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DE UMA MANEIRA OU DE OUTRA, O HEXA

Uma crônica bem-humorada sobre a maior esperança nacional desde a invenção do pão de queijo

Existe uma tradição brasileira tão forte quanto reclamar do calor, do trânsito e do preço da gasolina: acreditar que "agora vai".

E quando o assunto é Copa do Mundo, o brasileiro não apenas acredita.

Ele cria teorias, interpreta sinais do universo, consulta estatísticas aleatórias e encontra coincidências tão impressionantes que fariam inveja aos roteiristas de Hollywood.

A verdade é que estamos novamente em ano de Copa.

E lá vamos nós outra vez.

O trauma que nunca foi embora

Antes de qualquer conversa sobre hexa, é impossível ignorar aquele capítulo sombrio da história nacional.

O famoso e inesquecível 7 a 1.

 

Em 2014, milhões de brasileiros sentaram diante da televisão acreditando que testemunhariam um momento histórico.

  • Testemunharam.
  • Só que não era exatamente o que imaginavam.
  • O problema é que o 7 a 1 não foi apenas uma derrota.
  • Virou unidade de medida.

Até hoje qualquer fracasso nacional recebe imediatamente a comparação:

  • — O time perdeu de 4 a 0?
    “Foi quase um 7 a 1.
  • — O preço da carne subiu?
    “Tomamos outro 7 a 1.”
  • — O cartão de crédito chegou?
    “Isso sim foi um 7 a 1.”

 

O placar entrou para a cultura popular brasileira de uma forma que provavelmente nem os alemães entendem.

  • As seis Copas de abstinência
  • Desde 2002, quando Ronaldo Fenômeno levantou a taça, o Brasil entrou numa espécie de jejum futebolístico.

Já foram:

  • 2006
  • 2010
  • 2014
  • 2018
  • 2022
  • Cinco Copas sem título.

O que nos leva à teoria mais divertida da internet.

Se ganharmos a próxima…

  • HEXA.
  • Se perdermos…
  • Será a sexta Copa seguida sem ganhar.

Ou seja:

De uma maneira ou de outra, o hexa vem.

  • É matemática.
  • É filosofia.
  • É quase uma religião.
  • As coincidências que alimentam a esperança

Todo ciclo de Copa produz uma avalanche de teorias.

Os brasileiros se transformam em especialistas em numerologia esportiva.

Alguém sempre descobre que:

  • A última vez que o Brasil foi campeão havia um eclipse.
  • O técnico nasceu num ano terminado em número par.
  • A camisa amarela foi lançada num mês com 31 dias.
  • Um jogador nasceu exatamente 8.765 dias depois do último título.

E imediatamente surge alguém afirmando:

  • “Agora não tem erro.”
  • Foi exatamente o que disseram antes de várias eliminações.
  • O brasileiro nunca desiste
  • Esse talvez seja o aspecto mais fascinante.

Poucos países conseguem transformar sofrimento esportivo em entretenimento nacional.

O torcedor brasileiro passa quatro anos reclamando da seleção.

  • Diz que ninguém joga nada.
  • Critica treinador.
  • Critica dirigente.
  • Critica convocação.
  • Critica até o gramado.

Mas basta começar a Copa para acontecer um fenômeno inexplicável.

  • O mesmo cidadão aparece vestindo amarelo.
  • Compra bandeira.
  • Decora a rua.
  • Troca a foto do perfil.
  • E passa a acreditar novamente.

É um relacionamento tóxico entre o torcedor e a seleção.

  • Mas ninguém consegue terminar.
  • O peso do hexa
  • O número seis virou uma obsessão nacional.
  • A Argentina ganhou recentemente.
  • A França continua forte.
  • A Alemanha segue respeitada.

Mas o Brasil ainda tem algo que ninguém consegue tirar:

  • O peso da camisa.
  • O problema é que peso demais também cansa.

Cada geração entra em campo carregando a responsabilidade de encerrar uma espera que já dura mais de duas décadas.

  • O dia em que tudo pode mudar
  • Talvez seja este o ano.
  • Talvez não seja.
  • Talvez o Brasil encante.
  • Talvez nos faça sofrer.
  • Talvez chegue à final.

Talvez apareça uma seleção desconhecida com um atacante que ninguém ouviu falar e transforme nosso sonho em mais um capítulo da coleção de frustrações.

  • Mas uma coisa é certa.
  • Quando a Copa começar, o país inteiro esquecerá por alguns instantes suas diferenças.
  • Voltaremos a discutir escalações.
  • Voltaremos a fazer contas.
  • Voltaremos a acreditar em coincidências.

Voltaremos a sonhar.

E se o título vier, será festa até o último confete.

Se não vier…

Bem…

Pelo menos teremos confirmado a teoria mais engraçada da internet:

DE UMA MANEIRA OU DE OUTRA, O HEXA VEM. 🇧🇷🏆😅

 

Por Gildo Ribeiro
Editoria de esporte
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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O hexa é inevitável!
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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