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25 de maio Dia Nacional da Adoção:

Mais do que um ato jurídico, um compromisso de amor, acolhimento e reconstrução de vidas

A psicanalista Dra. Ana Claudia Segantine destaca que a adoção vai além da formalização legal: trata-se da construção de vínculos verdadeiros capazes de transformar vidas.

O Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, representa uma importante oportunidade para ampliar o debate sobre o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária.

Instituída pela Lei nº 10.447/2002, a data busca conscientizar a sociedade sobre a relevância da adoção legal e sobre a necessidade de romper preconceitos que ainda cercam o tema no Brasil.

Muito além dos trâmites jurídicos, a adoção envolve sentimentos profundos, processos emocionais delicados e desafios psicológicos que atingem tanto os pais adotivos quanto as crianças e adolescentes acolhidos.

Segundo a psicanalista Dra. Ana Claudia Segantine, é fundamental compreender que a adoção não nasce apenas de um documento oficial, mas da construção afetiva e emocional do vínculo familiar.

De acordo com a especialista, a Psicanálise entende que todo filho — seja biológico ou adotivo — necessita ser “adotado” no desejo dos pais, ou seja, reconhecido, acolhido e legitimado afetivamente dentro da família. Esse processo é essencial para o desenvolvimento emocional saudável da criança.

O papel da Psicanálise no processo de adoção

A atuação da Psicanálise tem sido cada vez mais relevante dentro do contexto da adoção.

O acompanhamento psicológico auxilia pretendentes à adoção a compreenderem suas motivações, angústias, medos e expectativas diante do processo.

Conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os candidatos à adoção passam por preparação psicossocial e jurídica antes da inclusão no Cadastro Nacional de Adoção.

Nesse cenário, profissionais especializados avaliam se os motivos apresentados pelos pretendentes são legítimos e se a adoção realmente representa vantagens para a criança ou adolescente.

Para Dra. Ana Claudia Segantine, a escuta psicanalítica vai além do que é dito explicitamente.

Ela permite compreender aspectos emocionais mais profundos presentes no discurso dos futuros pais, identificando inseguranças, idealizações e até mesmo dores ainda não elaboradas.

Entre os principais desafios emocionais enfrentados pelos adotantes estão:

  • ansiedade pela demora do processo judicial;
  • medo da rejeição;
  • dificuldades na criação do vínculo afetivo;
  • frustrações decorrentes do indeferimento da adoção;
  • inseguranças sobre a aceitação da criança;
  • e, em muitos casos, o luto emocional pela impossibilidade biológica de gerar filhos.

Adoção tardia ainda enfrenta preconceitos

Um dos pontos mais sensíveis discutidos atualmente é a chamada adoção tardia, que envolve crianças maiores de 8 anos e adolescentes.

Embora milhares de crianças aguardem uma família, grande parte dos pretendentes ainda procura exclusivamente bebês ou crianças de até três anos.

Dados debatidos nacionalmente mostram que mais de 60% das crianças disponíveis para adoção possuem oito anos ou mais, enquanto a maior parte da procura permanece concentrada em recém-nascidos e crianças pequenas.

Essa realidade revela um desafio social importante: combater preconceitos e ampliar a conscientização sobre a importância de oferecer acolhimento familiar também às crianças maiores, que igualmente necessitam de amor, proteção e pertencimento.

O trauma da separação e os desafios da adaptação

Segundo a psicanalista, crianças adotadas frequentemente carregam experiências traumáticas relacionadas ao abandono, à negligência ou à separação precoce da família biológica. Em adoções tardias, essas marcas emocionais podem ser ainda mais intensas.

O processo de adaptação exige tempo, acolhimento e compreensão. Muitas crianças testam emocionalmente os novos pais por medo de serem novamente rejeitadas ou abandonadas.

Ao mesmo tempo, os pais adotivos também enfrentam inseguranças e fantasias relacionadas à criação do vínculo e à construção da nova dinâmica familiar.

A especialista destaca que o sucesso da adoção depende justamente da capacidade de construção de um ambiente seguro, afetivo e estável, onde a criança consiga desenvolver confiança e pertencimento.

A adoção transforma vidas

Apesar dos desafios, especialistas reforçam que a adoção representa uma poderosa oportunidade de reconstrução emocional e social.

Para milhares de crianças e adolescentes, ela significa uma nova chance de viver em um ambiente de acolhimento, carinho e proteção.

A adoção também realiza o sonho da parentalidade para muitas famílias, fortalecendo vínculos humanos baseados no amor, no cuidado e na responsabilidade.

Como lembra a Dra. Ana Claudia Segantine, o processo de adoção deve sempre ser tratado com seriedade, responsabilidade emocional e acompanhamento adequado, garantindo que crianças e adolescentes possam crescer de forma saudável, protegida e feliz.

Informação e orientação são fundamentais

O tema da adoção precisa ser discutido com profundidade e responsabilidade.

Conhecer os aspectos jurídicos, emocionais e sociais envolvidos ajuda a combater preconceitos e fortalece uma cultura de acolhimento mais humana e consciente.

A orientação profissional também é essencial para auxiliar famílias em todas as etapas do processo, desde a decisão pela adoção até a construção do vínculo familiar.

Sobre a especialista

A Dra. Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência. Atua nas áreas de Neurociência, TDAH, Depressão, TAG, TEPT, Dependência Química e acolhimento emocional, oferecendo acompanhamento humanizado, ético e sem julgamentos.

Por Gildo Ribeiro
Redação 7Minutos — Goiânia

 

 

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Adoção: um ato de amor
Adoção é escolha de amor
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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