HISTÓRIA DE ÁFRICA

Fatima al-Fihri: A fundadora da universidade mais antiga do mundo

Nasceu na Tunísia, mas mudou-se muito nova para a cidade de Fez, em Marrocos.

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13 de julho de 2021

Fatima al-Fihri nasceu em 800. Era filha de Mohammed Bnou Abdullah al-Fihri, um comerciante rico que se estabeleceu em Fez com a sua família durante o reinado de Idris II

Esta é mais uma matéria recomendada pelo presidente do Olodum João Jorge

Apaixonado pelo assunto ÁFRICA, o inicio de toda cultura de nosso planeta,João Jorge e sua sabedoria nos indica este grande aprendizado…um presente aos seguidores do 7Minutos.

Foi lá que, com a herança avultada deixada pelo pai, mandou construir uma mesquita que se transformou na famosa Universidade al-Qarawiyyin.

Nascimento:

Fatima al-Fihri nasceu em 800. Era filha de Mohammed Bnou Abdullah al-Fihri, um comerciante rico que se estabeleceu em Fez com a sua família durante o reinado de Idris II. Até hoje, a vida de Fatima guarda muitos segredos, mesmo para os historiadores. Um desses mistérios envolve a data da sua morte, que se acredita terá acontecido por volta de 878.

Fatima al-Fihri ficou conhecida como a “mãe dos rapazes”. Uma alcunha que, de acordo com o historiador Mohammed Yasser Hilali, deverá estar ligada

“à sua caridade e ao facto de ter incentivado jovens a estudar”.

 

Porque decidiu Fatima al-Fihri construir uma mesquita?

Fatima era uma grande crente.

E quando herdou muito dinheiro, depois da morte do pai e do marido, decidiu usá-lo para construir uma mesquita, que a comunidade muçulmana em Fez precisava. Fatima quis construir um edifício suficientemente grande para que houvesse espaço para toda a população, que crescia cada vez mais.

Comprou o terreno a um homem da tribo “Hawaara” e iniciou o projeto de construção no início do mês do Ramadão, no ano 254 do calendário islâmico, ou seja, em 859, no séc. IX.

A partir do século X, a famosa mesquita de al-Qarawiyyin tornou-se no primeiro centro de estudos religiosos e a maior universidade árabe do Norte de África. Atraiu muitos estudantes e cientistas de renome. Ali eram organizados regularmente simpósios e debates. De acordo com os documentos disponíveis, foram criados pólos de ensino na universidade e noutros lugares espalhados por toda a cidade de Fez. Os mesmos registos mencionam a existência de um grande número de bibliotecas.

Porque é que a universidade de al-Qarawiyyin é tão famosa?

A universidade de al-Qarawyyin é considerada a universidade mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Segundo a UNESCO e o Livro dos Recordes do Guiness, é anterior às primeiras universidades europeias. A data de referência é o ano em que al-Qarawiyyin foi fundada como mesquita, o que implica que o seu carácter educativo remonte aos seus primórdios. Neste sentido, é anterior à Mesquita Sankore em Timbuktu (fundada em 989) e à Universidade de Bolonha (construída em 1088).

Pela Universidade al-Qarawyyin passaram grandes nomes da época.

É o caso do jurista muçulmano Faqîhs, do historiador Abdurahman Ibn Khaldun, do médico e filósofo Abu Walid Ibn Rushd, do médico andaluzo Musa Ibn Maimonou e de Gerbert de Aurillac, o Papa Silvestre II.

Lembrada por: Fatima al-Fihri é considerada uma santa e é muito respeitada entre os crentes, especialmente em Fez. Em 2017, foi criado, na Tunísia, um prémio em sua homenagem que pretende apoiar iniciativas que encorajem o acesso das mulheres à formação profissional.

Foi também criado o “Erasmus Mundus Programme Al Fihri”, um programa que prevê parcerias e intercâmbio entres instituições de ensino da Europa e do Norte de África.

Fatima al-Fihri nasceu na Tunísia, mas mudou-se cedo para Fez, em Marrocos, com toda a família e muitos outros árabes que fugiam da perseguição de que eram vítimas em Cairuão. Tanto o pai como o marido eram comerciantes abastados, o que fez toda a diferença no rumo que a vida de Fatima al-Fihri viria a tomar, explica o historiador Mohammed Yasser Hilali.

“Se não tivesse herdado a tal fortuna do seu pai e do seu marido, Fatima provavelmente nunca teria pensado em construir a mesquita”, diz.

Para Fatima al-Fihri, este projeto gigantesco de caridade era uma forma de se aproximar de Alá. Mas não só. Era também uma forma de responder a uma necessidade urgente da crescente população da cidade de Fez.

“Fatima tinha ouvido dizer que a mesquita construída por Idris II não conseguia receber mais crentes. No entanto, nessa altura, Fez tinha muitos migrantes vindos um pouco de todo o continente africano, mas também da Andaluzia, em Espanha. A população estava a duplicar, não só devido ao crescimento demográfico, mas também devido a estes fluxos migratórios”, conta Mohammed Yasser Hilali. auqe acrescenta que “o facto de Fatima al-Fihri ter decidido construir esta mesquita mostra o quanto ela se preocupava com os problemas da cidade onde vivia”.

Fatima al-Fihiri entregou-se de coração a este projeto, investindo todo o seu conhecimento e disponibilidade para que fosse um sucesso.

“Contrariamente ao que dizem algumas histórias, a construção da mesquita não pode ter demorado muito tempo porque Fatima prometeu jejuar até que o projeto estivesse concluído. Sabemos que o processo de construção começou durante o Ramadão, que é o mês em que os muçulmanos têm de fazer jejum. Ela continuou em jejum depois do Ramadão e até ao fim de construção da mesquita”, afirma o historiador.

 

Crescimento da universidade

Durante a dinastia Almorávida, a mesquita foi-se transformando gradualmente numa universidade. Cada vez mais estudiosos viajavam até Fez para simpósios e debates. A transição tornou-se oficial com a conquista de Fez pelos merínidas. A universidade cresceu e vários outros pólos foram acrescentados por toda a cidade.

“Falámos da influência intelectual da mesquita al-Qarawiyyin em Fez, mas na verdade, esta influência ultrapassou as fonteiras de Marrocos com a África Subsariana – onde era o Sudão”, afirma Mohammed Hilal. Segundo este historiador, “vários estudiosos desta região vieram para Fez estudar. E depois levaram para os seus países a cultura e educação que receberam na universidade al-Qarawiyyin. Ou seja, a influência da mesquita al-Qarawiyyin foi enorme na África Subsariana.”

A universidade Al-Qarawiyyin continua a receber estudantes todos os anos, o que faz com que o legado de Fatima al-Fihri continue bem vivo.

O parecer científico sobre este artigo foi dado pelos historiadores Lily Mafela, Ph.D., professor Doulaye Konaté e professor Christopher Ogbogbo. O projeto “Raízes Africanas” é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

Esta é mais uma matéria recomendada pelo presidente do Olodum João Jorge

João Jorge
Mestre em direito publico pela UNB, advogado, Presidente do Olodum, Ex membro do conselho curador da Empresa Brasileira de Comunicação-EBC, Ex Diretor da fundação Gregório de Mattos, Produtor cultural, poeta e escritor, colunista do Jornal A Tarde.

Um dos fundadores e idealizador do SOS RACISMO – Bahia em 1990 após a visita de Harlem Desir a Bahia.
Articulador da luta por políticas de ação afirmativa em Salvador através da campanha de “reparação já “ no âmbito municipal por mais políticas de ações afirmativas para os afrodescendentes.

Link original da matéria:
https://www.dw.com/pt-002/fatima-al-fihri-a-fundadora-da-universidade-mais-antiga-do-mundo/a-53771027?fbclid=IwAR3oLrwsVnGQE8S9NIm4_8U1VKqlhWo_hLP4uuudjFHoKptOj48usQaBBug  

Fatima al-Fihiri foi a fundadora da famosa Universidade al-Qarawiyyin, em Fez

Contrariamente ao que dizem algumas histórias, a construção da mesquita não pode ter demorado muito tempo porque Fatima prometeu jejuar até que o projeto estivesse concluído

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