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a notícia parece pesada demais

O BRASIL perde GLÓRIA MENEZES e a TELEVISÃO se DESPEDE de uma de suas GRANDES DAMAS

Aos 91 anos, morre uma das maiores atrizes da história do país. No mesmo dia da despedida de Laura Cardoso, a dramaturgia brasileira vive uma terça-feira de profunda tristeza e vê partir duas mulheres que ajudaram a construir a própria história da televisão nacional

Há dias em que a notícia parece pesada demais.

E esta terça-feira, 18 de agosto de 2026, ficará marcada como um desses dias para a cultura brasileira.

Depois da morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, o país recebeu outra notícia dolorosa: Glória Menezes morreu aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.

Em poucas horas, o Brasil perdeu duas gigantes.

 

Duas mulheres de gerações extraordinárias.

Duas atrizes que atravessaram décadas diante das câmeras. Duas artistas que não apenas trabalharam na televisão brasileira — ajudaram a construí-la.

Glória Menezes deixa uma história que dificilmente poderá ser contada apenas por datas, novelas ou personagens.

  • Porque algumas artistas participam de programas.
  • Outras passam a fazer parte da vida das pessoas.
  • Glória pertence a essa segunda categoria.

ANTES DE A NOVELA SER UM HÁBITO NACIONAL, GLÓRIA JÁ ESTAVA LÁ

Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória começou sua trajetória artística no final dos anos 1950 e se transformaria em uma das pioneiras da televisão brasileira.

Em 1963, protagonizou ao lado de Tarcísio Meira a histórica 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior, reconhecida como a primeira telenovela diária da televisão brasileira.

Era um Brasil muito diferente.

A televisão ainda procurava sua linguagem, os aparelhos eram privilégio de poucos e ninguém poderia imaginar que as novelas se transformariam em um dos maiores produtos culturais do país.

Mas Glória estava ali.

  • No começo.
  • Quando praticamente tudo ainda precisava ser inventado.

Décadas depois, quando a telenovela brasileira já era assistida e reconhecida internacionalmente, aquela jovem atriz havia se transformado em uma de suas maiores referências.

UMA MULHER DE MIL ROSTOS

Glória possuía uma qualidade reservada aos grandes intérpretes: a capacidade de desaparecer para que o personagem aparecesse.

Foi elegante, dramática, romântica, divertida, sofisticada, popular.

Passou pelo teatro e pelo cinema e construiu na televisão uma sucessão impressionante de personagens.

Produções como

  • Irmãos Coragem,
  • Guerra dos Sexos,
  • Brega & Chique,
  • Rainha da Sucata,
  • Torre de Babel,
  • Páginas da Vida,
  • A Favorita e
  • Senhora do Destino,
  • entre tantas outras, ajudaram a transformar seu rosto em patrimônio afetivo de gerações de brasileiros.

E o tempo, que tantas vezes é cruel com os artistas, parecia produzir sobre Glória um efeito diferente.

Ela envelhecia sem perder a grandeza.

Mudavam as personagens, mudavam os autores, mudavam os cenários, mudava a própria televisão.

Glória continuava sendo Glória.

GLÓRIA E TARCÍSIO: QUANDO A VIDA E A ARTE SE ENCONTRARAM

  • É impossível contar sua trajetória sem falar de Tarcísio Meira.
  • Eles foram parceiros na vida e na arte durante quase seis décadas.
  • Contracenaram inúmeras vezes e se transformaram em um dos casais mais queridos da cultura brasileira.

Mas talvez o público tenha amado Tarcísio e Glória justamente porque havia algo neles que nenhuma direção de televisão poderia fabricar.

  • Cumplicidade.
  • Respeito.
  • Admiração.
  • Tempo.
  • Uma vida construída lado a lado.
  • Tarcísio morreu em agosto de 2021, aos 85 anos.
  • Glória permaneceu.

E talvez milhões de brasileiros que acompanharam aquele casal durante décadas estejam pensando hoje exatamente na mesma coisa:

a televisão perdeu Glória, mas a memória popular acaba de reunir novamente Tarcísio e Glória no lugar onde os grandes artistas permanecem — na lembrança de seu público.

UMA TERÇA-FEIRA QUE A CULTURA BRASILEIRA NÃO ESQUECERÁ

Existe ainda uma coincidência profundamente triste.

No mesmo dia em que o país se despede de Glória Menezes, também chora a morte de Laura Cardoso, aos 98 anos.

  • É difícil olhar para esses dois nomes e não perceber o tamanho da perda.
  • Laura e Glória pertenciam a uma geração que enfrentou a televisão praticamente desde sua infância.
  • Trabalharam quando tudo era mais difícil.
  • Quando cenas eram feitas com recursos limitados.
  • Quando a tecnologia não corrigia interpretações.

Quando o ator precisava chegar diante da câmera e simplesmente fazer acontecer.

  • E fizeram.
  • Durante décadas.
  • Por isso, esta não é apenas uma terça-feira de duas notícias tristes.
  • É um daqueles raros momentos em que um país percebe que parte de sua própria memória está indo embora.

O APLAUSO QUE NÃO TERMINA

Glória Menezes viveu o suficiente para assistir à transformação completa do meio que ajudou a construir.

  • Viu a televisão em preto e branco ganhar cores.
  • Viu as novelas deixarem os pequenos estúdios e se transformarem em superproduções.
  • Viu o videotape, o satélite, a televisão digital e o streaming.
  • Viu gerações inteiras de atores chegarem depois dela.
  • E permaneceu como referência.

Isso talvez explique por que sua morte provoca uma sensação tão particular.

  • Não perdemos apenas uma atriz.
  • Perdemos uma testemunha privilegiada da história cultural brasileira.
  • Mas existe uma diferença entre morrer e desaparecer.
  • Glória Menezes não desaparecerá.
  • Ela estará nas reprises, nos arquivos, nas fotografias, nos filmes, nas cenas preservadas e, principalmente, na memória daqueles que durante décadas interromperam uma conversa porque a novela estava começando.
  • Estará naquele Brasil em que famílias inteiras se reuniam diante de uma única televisão.
  • Estará na lembrança de quem acompanhou seus personagens, seus amores, seus dramas e suas gargalhadas.

E estará para sempre ao lado daqueles poucos artistas aos quais o público concede um título que nenhum contrato e nenhuma emissora conseguem oferecer:

  • inesquecível.
  • Hoje as luzes dos estúdios parecem um pouco mais fracas.
  • Laura partiu.
  • Glória partiu.
  • Duas gigantes no mesmo dia.

Mas quando uma artista consegue atravessar mais de seis décadas emocionando um país, talvez a despedida mais justa não seja feita apenas de lágrimas.

  • Talvez seja feita de silêncio.
  • Depois, de pé, vem o aplauso.
  • Obrigado, Glória Menezes.
  • Obrigado pelas personagens.
  • Obrigado pela elegância.
  • Obrigado pela televisão que ajudou a construir.

Obrigado por ter entrado tantas vezes nas casas brasileiras e, sem pedir licença, ter conquistado um lugar na memória de milhões de pessoas.

A primeira-dama da televisão deixa o palco.

Mas há artistas para quem a cortina jamais consegue realmente se fechar.

Glória Menezes é uma delas.

 

Por Gildo Ribeiro
Editoria de Personalidade
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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Tributo a Glória Menezes
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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