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DARK HORSE:

O filme sobre Bolsonaro ainda não pode ser exibido no Brasil e entra no radar da Polícia Federal

Ancine deverá responder à Polícia Federal sobre a situação do longa; registro obtido pela produção é apenas a primeira etapa, enquanto investigação sobre financiamento amplia a pressão em torno do projeto

O filme “Dark Horse”, produção que retrata de forma ficcional a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou ao centro das atenções políticas e cinematográficas do país.

Desta vez, a discussão não está apenas no conteúdo da obra ou no impacto que ela poderá provocar no público.

A questão envolve Ancine, Polícia Federal, financiamento, documentação, distribuição e o próprio calendário eleitoral de 2026.

A Agência Nacional do Cinema deverá informar à Polícia Federal que, apesar de Dark Horse já possuir um registro inicial no Brasil, o longa ainda não cumpriu todas as etapas necessárias para sua exibição comercial nos cinemas brasileiros.

E essa diferença é fundamental para compreender o caso.

O FILME FOI REGISTRADO — MAS AINDA NÃO ESTÁ LIBERADO

Nas últimas horas, a notícia de que Dark Horse havia conseguido registro na Ancine provocou interpretações de que o filme finalmente estaria liberado para chegar aos cinemas.

Não é exatamente isso…

O documento obtido é o chamado Registro de Obra Estrangeira (ROE).

Trata-se de uma etapa preliminar obrigatória para produções estrangeiras que pretendem ser exploradas comercialmente no Brasil.

O próprio procedimento não equivale à autorização definitiva de lançamento.

Para chegar regularmente às salas brasileiras, ainda será necessário obter o Certificado de Registro de Título (CRT) junto à Ancine.

Depois disso, o filme deverá passar pelo processo de classificação indicativa do Ministério da Justiça.

Segundo informações divulgadas pelo SBT News, os produtores ainda não haviam solicitado essas etapas seguintes, e não existe prazo definido para a conclusão de todo o procedimento.

POLÍCIA FEDERAL QUER INFORMAÇÕES

A situação ganha outra dimensão porque a Polícia Federal encaminhou uma série de questionamentos à Ancine.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a eventual existência de incentivos ou recursos públicos, possível participação de emendas parlamentares, identificação dos envolvidos na produção e distribuição e a adequação da obra às normas brasileiras.

A investigação sobre o financiamento do longa tramita sob sigilo.

Para que o processo de autorização avance, também deverão ser apresentadas informações relativas aos contratos da produção, divisão de direitos e receitas e estratégia de exploração comercial da obra no Brasil.

É importante fazer uma distinção: a existência de investigação não significa comprovação de irregularidade. Neste momento, existem suspeitas e diligências que precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

R$ 61 MILHÕES E DANIEL VORCARO

Parte significativa da repercussão envolvendo Dark Horse surgiu por causa das informações sobre seu financiamento.

Reportagens apontam que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria destinado R$ 61 milhões ao projeto. O assunto ganhou ainda maior repercussão depois da divulgação de informações sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro nas tratativas para obtenção de recursos destinados ao filme.

A produtora responsável pelo projeto apresentou uma perícia contratada pela própria empresa indicando custo de aproximadamente R$ 75 milhões para a realização da obra, segundo reportagem da Folha publicada nesta terça-feira.

São justamente a origem, o caminho e a aplicação desses recursos que permanecem entre os principais pontos de interesse das investigações.

FLÁVIO DINO AUTORIZA PF A ACESSAR NOVAS PROVAS

Outra atualização importante ocorreu nesta terça-feira, 25 de agosto.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a ter acesso às provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em investigação envolvendo a Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.

A investigação paulista envolve suspeitas relacionadas a recursos de um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões celebrado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil para fornecimento de internet gratuita a comunidades.

As autoridades investigam se houve desvio de recursos e eventual ligação de dinheiro com a produção cinematográfica.

Novamente: trata-se de uma linha investigativa, e não de uma conclusão judicial de que dinheiro público tenha efetivamente financiado o filme.

OUTRO PROBLEMA: QUEM VAI COLOCAR O FILME NOS CINEMAS?

Mesmo que toda a documentação seja regularizada, existe ainda uma questão essencial:

  •  distribuição.

Em junho, a Paris Filmes confirmou que foi procurada para avaliar a distribuição de Dark Horse, mas decidiu não avançar com o projeto, declarando não existir negociação ou contrato relacionado ao longa.

Informações mais recentes sobre o registro da obra apontam a Europa Filmes como distribuidora nacional vinculada ao processo apresentado à Ancine.

Portanto, o cenário comercial também mudou ao longo dos últimos meses.

E A ESTREIA ANTES DAS ELEIÇÕES?

Aqui está talvez a atualização politicamente mais importante.

Nesta terça-feira, 25, o SBT News informou que aliados da campanha de Flávio Bolsonaro já não esperam que Dark Horse consiga chegar aos cinemas brasileiros antes das eleições presidenciais de 2026.

O longa chegou a ser anunciado para período próximo ao pleito e era considerado politicamente importante por apoiadores do ex-presidente.

Mas a ausência do registro final, a necessidade da classificação indicativa e todos os demais procedimentos tornam cada vez mais difícil uma estreia antecipada.

Em junho, outra reportagem já apontava uma previsão de lançamento para 5 de novembro, portanto depois do segundo turno das eleições.

UMA COISA É INVESTIGAÇÃO:     OUTRA É CENSURA

Esse ponto merece atenção especial.

Até agora, não há base para afirmar simplesmente que a Ancine “proibiu” o filme sobre Jair Bolsonaro.

O que existe é um processo regulatório ainda incompleto.

Dark Horse conseguiu o ROE, mas ainda precisa cumprir as etapas necessárias para receber os documentos que permitirão sua exploração comercial regular no Brasil.

Paralelamente  e aí está a grande diferença   existem investigações sobre como o projeto foi financiado.

São duas questões distintas que acabam se encontrando em torno do mesmo filme.

DARK HORSE VIROU MUITO MAIS QUE UM FILME

Uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, estrelada pelo ator norte-americano Jim Caviezel, inevitavelmente despertaria curiosidade no Brasil.

Mas Dark Horse ultrapassou rapidamente os limites do cinema.

Hoje existem pelo menos três histórias acontecendo simultaneamente:

  • a história que será mostrada na tela;
  • a história do dinheiro utilizado para produzir o filme;
  • e a história política criada em torno de seu lançamento.

A primeira será julgada pelo público quando  e se  o filme chegar aos cinemas brasileiros.

A segunda está sendo examinada pelas autoridades.

E a terceira já está acontecendo diante dos brasileiros, justamente em pleno ano eleitoral.

É por isso que o caso Dark Horse merece acompanhamento cuidadoso.

O filme ainda nem chegou às telas.

Mas os bastidores já se transformaram em um roteiro tão controverso quanto o próprio longa.

 

AGORA, A PERGUNTA QUE NÃO QUER SE CALAR:

Quem deixaria de votar em Bolsonaro simplesmente porque não assistiu a Dark Horse?

E mais: até que ponto um filme é realmente capaz de mudar o voto de um eleitor que já formou sua opinião?

A ausência de Dark Horse dos cinemas antes da eleição poderia alterar alguma coisa nas urnas — ou toda essa polêmica está dando ao filme uma importância eleitoral maior do que ele realmente teria?

A questão fica para o leitor.

Vale lembrar que, do ponto de vista regulatório, uma obra estrangeira precisa cumprir as etapas exigidas para sua exploração comercial no país, incluindo o Certificado de Registro de Título (CRT) após o registro de origem.

E você: acredita que assistir — ou não assistir — a um filme poderia mudar o voto de alguém?

Quem deixaria de votar em Bolsonaro simplesmente porque não assistiu a Dark Horse?

E quanto ao filme…

Quem sabe Dark Horse não acaba chegando diretamente ao streaming, por um valor simbólico de R$ 20,00, permitindo que cada brasileiro interessado assista em casa e tire suas próprias conclusões?

Por enquanto, isso é apenas uma possibilidade, não há anúncio confirmado de lançamento do filme em streaming por R$ 20,00.

No fim das contas, fica outra pergunta:

UM FILME MUDA O SEU VOTO?

 

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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