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De perseguido a símbolo:

Texto que exalta Bolsonaro volta a circular e revela a dimensão de sua força política

Publicação compartilhada por Marcelo Grande Tourinho transforma a trajetória do ex-presidente em uma reflexão sobre resistência, perseguição e legado — mas a história por trás do próprio texto guarda uma surpreendente reviravolta

Existem políticos que deixam o poder e, pouco a pouco, desaparecem do centro das atenções.

Outros deixam o governo, mas continuam ocupando espaço permanente no debate nacional.

Jair Bolsonaro pertence, indiscutivelmente, ao segundo grupo.

 

Mais de três anos depois de deixar a Presidência da República, seu nome continua no centro da política brasileira.

Seus aliados disputam eleições evocando seu legado, seus adversários continuam fazendo dele personagem recorrente de seus discursos e praticamente cada novo capítulo de sua situação jurídica volta a movimentar o país.

É justamente essa permanência que está no coração de um texto que voltou a circular nas redes sociais e foi compartilhado no GETTR por Marcelo Grande Tourinho.

A mensagem apresenta Bolsonaro em termos grandiosos e afirma que o ex-presidente estaria caminhando para uma espécie de “imortalização” histórica.

Uma das passagens resume a ideia central:

Bolsonaro é, ele mesmo, o prêmio.

É uma frase poderosa do ponto de vista político e simbólico.

Para os admiradores do ex-presidente, ela traduz uma percepção que se fortaleceu ao longo dos últimos anos: independentemente das decisões judiciais contra Bolsonaro, sua figura política não desapareceu.

Bolsonaro permanece no centro do tabuleiro

Essa constatação encontra respaldo em algo bastante concreto: Bolsonaro continua exercendo influência sobre a direita brasileira mesmo sem disputar pessoalmente a Presidência em 2026.

O maior exemplo está dentro de sua própria família.

Flávio Bolsonaro assumiu a candidatura presidencial e disputa diretamente o eleitorado conservador, enquanto Michelle Bolsonaro lançou sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal afirmando publicamente que recebeu do marido uma “missão”.

Assim, mesmo afastado da disputa eleitoral direta, Jair Bolsonaro permanece como referência de um campo político que leva seu sobrenome, suas bandeiras e parte importante de seu eleitorado para a eleição de 2026.

É justamente aí que a mensagem compartilhada por Tourinho encontra sua maior força.

Para quem admira Bolsonaro, as condenações, restrições e batalhas judiciais não apagaram sua história.

Pelo contrário: passaram a integrar a narrativa de resistência construída ao redor dele.

  • Seus críticos enxergam essas decisões como consequências de processos conduzidos pelas instituições brasileiras.
  • Seus apoiadores, entretanto, frequentemente interpretam o mesmo conjunto de acontecimentos como perseguição política.

São duas leituras profundamente antagônicas de um mesmo personagem.

E talvez poucas figuras contemporâneas tenham dividido o Brasil de maneira tão intensa.

Do atentado de 2018 aos dias atuais

A história política de Bolsonaro também carrega episódios que contribuíram decisivamente para a construção dessa imagem entre seus seguidores.

Em setembro de 2018, durante a campanha presidencial, Bolsonaro sofreu uma facada em Juiz de Fora.

Sobreviveu….

Semanas depois, venceu a eleição presidencial…

Governou o Brasil entre 2019 e 2022, enfrentou uma pandemia de proporções históricas, protagonizou confrontos políticos e institucionais, perdeu a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 e, mesmo fora do Palácio do Planalto, continuou sendo um dos nomes mais presentes da política nacional.

  • Vieram investigações.
  • Processos.
  • Inelegibilidade.
  • Condenação.
  • Restrições.
  • E, ainda assim, seu nome permaneceu politicamente relevante.

É exatamente esse fenômeno que merece ser observado, independentemente da posição ideológica de quem observa.

Porque a história política não é construída apenas pelos cargos ocupados.

Também é construída pela capacidade de uma liderança permanecer presente no imaginário coletivo depois de deixar o poder.

Para os seguidores, Bolsonaro virou mais que um político

É nesse ponto que o texto compartilhado no GETTR assume um caráter quase épico.

Ele apresenta Bolsonaro não simplesmente como ex-presidente, mas como símbolo.

Para seus admiradores, tornou-se representação de valores como conservadorismo, patriotismo, liberdade econômica, enfrentamento à esquerda e defesa de costumes tradicionais.

Essa visão evidentemente não é compartilhada por todos os brasileiros.

Bolsonaro permanece uma das figuras mais polarizadoras da história recente do país e possui uma extensa legião de críticos.

Mas existe uma realidade impossível de ignorar:

  • poucos ex-presidentes brasileiros conseguiram permanecer durante tanto tempo no centro do debate depois de deixarem o Palácio do Planalto.
  • Amado por milhões.
  • Rejeitado por outros milhões.
  • Mas raramente ignorado.
  • Talvez seja exatamente isso que explique por que textos dessa natureza continuam circulando.
  • Mas existe uma história surpreendente por trás da mensagem
  • Aqui está o detalhe que merece atenção especial.

O texto compartilhado como homenagem a Bolsonaro não nasceu originalmente como uma homenagem a Bolsonaro.

Pesquisas em publicações antigas efetuada pela editoria do 7Minutos, mostram uma versão praticamente idêntica escrita pelo jornalista e escritor Gustavo Conde, anos atrás, exaltando Luiz Inácio Lula da Silva.

Na publicação original, era Lula quem estava sendo descrito como alguém “canonizado, imortalizado e santificado”.

Também eram outros os personagens históricos utilizados na comparação.

Com o passar dos anos, o texto foi adaptado.

Lula virou Bolsonaro.

Referências à esquerda foram substituídas por referências à direita.

E a mensagem ganhou uma nova vida nas redes sociais.

Posteriormente passou a circular atribuída a diferentes pessoas, inclusive com referências a Portugal.

 

Portanto, por responsabilidade jornalística, o 7Minutos registra: não encontramos evidências confiáveis de que o texto original sobre Bolsonaro tenha sido escrito por um “Conde de Portugal” ou por Raphael Siqueira.

O que encontramos foi ainda mais curioso: uma antiga reflexão política que atravessou campos ideológicos completamente opostos.

  • A ironia que a história produziu
  • Há algo extraordinariamente brasileiro nessa trajetória.

Um texto originalmente criado para glorificar Lula terminou sendo transformado, anos depois, em uma das mais contundentes homenagens compartilhadas por admiradores de Bolsonaro.

  • Mudaram os nomes.
  • Mudaram os adversários.
  • Mudou a ideologia.
  • Mas permaneceu a ideia central:
  • a perseguição — real na interpretação dos seguidores ou contestada pelos adversários — pode fortalecer o mito político em vez de destruí-lo.

Essa talvez seja a verdadeira discussão provocada pela publicação.

Tentativas de retirar uma liderança do centro da política podem, em determinadas circunstâncias, produzir exatamente o efeito contrário.

  • Bolsonaro e o julgamento definitivo da história
  • O julgamento histórico de Jair Bolsonaro não será concluído em 2026.
  • Talvez sequer pertença à nossa geração concluí-lo.
  • A História costuma ser menos apressada do que a política.

Bolsonaro será estudado pelo atentado que sofreu, pela improvável ascensão presidencial, pelos quatro anos no Palácio do Planalto, pela pandemia, pelas multidões que reuniu, pelas controvérsias, pelos embates institucionais, pelas derrotas, pelas condenações e pela influência que continuou exercendo depois de deixar o poder.

  • Seus admiradores poderão vê-lo como mártir.
  • Seus adversários poderão vê-lo como responsável pelos atos pelos quais foi condenado.

Mas nenhuma das duas coisas elimina um fato político fundamental:

  • Jair Bolsonaro marcou profundamente uma época do Brasil.
  • E em 2026 há talvez uma demonstração ainda mais impressionante dessa permanência.
  • Bolsonaro não está na urna presidencial.
  • Mas seu sobrenome está.
  • Sua família está.
  • Seus aliados estão.
  • Seus adversários continuam falando dele.
  • E milhões de brasileiros continuam discutindo seu legado.
  • É por isso que, retirada a falsa atribuição e compreendido o caráter opinativo da mensagem, uma frase daquela publicação consegue explicar tão bem o fenômeno político construído ao redor do ex-presidente:

Bolsonaro continua sendo disputado como símbolo.

A história decidirá que lugar reservará a Jair Messias Bolsonaro.

Mas uma coisa já parece assegurada: dificilmente será uma nota de rodapé.

 

Por Gildo Ribeiro
Editoria de Politica em Ano Eleitoral
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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