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Nossa SENHORA DESATADORA dos NÓS!

A HISTÓRIA nascida na ALEMANHA que atravessou TRÊS SÉCULOS e CONQUISTOU O MUNDO

Um quadro enigmático de aproximadamente 1700, uma crise familiar mantida discretamente durante séculos, uma antiga reflexão de Santo Irineu e uma devoção que sairia de Augsburg para alcançar milhões de pessoas — inclusive o Papa Francisco.

Há histórias religiosas que atravessam gerações quase silenciosamente.

Uma delas nasceu em Augsburg, no sul da Alemanha, e está ligada a uma das representações de Maria mais conhecidas atualmente no mundo:

  • Maria Knotenlöserin, literalmente, Maria que desata ou desfaz os nós — Nossa Senhora Desatadora dos Nós.

No centro dessa história encontra-se uma pintura de aproximadamente 1700, conservada até hoje na igreja de St. Peter am Perlach, em Augsburg.

A própria igreja alemã registra que, naquele ano, o patrício de Augsburg e cônego Hieronymus Ambrosius Langenmantel, que viveu entre 1666 e 1709, doou o altar dedicado à Virgem Maria que abriga a imagem.

A pintura é atribuída ao artista alemão Johann Georg Melchior Schmidtner.

  • Mas existe algo particularmente fascinante por trás dela.
  • O segredo familiar por trás do quadro

Segundo relato divulgado pela própria Diocese de Augsburg, durante muito tempo não se conheceu completamente a razão particular pela qual aquela imagem havia sido encomendada.

O bispo de Augsburg, Bertram Meier, relatou que a obra teria sido preparada como um presente para um parente de Hieronymus: Wolfgang von Langenmantel.

Wolfgang enfrentava uma grave crise matrimonial com sua esposa, Sophie.

  • O casamento estava ameaçado.
  • A possibilidade de separação estava sobre a família.
  • E justamente aí aparece o significado extraordinário do nó.
  • Em vez de fazer apenas um discurso sobre casamento e reconciliação, o sacerdote teria escolhido uma imagem capaz de transmitir uma mensagem silenciosa:
  • existem nós na vida humana que parecem impossíveis de desfazer.

Maria aparece justamente desfazendo esses nós.

O próprio bispo Bertram Meier explicou que a imagem poderia funcionar simbolicamente como uma espécie de aconselhamento para o casamento, para a família e para a própria vida.

Quem olhasse para Maria deveria também olhar para os próprios nós e encontrar coragem para colocá-los em suas mãos.

  • Uma história ainda mais antiga
  • Entretanto, a ideia teológica representada pela pintura é muito anterior ao ano de 1700.
  • Ela remonta aos primeiros séculos do cristianismo.

Santo Irineu de Lyon, um dos grandes autores cristãos da Antiguidade, estabeleceu uma comparação entre Eva e Maria.

Eva, pela desobediência, teria criado um “nó”.

Maria, pela fé e obediência a Deus, participa do movimento contrário: aquilo que havia sido amarrado pela desobediência começa a ser desatado pela obediência.

Séculos depois, essa mesma ideia apareceria também no ensinamento católico e seria citada no Concílio Vaticano II.

É daí que surge uma das chaves para compreender a pintura alemã.

OLHE ATENTAMENTE PARA O QUADRO

  • Nada parece estar ali por acaso.
  • Maria está no centro da composição.
  • Em suas mãos existe uma longa fita branca.
  • De um lado, ela chega completamente cheia de nós.
  • Maria começa a desfazê-los.
  • Do outro lado, a mesma fita aparece progressivamente livre, lisa e restaurada.
  • Os nós passaram.

Abaixo de Maria encontra-se a serpente, sobre a qual ela coloca o pé.

  • Acima aparece a pomba, representação tradicional do Espírito Santo.
  • Em torno de sua cabeça encontram-se doze estrelas, elemento relacionado à simbologia bíblica do Apocalipse.
  • Dois anjos participam da cena.
  • Um apresenta a Maria a fita complicada pelos nós.
  • O outro recebe a parte que já foi desatada.
  • É quase impossível não perceber a mensagem:
  • entregar o que está embaraçado e receber aquilo que foi restaurado.

E há outro detalhe misterioso

  • Na parte inferior do quadro existe uma pequena cena.
  • Um viajante aparece sendo conduzido por um anjo.

A própria igreja de St. Peter am Perlach reconhece que essa pequena representação pode ter resultado de um pedido especial do homem que encomendou a pintura.

Assim, mais de três séculos depois, o quadro continua carregando perguntas, símbolos e interpretações.

O QUE SÃO OS “NÓS”?

Para a espiritualidade associada à imagem, os nós não são cordas materiais.

São os problemas que vão se apertando dentro da existência humana:

  • uma família dividida;
  • um casamento em crise;
  • uma mágoa que não desaparece;
  • uma culpa;
  • uma dependência;
  • uma dívida;
  • uma doença;
  • um conflito entre pais e filhos;
  • uma decisão aparentemente impossível;
  • o medo;
  • a solidão;
  • a perda da esperança;

ou simplesmente aquela situação para a qual alguém já procurou todas as respostas e não encontrou nenhuma.

É exatamente por isso que a imagem conseguiu atravessar fronteiras.

Cada pessoa que olha para aquela fita pode enxergar nela o próprio nó.

DA ALEMANHA PARA A ARGENTINA

Séculos depois de sua criação, a imagem encontraria um divulgador inesperado.

Um sacerdote jesuíta argentino chamado Jorge Mario Bergoglio conheceu a representação e ficou profundamente impressionado com ela.

O futuro Papa Francisco ajudaria posteriormente a difundir essa devoção na Argentina.

Há, porém, uma curiosidade pouco conhecida.

Francisco afirmou que nunca esteve diante do quadro original em Augsburg.

Segundo registro do Vatican News, ele conheceu a imagem e posteriormente recebeu de uma religiosa um cartão-postal com a representação.

Bergoglio começou a distribuir reproduções, e a devoção cresceu na Argentina e depois em outros países latino-americanos.

Décadas depois, aquele jesuíta argentino se tornaria Papa.

E Nossa Senhora Desatadora dos Nós chegaria ao coração do Vaticano.

Existem reproduções da imagem no Vaticano, inclusive na Casa Santa Marta, residência utilizada por Francisco.

Em 2021, durante o período da pandemia, uma cópia da imagem de Augsburg foi levada aos Jardins Vaticanos para uma cerimônia de oração presidida pelo Papa.

O pequeno quadro alemão havia se tornado mundial.

MAS EXISTE UMA “ORAÇÃO ORIGINAL SECRETA” DE 1700?

Aqui é necessário separar a fé daquilo que a documentação histórica permite afirmar.

Não encontramos evidência confiável de que exista uma oração alemã secreta escrita em 1700 juntamente com o quadro e escondida durante três séculos.

Também não é correto atribuir automaticamente ao pintor Schmidtner a oração atualmente divulgada.

O que existe são orações e devoções posteriores inspiradas na imagem.

A conhecida novena de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, difundida internacionalmente, é uma elaboração moderna.

Fontes ligadas à devoção atribuem sua composição, em 1997, ao padre argentino Juan Ramón Celeiro.

Portanto, existe uma diferença fundamental:

  • o quadro alemão é antigo; a espiritualidade que o inspira é ainda mais antiga; mas as formas atuais da novena e das orações foram desenvolvidas posteriormente.

 

UMA ORAÇÃO EM USO NA TRADIÇÃO DEVOCIONAL DE LÍNGUA ALEMÃ

A seguir, apresentamos em português uma tradução fiel do sentido de uma oração encontrada atualmente em fontes devocionais de língua alemã dedicadas a Maria Knotenlöserin.

Ela não deve ser confundida com uma suposta “oração secreta de 1700”, para a qual não encontramos comprovação histórica.

ORAÇÃO A MARIA DESATADORA DOS NÓS

Virgem Maria, Mãe do Belo Amor,

Mãe que jamais deixa sem resposta um filho que clama por ajuda;

Mãe cujas mãos trabalham incessantemente por seus filhos amados, movidas pelo amor divino e pela infinita misericórdia que transborda do teu coração:

volta para mim o teu olhar cheio de compaixão.

Vê os muitos “nós” que sufocam a minha vida.

Tu conheces meu desespero e minha dor.

Sabes o quanto esses nós me paralisam.

Maria, Mãe a quem Deus confiou a missão de desatar os “nós” da vida de seus filhos, coloco em tuas mãos a fita da minha vida.

Ninguém, nem mesmo o Maligno, poderá retirá-la do teu auxílio misericordioso.

Em tuas mãos não existe nó que não possa ser desatado.

Mãe poderosa, pela tua bondade e pelo poder de tua intercessão junto a teu Filho Jesus, meu Libertador, recebe hoje este “nó”…

[Neste momento, apresente silenciosamente o problema que deseja confiar a Maria.]

Para a glória de Deus, peço-te: desata-o para sempre.

Eu confio em ti.

Tu és o consolo que Deus me concedeu;

fortaleza em minha fraqueza;

riqueza em minhas necessidades;

e libertação de tudo aquilo que me impede de permanecer unido a Cristo.

Escuta o meu clamor.

Guarda-me, guia-me e protege-me.

Tu és meu refúgio seguro.

Maria, aquela que desata os nós, rogai por mim.

Amém.

TRÊS SÉCULOS DEPOIS, OS NÓS CONTINUAM EXISTINDO

Talvez esteja exatamente aí a razão pela qual uma pintura produzida na Alemanha aproximadamente no ano de 1700 continua emocionando pessoas no século XXI.

  • A humanidade mudou.
  • As cidades mudaram.
  • A medicina mudou.
  • A tecnologia mudou.
  • Impérios desapareceram.
  • Gerações nasceram e morreram.

Mas os seres humanos continuam carregando seus nós.

  • O nó do medo.
  • O nó da família.
  • O nó da doença.
  • O nó da culpa.
  • O nó da falta de perdão.
  • O nó daquele problema que ninguém consegue resolver.
  • Na pequena igreja de St. Peter am Perlach, em Augsburg, o quadro continua no mesmo lugar.

E, segundo a própria igreja, pessoas provenientes de diferentes continentes continuam chegando ali para apresentar simbolicamente a Maria suas preocupações, necessidades e os “nós” de suas vidas.

  • Talvez seja essa a maior força dessa história.
  • Não se trata de uma fórmula mágica.
  • Não se trata de uma promessa de que todos os problemas desaparecerão.
  • Trata-se de uma imagem de fé, confiança, perseverança e esperança.
  • Uma fita chega cheia de nós.
  • E, lentamente, passa pelas mãos de Maria.

Do outro lado…

  • ela aparece novamente livre.

Conheça a página alemã da

Maria Knotenlöserin em St. Peter am Perlach, Augsburg

 

 

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

Nossa Senhora Desatadora dos Nós

Maria desatando la fita branca

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Maria desatando la fita branca
Nós, da Igreja de São Pedro em Perlach, damos-lhe as boas-vindas à Casa do Desatador de Nós e a uma das igrejas mais antigas da cidade de Augsburg!
Nossa Senhora Desatadora dos Nós
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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