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O “VINHO do PORTO” do CERRADO?

Goiás guarda uma bebida que muita gente no Brasil nem imagina que existe

Em Hidrolândia, 42 mil jabuticabeiras formam um cenário impressionante — e delas nasce uma bebida artesanal capaz de colocar a fruta brasileira dentro de uma taça com surpreendente sofisticação

Imagine a cena.

Alguém coloca diante de você uma pequena taça com uma bebida escura, intensa, aromática e adocicada.

Você observa a cor.

Sente o aroma.

Experimenta.

E talvez venha imediatamente aquela lembrança dos vinhos fortificados e licorosos, especialmente do mundialmente famoso Vinho do Porto.

Então chega a surpresa:

  • não veio de Portugal.

Nem de uma tradicional região vinícola europeia.

Veio de Hidrolândia, em Goiás.

E a matéria-prima não é a uva….

É jabuticaba….

Sim, aquela mesma jabuticaba que durante décadas o brasileiro se acostumou a colher no quintal e comer encostado no pé ganhou garrafa, rótulo, técnica de produção e uma identidade completamente diferente.

E talvez esteja aí uma daquelas histórias brasileiras que mereciam ser muito mais conhecidas.

UM TESOURO A CERCA DE 30 KM DE GOIÂNIA

É na Fazenda Jaboticabal que está um gigantesco pomar com aproximadamente 42 mil jabuticabeiras, apontado há anos como o maior do gênero no mundo.

A dimensão impressiona.

Em reportagem sobre a safra de 2024, a propriedade foi descrita com 325 hectares e 42 mil pés, com expectativa naquele ano de aproximadamente 220 toneladas da fruta.

Mas existe algo especialmente interessante nessa história.

Ali, a jabuticaba deixou de ser simplesmente uma fruta altamente perecível para virar matéria-prima.

  • Vinho.
  • Licor.
  • Cachaça.
  • Geleia.
  • Sorvete.
  • E outros derivados.

Ou seja: alguém olhou para milhares de árvores carregadas e percebeu que havia muito mais negócio pendurado naqueles troncos do que simplesmente vender jabuticaba por quilo.

E ENTÃO APARECE O VINHO…

  • É justamente aí que começa a parte mais inesperada da visita.
  • Entre os produtos elaborados no local estão os fermentados de jabuticaba.

E alguns deles podem proporcionar uma experiência sensorial que lembra, guardadas todas as diferenças de matéria-prima, método e classificação, certos vinhos doces e intensos.

Daí nasce uma comparação inevitavelmente divertida:

  • seria este uma espécie de “Porto do Cerrado”?
  • Tecnicamente, é importante colocar cada garrafa em seu devido lugar.
  • Vinho do Porto possui origem, regulamentação, uvas e método próprios de Portugal.

Portanto, a bebida goiana não é Vinho do Porto e não pretende ser.

  • A graça está justamente na experiência.
  • Uma fruta genuinamente brasileira consegue produzir uma bebida com personalidade suficiente para provocar essa lembrança no paladar.

E isso já é extraordinário.

A HISTÓRIA COMEÇOU MUITO ANTES DA GARRAFA

  • O mais interessante é que esse império da jabuticaba não nasceu de algum gigantesco projeto empresarial.
  • Os primeiros pés da propriedade remontam a 1947.

A história registrada sobre a Fazenda Jaboticabal conta que Antônio Batista da Silva percebeu uma oportunidade comercial ao vender jabuticabas em Goiânia, ainda nos primeiros anos de desenvolvimento da nova capital.

  • O cultivo cresceu.
  • As árvores se multiplicaram.
  • E o que começou como produção rural acabou se transformando também em atração turística.
  • Décadas depois, em 1999, a família iniciou a vinícola.

É quase uma aula de empreendedorismo rural brasileiro:

  • Primeiro veio a fruta.
  • Depois o turismo.
  • Depois a transformação da fruta em produtos de maior valor agregado.

42 MIL ÁRVORES — E UM DESAFIO QUASE IMPOSSÍVEL

  • Há ainda uma história deliciosa envolvendo o tamanho do pomar.
  • Uma reportagem sobre a propriedade registra uma brincadeira atribuída ao dono:
  • quem conseguisse chupar uma jabuticaba de cada pé ficaria com a propriedade.

Considerando aproximadamente 42 mil árvores, talvez seja prudente não pedir a escritura antes de começar.

  • O desafio existe há décadas e, segundo o relato, ninguém conseguiu vencê-lo.

Convenhamos:

  • 42 mil jabuticabeiras não são exatamente um quintal.
  • São praticamente uma cidade da jabuticaba.

 

QUANDO O POMAR VIRA PASSEIO

  • E existe outra peculiaridade fantástica.
  • Na época da safra, o visitante não precisa simplesmente olhar para as árvores.
  • Ele entra no pomar.

Pode colher a fruta diretamente do pé e viver uma experiência que mistura turismo rural, gastronomia e memória afetiva.

A Fazenda Jaboticabal tornou-se uma das atrações turísticas de Hidrolândia, e a própria Goiás Turismo destaca tanto a fazenda quanto a vinícola entre os pontos de interesse do município.

É difícil encontrar marketing melhor para uma fruta brasileira:

  • Você não compra apenas a jabuticaba.
  • Você entra no lugar onde ela nasce.

O BRASIL PRECISA DESCOBRIR O QUE PRODUZ

Talvez essa seja a parte mais interessante de toda essa história.

Nós, brasileiros, aprendemos desde cedo a admirar Champagne, Bordeaux, Cognac, Porto e tantas outras regiões que transformaram produtos locais em símbolos internacionais.

E elas merecem esse reconhecimento.

Mas algumas vezes esquecemos de olhar para o nosso próprio quintal.

E, neste caso, estamos falando literalmente de um quintal gigantesco.

No coração de Goiás existe uma propriedade com dezenas de milhares de jabuticabeiras, uma tradição iniciada há quase oito décadas e uma cadeia de produtos construída ao redor de uma fruta profundamente brasileira.

  • Isso merece atenção.
  • Não porque o vinho de jabuticaba precise competir com Portugal, França, Itália ou qualquer outra tradição.
  • Muito pelo contrário.

Ele é interessante justamente porque não precisa imitar ninguém.

  • Tem fruta brasileira.
  • Tem história goiana.
  • Tem agricultura familiar.
  • Tem turismo.
  • Tem gastronomia.
  • E tem personalidade.

DO PÉ PARA A TAÇA

  • Talvez a melhor maneira de resumir essa história seja bastante simples.
  • Durante muito tempo, a jabuticaba terminava sua viagem alguns segundos depois de sair da árvore.

Hoje, em Hidrolândia, algumas delas fazem uma viagem bem maior:

  • saem do tronco, passam pela produção artesanal e terminam dentro de uma taça.

E quando alguém experimenta e pergunta:

  • — Isso é mesmo jabuticaba?

Talvez esteja justamente aí a maior vitória dessa pequena revolução gastronômica do Cerrado.

Porque transformar uma fruta tão familiar em algo capaz de surpreender o próprio brasileiro é uma bela demonstração do tamanho das riquezas que ainda temos para descobrir dentro do Brasil.

Portugal pode ficar tranquilo:
ninguém pretende roubar o Vinho do Porto.

Mas Goiás acaba de lembrar ao país que o Cerrado também sabe brindar.

E brinda com jabuticaba.

 

Por Gildo Ribeiro
Editoria de Comportamento
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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Vinho de Jabuticaba em Goiás
Vinho de Jabuticaba em Cena Aconchegante

 

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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