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Dia Mundial do Jornalismo

Sem jornalismo não há democracia: objetividade, ética e interpretação para iluminar a escuridão

Esta é a data mais importante para a Comunicação no mundo: 28 de setembro, Dia Mundial do Jornalismo e o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação.

O jornalismo do futuro provavelmente não se ocupa tanto do ineditismo ou da publicação avulsa dos fatos; mas da capacidade de interpretar o caos, de atribuir sentido, de contar uma história com sentido e veracidade

Esta é a data mais importante para a Comunicação no mundo: 28 de setembro, Dia Mundial do Jornalismo e o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação.

(O dia 7 de abril é celebrado apenas no Brasil.) Com o jornalismo atravessando a maior crise de sua história, comemorar soa cínico e lamentar soa despropositado.

Vale a pena, entretanto, aproveitar o ensejo para entender o estado das coisas e restaurar a fé no jornalismo de qualidade.

O jornalismo está ligado ao nascimento da democracia contemporânea — do fim do século 19 até a era digital, se consolidou como a principal forma de informar sobre o destino de impostos, decisões e bastidores do poder.

A ideia permanece arraigada.

Nas palavras do espanhol Fernando Belzunce:

Sem jornalismo, não há democracia. E, sem democracia, há apenas escuridão.

Porém, a atividade sempre foi profundamente desprezada e considerada incômoda pelo poder.

O húngaro Viktor Orban controla a mídia para escapar do escrutínio e manter o público no escuro.

Trump baniu o Wall Street Journal da Casa Branca.

Nos governos Lula e Dilma, apoiadores do PT classificavam jornais que denunciavam o governo como “Partido da Imprensa Golpista”.

Bolsonaro passou 4 anos atacando jornalistas da Folha, apelidou a Globo de “lixo”, insultou repórteres como Vera Magalhães e Patrícia Campos Mello.

Sem exceção, no Brasil, todos os presidentes buscaram esmagar ou aparelhar as empresas públicas de comunicação.

Não é surpresa, portanto, que com a multiplicação de fontes de informação na internet, políticos tenham se sentido gratos por poder abandonar a dependência dos jornais para ficar em evidência.

Porém, apesar da forma emular a forma jornalística, o leitor não deve se enganar: publicações nas redes não são jornalismo.

A pobreza da comunicação atual tem a ver com o abandono de valores fundamentais como o espaço para o contraditório, para o interesse público, a tentativa de alcançar a imparcialidade e a objetividade.

A “era da pós-verdade”, em que diversas narrativas conflitantes coexistem sobre a realidade, tem a ver com a facilidade de difundir desinformação online.

Há espaço para debater se a solução é o “controle social da mídia” ou “regulação das redes digitais” — a ideia, vinda do governo, parece muito um novo ataque, nova tentativa de censura, de esmagar ou aparelhar as versões autorizadas sobre os fatos.

Não há controvérsia sobre o diagnóstico do problema, entretanto; ele está aí.

Para piorar, nos últimos anos, o jornaleiro se rebelou contra os jornais.

O Google, maior distribuidor de informação no mundo, se tornou um competidor.

A big tech ativamente reduz o alcance de determinadas notícias, usa inteligência artificial para tirar os fatos (às vezes com plágio) das matérias e oferecê-los a quem faz uma busca, decide um padrão que sites devem seguir para surgir ranqueados nas primeiras páginas.

A solução para crise não existe, ainda, mas certamente passa por um resgate dos valores fundamentais do jornalismo.

Afinal, o leitor sente.

O leitor sentiu e manifestou ressentemento contra o jornalismo.

Parte da campanha vitoriosa de Jair Bolsonaro em 2018 foi baseada em seu discurso anti-imprensa, por exemplo.

Em parte, foi um voto de protesto contra jornais instrumentalizados pelo poder político e econômico.

Agora, o leitor sente-se simultaneamente afogado por informações vazias e sedento por sentido neste caótico mundo novo.

Na prática, o jornalismo já começou a satisfazer essa demanda quando ganhou novas funções, como a checagem da veracidade de notícias; a análise e visualização de grandes quantidades de dados; o traduzir e apontar tendências das inovações.

A atividade, que começou no século 17 e está sob ataque desde então, não vai acabar tão cedo.

Porém, também na prática, vemos que nem todos os veículos e repórteres têm clareza da nova natureza de seus trabalhos: é impossível concorrer com 2,96 bilhões de usuários de Instagram, que publicam informações diariamente.

O jornalismo do futuro provavelmente não está tanto no ineditismo, no furo, na publicação avulsa dos fatos; mas está na capacidade de interpretar o caos, de atribuir sentido, de contar uma história com sentido e com a veracidade dos fatos.

Mais do que novas funções, a solução deve passar por um resgate de velhos valores esquecidos.

A busca pela objetividade e pluralidade, o tratamento ético da informação, das fontes e dos leitores — essas são habilidades que só podem ser exercidas pelo jornalismo profissional.

Pelo bem da democracia, é necessário acreditar que ainda há demanda para o trabalho de iluminar.

Para citar outro celebre jornalista, Óscar Martínez, de El Salvador, ao receber o Prêmio Liberdade de Expressão concedido pela DW:

Quanto mais escuridão, maior é a necessidade de jornalismo.

Por Italo Wolff

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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