O câncer não espera

Brasil pode viver epidemia de câncer nos próximos anos

74% dos pacientes interromperam tratamento na pandemia

Quer emagrecer? Beba este suco natural de cenoura, laranja e limão
6 de agosto de 2021
Brasil chega à marca de 200 milhões de doses distribuídas
14 de agosto de 2021

A queda das consultas de rotina por causa da pandemia pode levar a uma explosão de casos de câncer nos próximos anos, é o que afirma o médico oncologista clínico, Gabriel Felipe Santiago.

O atual momento interrompeu o acesso a exames eletivos para diagnóstico em função do controle da propagação da Covid-19. A queda das consultas de rotina por causa da pandemia pode levar a uma explosão de casos de câncer nos próximos anos, é o que afirma o médico oncologista clínico, Gabriel Felipe Santiago.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), desde o mês de abril deste ano, quando o isolamento social já estava em vigor como recomendação oficial dos órgãos de saúde, mais de 50 mil brasileiros ficaram sem acesso ao diagnóstico e/ou tratamento para o câncer. “Essa falta de atendimento pode gerar uma elevação no número de casos da doença, em estágio avançado, no período pós-pandemia”, revela Gabriel. “Isso porque a descoberta tardia bem como a ausência de cuidados e atenção necessárias podem estimular o agravamento do câncer”, ressalta.

“As pessoas não têm conseguido acessar o tratamento adequado no tempo adequado. Acreditamos que vamos sair da pandemia e vamos enfrentar uma epidemia de casos avançados no câncer”, alerta Gabriel.

Dados alarmantes

Nos primeiros meses da pandemia, a SBOC conduziu uma pesquisa nacional entre seus associados que identificou que 74% dos participantes tiveram um ou mais pacientes com tratamentos interrompidos ou adiados por mais de um mês em decorrência dos riscos de infecção pelo novo coronavírus. Segundo números do Sistema Único de Saúde (SUS), pacientes que iniciaram tratamento oncológico diminuíram em cerca de 30%. E de acordo com o Instituto Oncoguia, desde 2020, a pandemia reduziu a visita aos hospitais, portanto, o problema está ainda mais grave, pois, quanto mais cedo se detecta a doença, mais chance de o tratamento ser bem-sucedido. Houve uma queda de 22% nas cirurgias de câncer, o que aponta para um “represamento” no tratamento.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que o câncer é a segunda maior causa de morte natural no Brasil; ficando atrás apenas das mortes causadas por problemas cardíacos. E, até 2030, deve ser a primeira, segundo especialistas.

Homens

Com exceção do câncer de pele não melanoma, o tipo de câncer mais comum entre homens é o de próstata, que representa quase 1/3 dos casos. A previsão é de mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata por ano, segundo o Oncoguia. A segunda maior incidência entre homens é de câncer colorretal. Segundo o Oncoguia, durante a pandemia, houve queda de 38,22% na realização de biópsias; 35,85% nas colonoscopias; e 29,04% a menos exames de PSA, fundamental para detectar o câncer de próstata em tempo hábil para tratamento.

Mulheres

O câncer mais frequente em mulheres no país é o de mama (66,3 mil casos em 2020), que requer a mamografia como forma de prevenção e diagnóstico. No entanto, as mamografias de rastreamento caíram 49,8%, enquanto as de diagnóstico apresentaram redução de 27,2% em todo o sistema público de saúde.

Conscientização e tratamento

Entre as sugestões apresentadas por especialistas e institutos, está a criação de uma força-tarefa para o reagendamento de consultas e exames. Gabriel Santiago ressalta que cada vez mais tem aparecido nos consultórios pacientes com câncer avançado e metastático.

“A queda de exames e diagnósticos para o câncer causará um grande impacto ao sistema de saúde. Com mais casos avançados, o custo do tratamento é maior e as chances de cura diminuem consideravelmente”, ressalta.

A prevenção é o melhor tratamento, pois possibilita o diagnóstico precoce e evita o agravamento da doença. Ao receber o diagnóstico positivo, o tratamento pode variar conforme o estágio.

  • Fonte da informação:
  • Leia na fonte original da informação
  • Os comentários estão encerrados.