Caso Róbson

Delegada afastada por suspeita de beneficiar padre Robson nega troca de favores

Após divulgação de mensagens: ‘Absurda’. Conversa foi obtida após perícia no celular do religioso, que era investigado por desvio de dinheiro da Afipe. Ele sempre negou irregularidades.

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Delegada trocava favores e falava informalmente com Padre Robson: ‘Oi, sumido’

Delegada afastada por suspeita de beneficiar padre Robson nega troca de favores após divulgação de mensagens: ‘Absurda’

Conversa foi obtida após perícia no celular do religioso, que era investigado por desvio de dinheiro da Afipe.

Ele sempre negou irregularidades.

Em uma das mensagens, obtidas com exclusividade pelo Fantástico, o padre diz à delegada:

“Renata, eu mandei para você aí, é uma coisa bem laica, eu fiz da minha cabeça. Se quiser mudar, muda, tá?”, se referindo a um depoimento. Ela responde em seguida: “Não se preocupe”.

Segundo os investigadores, todas as gravações passaram por perícia técnica, que comprovou serem mesmo do padre. Os áudios estavam em HDs, computadores e no celular do padre – material que foi apreendido durante a Operação Vendilhões, do Ministério Público.

Em outra mensagem, o padre diz à delegada que vai “dar um chega” no marido de uma jornalista que estaria extorquindo dinheiro dele para não revelar supostos casos amorosos.

No áudio, ele pede proteção à delegada caso a situação chegue ao extremo.

“Eu vou tentar usar dos meios que eu conheço pra persuadi-lo a me dizer realmente se o que ele tem é algo interessante. Eu vou levar um policial e uma pessoa armada, para me proteger. A gente vai fazer isso tudo fora do padrão legal. Nós vamos dar um chega nesse caboclo lá, mas vai ser na base do “faroeste caboclo”.

“É um caso extremo. Se for preciso cria um uma história em cima disso aí, você está junto comigo. Você me libera dessa situação se acontecer o extremo ali”, diz o religioso em áudio.

Em nota, a delegada disse que é amiga do padre desde 2009 e foi responsável pela investigação para apurar eventual crime de extorsão no ano de 2019, no qual o religioso constava como vítima.

Ela informou que foram obedecidos todos os trâmites legais, com autorização dos superiores. O inquérito não foi concluído, pois ainda depende de decisão judicial.

“Houve permissão para que o padre enviasse o seu termo de depoimento por e-mail, por ele ser a vítima, conhecedora dos fatos”, disse no comunicado.

Quanto à afirmação de troca de favores, a delegada “declara ser absurda esta informação”.

Renata Vieira disse ainda que sempre atuou dentro do dever legal, observando a lei e seus deveres funcionais. Por fim, declarou que irá se manifestar em momento oportuno,

“apresentando todas as provas materiais que comprovam suas afirmações”.

Em nota enviada nesta segunda-feira (22), a Polícia Civil de Goiás informa que a

“Gerência de Correições e Disciplina analisa os autos do inquérito policial instaurado para investigar possível crime de extorsão no qual figura como vítima o padre”.

A investigação foi conduzida pela delegada Renata Vieira quando titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Trindade.

“O procedimento foi alvo de correição efetuada na última sexta-feira (19), que visa apurar possível irregularidade praticada pela referida delegada em sua condução. A delegada foi colocada à disposição da 16ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) de Trindade para nova lotação enquanto aguarda a apuração dos fatos pela Gerência de Correições e Disciplina, que deve ouvi-la nos próximos dias. Por fim, a Polícia Civil reitera seu compromisso com a legalidade e moralidade administrativas, bem como com a celeridade necessária à apuração de fatos desta natureza”, conclui a nota.

O secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, falou sobre as atitudes tomadas pela delegada.

“Os procedimentos adotados foram totalmente irregulares. Agora, cabe à Corregedoria da Polícia Civil indicar se foram ou não criminosos. O procedimento não estava dentro da carga de procedimentos da delegada, sequer estava numerado. Ele foi montado de maneira totalmente irregular. Ela vai ter que explicar toda aquela subserviência em relação ao padre, que ficou clara nos diálogos”.

“Quem estava no comando da operação era o padre. Não importa se ele é vítima ou não, isso não é adequado”, disse o secretário de Segurança Pública.

A defesa do padre Robson ressaltou que não há qualquer ilegalidade na relação entre o padre e a delegada e que ela investigava uma situação na qual ele era vítima. Assim, não houve qualquer favorecimento.

O advogado Paulo de Medeiros disse ainda que não tem conhecimento das mensagens mencionadas pela reportagem, mas que elas são

“frutos de montagens e adulterações feitas por pessoas inescrupulosas que o extorquem há anos”.

“O material original e verdadeiro não foi exibido na matéria, pois não pode ser divulgado nem por quem tem a função de investigar, já que é mantido em segredo de Justiça pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, por decisão do poder Judiciário”, disse o defensor em um comunicado.

Por fim, a defesa diz que o padre Robson está sofrendo perseguição de políticos com o objetivo de atingir terceiros com desejo de vingança.

“O seu pedido é para que lhe permitam seguir sua vida religiosa em paz, sem que seja constantemente vitimado por injustas e falsas acusações”, concluiu a nota.

Investigação
Padre Robson era investigado na Operação Vendilhões, que cumpriu mandados de busca e apreensão em agosto de 2020, para apurar crimes como lavagem de dinheiro, apropriação indébita e falsidade ideológica nas “Afipes”, associações criadas por padre Robson e que movimentaram em torno de R$ 2 bilhões em dez anos.

De acordo com a investigação, os valores deveriam ter sido usados na construção da nova Basílica de Trindade. Porém, foram usados, entre outros fins, para a compra de fazendas, um avião e uma casa de praia.

Em dezembro de 2020, ele e outras 17 pessoas foram denunciadas por organização criminosa, apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Porém, o processo foi bloqueado pela Justiça.

Gravações
Em outro áudio, o padre diz a um advogado que a morte de um dos dirigentes da Afipe, Anderson Fernandes, seria uma “bênção”.

Segundo as investigações, Anderson fazia parte de um esquema de suborno.

“Se você pudesse matar ele para mim, eu achava uma bênção. Acaba com esse cara, bicho. Isso aí só vai atrapalhar nossa vida. Para mim, até hoje, foi um atraso”, disse Robson.

Anderson Fernandes, em nota enviada ao Fantástico, afirma que o episódio em que o padre disse que queria matá-lo era claramente uma brincadeira. Ele disse que Robson falava isso brincando com frequência, inclusive na frente dele. Anderson alega ainda que a gravação é claramente uma montagem e que está sendo utilizada de forma descontextualizada e errônea.

Delegada Renata Vieira e Padre Robson, em foto de arquivo — Foto: Reprodução/Fantástico

Padre Robson, em missa realizada em Trindade — Foto: Afipe/Divulgação

https://youtu.be/Yzb849ypEQs

 

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