SIDERURGIA MINEIRA

Tecnologia mineira para produção sustentável de carvão vegetal ganha mundo

Desenvolvido na UFV, sistema chega a outros países por meio de programa das Nações Unidas

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Com apoio do Pnud, Uruguai, Peru, Argentina, Nicarágua e algumas regiões da África receberam o forno-fornalha (foto: Mateus Mendes/UFV/DIVULGAÇÃO)

Tecnologia 100% mineira, originária de conhecimento produzido nos laboratórios da
Universidade Federal de Viçosa, (UFV), na Zona da Mata, está ganhando o mundo por meio
do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

 

No centro da parceria
figura um sistema de produção sustentável de carvão vegetal que se espalha pelo Brasil
e diversos países para fomentar de maneira ambientalmente correta um dos setores-chave
da economia: a siderurgia.

O sistema de fornos-fornalha, criado por pesquisadores da UFV em atendimento a
demandas do setor privado, foi lançado há 13 anos e está em sua oitava geração. Ele
conta ainda com a parceria das universidades Federal de Minas Gerais (UFMG), no câmpus
Montes Claros, no Norte do estado, e Federal de São João Del-Rei (UFSJ), no câmpus
Sete Lagoas, Região Central de Minas.

O contexto não poderia ser mais favorável: Minas Gerais é o estado que mais produz
carvão vegetal para atender a indústria siderúrgica. São 6 milhões de toneladas por
ano, sendo 74% para produção de ferro-gusa – a matéria-prima do aço –, cerca de 12%
para o setor de ferro, liga e silício metálico e outros 12% para o carvão, direcionado
à cocção de alimentos, popularmente conhecido como carvão para churrasco.

Apesar do volume dedicado ao ferro-gusa, a professora Angélica de Cássia Oliveira
Carneiro, do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, explica que apenas 20% dessa
matéria usada para o abastecimento do aço brasileiro tem como origem o carvão vegetal.

“Esse produto para atendimento à siderúrgica vem todo de fora, importamos a matéria-
prima. Se conseguimos produzir, mantemos as divisas dentro do país, melhoramos os
níveis de emprego e muitas outras vantagens, além de termos algo mais sustentável,
pois vem de fonte renovável. Mais de 90% do carvão vêm de floretas plantadas”, afirma.

Cássia, idealizadora do projeto, lembra a demanda de pesquisas de melhoramento
genético na produção de carvão vegetal para reduzir a pressão sobre áreas de florestas
nativas, e por tecnologias para melhorar a eficiência do processo e torná-lo mais
limpo.

Em 2008, procurado por empresas, o Departamento de Engenharia Florestal tinha
como missão desenvolver um sistema mais sustentável, mas se viu diante de outro
problema.

“Apenas 30% a 35% da madeira se transformam em carvão e o restante vira gases lançados
no meio ambiente. Podem ser usados para várias aplicações, como aromatizantes de carne
e herbicida, mas o mercado não está estabelecido. Devido à dificuldade da venda de um
novo produto surgiu nosso projeto. O que mais poderíamos fazer com esse gás que sai
com o resíduo da produção do carvão?”, relembra a pesquisadora.

A partir daí, nasceu a ideia de construir uma fornalha.

Nela, os gases são direcionados para a câmara de combustão, gerando energia térmica. A energia derivada
da queima pode ser usada para vários fins, entre eles, secagem da madeira.

Do lado do Pnud, o objetivo era buscar alternativas para produção mais sustentável do
aço, dentro do projeto Siderurgia Sustentavel, criado para incentivar a reducao das
emissões de gases de efeito estufa na siderurgia brasileira. Na parceria, a UFV
assinou acordo para transferência de conhecimento da universidade para pequenos e
médios produtores de carvão vegetal, que representam mais de 60% da produção no Brasil
e são os que menos recebem assistência técnica.

MULTIPLICADORES

Foram instaladas unidades demonstrativas em algumas regiões-polo para criação de
multiplicadores da tecnologia mineira, ensinando produtores a construir e operar o
sistema.

Nos últimos cinco anos, cerca de 600 pessoas foram treinadas nas unidades de

Lamim (Zona da Mata),

João Pinheiro (Noroeste de Minas),

da UFSJ, UFV e UFMG.

No Brasil, há fornos-fornalha em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa
Catarina e Espírito Santo.

No exterior, eles estão no Uruguai, Peru, Argentina e Nicarágua e em algumas regiões
da África. Há demanda ainda nos Estados Unidos e na Índia. Um projeto com a França
prevê a transferência de tecnologia a países da África.

“Nosso trabalho permitiu que o
conhecimento gerado dentro da universidade ganhasse espaço fora dos nossos quatro
pilares, além de cumprir com o papel da extensão ao possibilitar que um projeto
pudesse ser transferido à comunidade”, comemora Cássia.

By:  Junia Oliveira – Especial para o EM

Link original da matéria:
https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2021/07/19/internas_economia,1287848/tecnol
ogia-mineira-para-producao-sustentavel-de-carvao-vegetal-ganha-mundo.shtml?
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