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Atenção Pais!!!

PIPA é BRINCADEIRA. CEROL e LINHA CHILENA pode,TRANSFORMÁ-LA em TRAGÉDIA

Um alerta principalmente aos pais: aquilo que parece apenas uma disputa entre pipas pode colocar em risco crianças, motociclistas, ciclistas, pedestres e até uma comunidade inteira

Soltar pipa — também chamada de arraia, papagaio ou pandorga, dependendo da região do Brasil — é uma das brincadeiras mais tradicionais da infância.

O problema não está na pipa.

O perigo começa quando alguém decide transformar a linha em instrumento de corte.

Cerol, linha chilena e outros materiais abrasivos utilizados para cortar a linha de outras pipas podem transformar uma tarde de diversão em uma ocorrência policial, uma internação hospitalar ou, nos casos mais graves, em uma morte.

E é exatamente aqui que precisamos falar diretamente aos pais:

  • vocês precisam saber qual linha seus filhos estão levando para a rua.

 

A LINHA QUE A CRIANÇA SEGURA PODE ATINGIR QUEM ELA NEM CONSEGUE VER

Existe uma falsa sensação de segurança porque a criança está distante da avenida ou porque a pipa está muito alta.

  • Mas uma linha cortada não desaparece.
  • Ela pode cair atravessada sobre uma rua, avenida ou ciclovia. Pode ficar presa entre postes, árvores e construções.

E quem aparece segundos depois?

  • Um motociclista.
  • Um entregador.
  • Um ciclista.
  • Um trabalhador voltando para casa.
  • Outra criança.
  • Um pedestre.
  • Ou até um animal.

A pessoa atingida muitas vezes sequer consegue enxergar a linha antes do impacto.

Em maio de 2026, por exemplo, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná voltou a alertar para o problema depois de acidentes envolvendo linhas cortantes.

Em Curitiba, um ciclista de 51 anos sofreu um corte profundo no pescoço, com exposição da traqueia.

  • Não estamos falando, portanto, de um perigo imaginário.
  • Estamos falando de acidentes reais.

CEROL E LINHA CHILENA: QUAL É O PERIGO?

  • O cerol tradicionalmente utiliza uma mistura abrasiva aplicada à linha para aumentar sua capacidade de cortar outras linhas.
  • Já produtos conhecidos como linha chilena podem apresentar materiais abrasivos que proporcionam poder de corte ainda maior.
  • O resultado é uma linha extremamente perigosa quando encontra o corpo humano em movimento.

Imagine um motociclista seguindo por uma avenida e encontrando uma linha praticamente invisível atravessada na altura do pescoço.

  • A velocidade da motocicleta potencializa o impacto.
  • Os ferimentos podem atingir pescoço, rosto, braços e tórax, provocar cortes profundos e colocar a vida da vítima em risco.

É por isso que órgãos públicos de diferentes regiões brasileiras realizam campanhas de conscientização e distribuem ou recomendam antenas corta-pipa para motociclistas.

E EXISTE OUTRO PERIGO: A REDE ELÉTRICA

  • Pipa e rede elétrica jamais deveriam dividir o mesmo espaço.
  • Linhas presas em postes e cabos podem provocar situações perigosas, interrupções no fornecimento de energia e acidentes elétricos.
  • O problema se torna ainda mais grave quando crianças tentam recuperar a pipa utilizando objetos ou aproximando-se da rede.

A regra precisa ser simples:

  • A pipa prendeu na rede elétrica? Abandone-a.
  • Nenhuma pipa vale uma vida.

PAIS, NÃO BASTA PERGUNTAR ONDE SEU FILHO VAI BRINCAR

Pergunte também:

  • “Que linha você está usando?
  • Olhe o carretel.
  • Converse com a criança.

Explique por que materiais cortantes não devem fazer parte da brincadeira.

E principalmente não trate o assunto como uma simples “arte de criança”.

Quando um adulto compra, fornece ou tolera conscientemente um material perigoso nas mãos de uma criança, a situação deixa de ser apenas uma questão de diversão e passa a envolver responsabilidade e segurança de terceiros.

  • Supervisionar não significa acabar com a brincadeira.
  • Significa permitir que ela continue existindo sem colocar outras famílias em perigo.

 

MAS USAR CEROL OU LINHA CHILENA É CRIME NO BRASIL?

Aqui é necessário cuidado com a informação.

Em setembro de 2026, o Brasil ainda discute no Congresso uma legislação federal específica para criminalizar expressamente determinadas condutas relacionadas à fabricação, comercialização, posse e utilização de cerol e linhas cortantes.

O PL 339/2024, já aprovado anteriormente pela Câmara e encaminhado ao Senado, propõe justamente regras nacionais e alterações no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Há ainda propostas apresentadas em 2026 tratando especificamente da criminalização do uso de linha chilena, cerol e outros materiais cortantes.

Isso significa que não é correto simplesmente dizer que existe hoje um único crime federal específico denominado “usar linha chilena”.

Mas isso também não significa que alguém esteja livre de responsabilidade.

Dependendo das circunstâncias, colocar concretamente a vida ou a saúde de terceiros em perigo pode levar à aplicação da legislação penal já existente. Se houver lesão ou morte, as consequências jurídicas podem ser muito mais graves.

Além disso, estados e municípios brasileiros possuem legislações próprias proibindo ou restringindo fabricação, venda, porte e utilização desses materiais, com possibilidade de apreensão e multas.

Portanto, antes de repetir que “é só uma brincadeira”, é preciso lembrar:

  • uma brincadeira não concede licença para colocar a vida de outra pessoa em risco.

PREFEITURAS ESTÃO FAZENDO O ALERTA

Campanhas recentes mostram que o problema continua atual.

Em julho de 2026, por exemplo, a Prefeitura de Macapá lançou campanha de conscientização sobre os perigos das linhas cortantes.

Em Belo Horizonte, o chamado Julho Branco passou a dedicar um mês à conscientização e prevenção de acidentes envolvendo linhas cortantes e à proteção de motociclistas.

Outras administrações municipais e órgãos de trânsito também promovem ações educativas e instalação de antenas corta-pipa.

A mensagem é praticamente a mesma em todo lugar:

  • pipa pode continuar sendo diversão — linha cortante, não.

COMO DEIXAR A BRINCADEIRA SEGURA?

Os cuidados são simples:

  • utilize linha comum,
  • sem materiais cortantes;
  • procure campos e áreas abertas;
  • mantenha distância de ruas, avenidas e rodovias;
  • fique longe de postes e redes elétricas;
  • nunca tente retirar uma pipa presa na fiação;
  • crianças devem brincar acompanhadas ou supervisionadas por adultos;
  • não permita cerol, linha chilena ou outros produtos abrasivos;
  • ensine a criança a olhar ao redor antes de correr atrás de uma pipa.

UMA CONVERSA DE CINCO MINUTOS PODE SALVAR UMA VIDA

Talvez essa seja a mensagem mais importante desta reportagem.

Não precisamos acabar com uma tradição brasileira.

Precisamos impedir que uma tradição bonita seja transformada em arma.

Pais, conversem com seus filhos.

Professores, conversem com seus alunos.

 

Prefeituras, reforcem as campanhas.

  • Comerciantes, não contribuam para colocar materiais perigosos nas mãos de crianças.
  • E crianças e adolescentes precisam compreender uma coisa desde cedo:
  • ganhar uma disputa entre pipas jamais pode valer mais do que a vida de alguém.
  • Porque a pipa que sobe hoje pode ser esquecida amanhã.

Mas uma família que perde alguém em um acidente provocado por uma linha cortante carregará aquela consequência para sempre.

PIPA É DIVERSÃO.
LINHA CORTANTE É PERIGO.
PAIS PRESENTES TAMBÉM SALVAM VIDAS.

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

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Perigo Invisível: Linha Cortante na Estrada
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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