • Acolha.
  • Escute.

E ajude essa pessoa a chegar até quem poderá oferecer atendimento adequado.

  • Cuidar da vida é também cuidar daquilo que dói
  • A prevenção do suicídio não deveria ser lembrada somente durante o Setembro Amarelo.

Precisamos falar sobre saúde emocional durante todo o ano, combatendo preconceitos e criando ambientes nos quais as pessoas possam reconhecer suas fragilidades sem medo de serem julgadas.

Sob o olhar psicanalítico, cuidar da vida também significa permitir que o sujeito fale sobre suas angústias, perdas, medos, desejos e contradições.

Porque, muitas vezes, antes do desejo de desaparecer, existe uma longa história de sofrimento que não encontrou espaço para ser reconhecida.

Talvez uma das perguntas mais importantes que possamos fazer a alguém seja extremamente simples:

O que está acontecendo com você?

Mas existe algo ainda mais importante do que fazer essa pergunta:

  • permanecer presente para ouvir a resposta.
  • Que o Setembro Amarelo não seja apenas uma campanha.

Que seja um convite permanente à escuta, ao acolhimento, à responsabilidade e à valorização da vida.

  • Onde buscar ajuda

Quem estiver enfrentando sofrimento emocional intenso ou pensamentos de suicídio pode procurar o CVV — Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, com atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas.

Também é possível buscar atendimento na rede pública de saúde, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Em situações de emergência, procure imediatamente um serviço de urgência ou acione o SAMU pelo telefone 192.

E nunca subestime um pedido de ajuda.

Você não precisa enfrentar o sofrimento em silêncio. Procurar ajuda pode abrir um novo caminho. Sua vida importa — e merece ser cuidada.

Dra. Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência.

Atua principalmente nas áreas de Neurociência, TAB, TDAH, depressão, suicídio, dependência química, TAG e TEPT, com trabalho voltado ao acolhimento, informação, orientação e cuidado sem preconceitos ou julgamentos.

TikTok: Ana Claudia de Laet Segantine
Instagram: @anaclaudiadelaetsegantine
Contato: (62) 98244-0724

 

 

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Setembro Amarelo: Sua Vida Importa
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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