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CARLOS VIANA parte para CIMA de ALCOLUMBRE LEVA CRISE ao CONSELHO DE ÉTICA

Senador mineiro cumpre ultimato após cobrar andamento de pedido de impeachment de Alexandre de Moraes; confronto deixa de ser apenas verbal e abre uma nova frente de pressão dentro do Senado

O que até poucos dias atrás parecia mais um capítulo da longa disputa entre integrantes do Congresso e o Supremo Tribunal Federal ganhou uma dimensão completamente diferente nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026.

O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o encerramento do prazo que ele próprio havia estabelecido para que Alcolumbre desse um encaminhamento institucional às cobranças relacionadas ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

A movimentação transforma uma cobrança política em uma ofensiva institucional e aumenta significativamente a temperatura dentro do Senado.

O 54º PEDIDO CONTRA MORAES

A origem imediata da crise está no pedido apresentado por Carlos Viana em 1º de setembro.

Segundo a CNN Brasil, trata-se do 54º pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

A iniciativa foi apresentada depois da divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, no contexto das investigações que atingiram o empresário e passaram a provocar novos questionamentos políticos sobre Moraes.

Viana passou então a cobrar publicamente uma decisão de Alcolumbre.

O senador sustenta que não está antecipando a culpa do ministro, mas argumenta que os fatos revelados precisam ser investigados e submetidos aos mecanismos constitucionais existentes.

Em entrevista publicada pela Veja, Viana afirmou que o presidente do Senado vinha respondendo às cobranças com aquilo que classificou como um “silêncio de omissão”.

E a cobrança não ocorreu apenas diante das câmeras.

O CONFRONTO CHEGOU AO PLENÁRIO

Há um registro oficial particularmente importante.

Nas notas taquigráficas do próprio Senado desta semana, senadores cobraram diretamente Alcolumbre sobre a possibilidade de pautar o impeachment de Moraes.

Ao ser questionado sobre se havia previsão para que o pedido fosse pautado, Alcolumbre respondeu simplesmente:

“Não tenho.”

O registro consta oficialmente da sessão do Senado.

Carlos Viana também tomou a palavra e manifestou sua indignação com a ausência de encaminhamento das denúncias envolvendo Moraes.

Isso é importante porque retira parte da discussão exclusivamente das redes sociais: o conflito está registrado dentro do próprio Senado Federal.

O ULTIMATO VENCEU. VIANA AGIU.

Carlos Viana havia dado a Alcolumbre até meio-dia desta quinta-feira (3) para apresentar o que chamou de “encaminhamento institucional”.

O prazo venceu.

Horas depois, Viana protocolou a representação contra o presidente do Senado no Conselho de Ética.

Segundo as informações divulgadas até o momento, a peça pede a apuração da conduta de Alcolumbre diante do acúmulo de pedidos de responsabilização envolvendo ministros do Supremo.

Viana também passou a falar publicamente na possibilidade de buscar apoio entre os senadores para medidas contra a permanência de Alcolumbre no comando da Casa.

Antes do fim do ultimato, ele já havia mencionado tanto afastamento quanto uma eventual iniciativa contra o próprio presidente do Senado.

É importante fazer uma distinção: isso não significa que Alcolumbre tenha sido afastado nem que exista, neste momento, decisão do Senado nesse sentido. Trata-se de uma ofensiva política e institucional iniciada por Viana que ainda depende de procedimentos internos e apoio parlamentar.

MAS SURGE UM OBSTÁCULO

Existe um detalhe que torna o episódio ainda mais peculiar.

O Conselho de Ética do Senado está inativo desde 2024, segundo levantamento publicado nesta quinta-feira pelo Metrópoles.

Portanto, protocolar a representação não significa que ela começará automaticamente a produzir consequências contra Alcolumbre.

Esse ponto poderá transformar-se na próxima batalha.

Se a oposição quiser levar a denúncia adiante, a própria situação do Conselho deverá entrar no centro das discussões.

ALCOLUMBRE ESTÁ SOB PRESSÃO — MAS NÃO ESTÁ ISOLADO

Também seria precipitado afirmar que o presidente do Senado está prestes a perder o cargo.

Alcolumbre mantém influência significativa na Casa, e transformar a ofensiva de Viana em uma ameaça concreta à Presidência dependerá da adesão de outros senadores.

Ao mesmo tempo, a pressão sobre ele está aumentando.

Outros parlamentares também passaram a cobrar providências em relação a Moraes, e a pauta já ultrapassa setores tradicionalmente identificados com a oposição.

O senador Flávio Arns (PSB-PR), por exemplo, anunciou nesta semana apoio a um dos pedidos de impeachment apresentados contra Moraes.

É justamente aí que o episódio ganha dimensão política maior.

O SENADO ESTÁ SENDO OBRIGADO A SE POSICIONAR

Durante anos, pedidos de impeachment contra ministros do STF foram apresentados ao Senado sem que isso, por si só, significasse abertura de processo.

Agora, Carlos Viana tenta mudar o foco da discussão.

A pergunta deixa de ser apenas:

“Alexandre de Moraes deve sofrer impeachment?”

E passa a incluir outra:

“Até quando a Presidência do Senado pode deixar pedidos dessa natureza sem uma decisão sobre seu encaminhamento?”

São questões diferentes e é justamente essa diferença que poderá colocar Davi Alcolumbre no centro da crise.

Viana está tentando transformar aquilo que considera omissão administrativa em responsabilidade política do presidente da Casa.

Alcolumbre, por sua vez, não anunciou até agora a abertura do processo de impeachment de Moraes.

UMA CRISE QUE PODE CHEGAR AO 7 DE SETEMBRO

A temperatura tende a aumentar ainda mais nos próximos dias.

O tema já aparece nas manifestações de senadores em plenário, nas articulações da oposição e nas mobilizações políticas previstas para o 7 de Setembro.

Por isso, o episódio desta quinta-feira talvez seja mais importante pelo que começa do que pelo que encerra.

Carlos Viana estabeleceu um prazo.

O prazo terminou.

Alcolumbre não anunciou o encaminhamento pretendido pelo senador.

E Viana cumpriu pelo menos uma parte da ameaça: levou o presidente do Senado ao Conselho de Ética.

Agora começa a fase realmente decisiva: descobrir quantos senadores estarão dispostos a acompanhá-lo.

Porque uma representação individual produz pressão.

Mas uma rebelião com número suficiente de senadores pode alterar completamente o equilíbrio de forças dentro da Casa.

E, pela primeira vez nesta nova crise, o centro da disputa já não está apenas no Supremo Tribunal Federal.

Está dentro do Senado da República.

Atualizado às 18:30hs  de 3 de setembro de 2026, com informações disponíveis até este horário.

 

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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