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CASO MASTER:

R$ 80,4 MILHÕES teriam sido pagos a ESCRITÓRIO ligado À FAMÍLIA MORAES; DOCUMENTOS AMPLIAM PRESSÃO no STF

Contrato principal previa R$ 108 milhões líquidos e poderia chegar a cerca de R$ 131 milhões com tributos.

Documentos fiscais apontam pagamentos de R$ 80,4 milhões entre 2024 e 2025, enquanto outro negócio de até R$ 50 milhões envolvendo aeronaves aparece entre os papéis — mas o escritório afirma que essa segunda proposta nunca foi assinada.

O Caso Master chega a esta terça-feira, 15 de setembro, com uma pergunta cada vez mais importante:

  • qual foi o verdadeiro tamanho da relação financeira entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes?

Novos detalhes documentais divulgados nesta manhã acrescentam números expressivos a uma relação contratual que já estava no centro das discussões envolvendo Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo documentos analisados pelo UOL, o principal contrato celebrado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, administrado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, previa R$ 108 milhões líquidos, divididos em 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões. Considerando os tributos previstos, o custo total poderia alcançar aproximadamente R$ 130,9 milhões.

Mas existe um número ainda mais concreto.

R$ 80,4 MILHÕES

Informações declaradas à Receita Federal indicariam que o Banco Master efetivamente pagou ao escritório aproximadamente R$ 80,4 milhões entre 2024 e 2025.

Esse dado é importante porque permite separar três coisas que não podem ser confundidas:

valor previsto em contrato, valor bruto potencial e dinheiro efetivamente declarado como pago.

E é justamente a terceira informação que agora ganha enorme peso.

15 ADVOGADOS E MAIS TRÊS ESCRITÓRIOS

O próprio Barci de Moraes já havia informado que mobilizou 15 advogados de sua estrutura e outros três escritórios especializados em consultoria para executar os serviços relacionados ao Banco Master.

Esses três escritórios teriam trabalhado sob coordenação do Barci de Moraes.

Existe, entretanto, uma questão ainda sem resposta pública:

quem são esses três escritórios?

Segundo a nova apuração, seus nomes não foram divulgados.

Essa informação pode se tornar relevante para compreender como os serviços foram distribuídos e quais atividades foram efetivamente realizadas dentro de um contrato de tamanho tão expressivo.

O QUE O MASTER ESTAVA CONTRATANDO?

Documentos já tornados públicos indicam que o contrato abrangia uma gama ampla de serviços jurídicos, incluindo consultoria estratégica, compliance e atuação perante diferentes órgãos e instâncias.

É importante registrar um ponto fundamental:

um contrato de alto valor não representa, por si só, qualquer irregularidade.

A existência de pagamentos igualmente não comprova favorecimento, corrupção ou interferência judicial.

O que interessa à investigação é estabelecer se os serviços foram efetivamente prestados, se os valores são compatíveis com aquilo que foi contratado e se existe alguma relação entre os contratos e outros fatos investigados.

É nesse cruzamento que os documentos podem ganhar significado.

E SURGE OUTRO CONTRATO: ATÉ R$ 50 MILHÕES

Os documentos também revelam uma segunda negociação.

Tratava-se de uma proposta de acordo de até R$ 50 milhões, envolvendo a Vikings Participações, empresa representada por Daniel Vorcaro.

E aqui aparece um detalhe incomum.

A documentação previa a possibilidade de utilização de participações em aeronaves como forma de pagamento.

O escritório Barci de Moraes, entretanto, apresenta uma versão categórica:

afirma que recusou a proposta, não assinou o acordo e não recebeu aeronaves ou qualquer outro ativo relacionado a essa negociação.

Essa distinção é essencial.

Não podemos apresentar uma proposta encontrada nos documentos como negócio efetivamente concluído.

O CELULAR DE VORCARO ESTÁ NO CENTRO DA HISTÓRIA

A relevância aumenta porque parte desses documentos aparece dentro do enorme conjunto probatório relacionado ao celular apreendido de Daniel Vorcaro.

A Petição 16.662 reúne relatório produzido pela Polícia Federal e anexos referentes às relações investigadas.

E agora vários ministros do Supremo passaram a ter acesso ampliado aos dados extraídos do aparelho.

Isso significa que contratos podem ser comparados com mensagens.

Mensagens podem ser confrontadas com datas.

Datas podem ser comparadas com pagamentos.

E pagamentos podem ser relacionados a empresas e pessoas.

É assim que uma investigação financeira deixa de ser uma coleção de documentos isolados e começa a formar uma cronologia.

O PAPEL DE ALEXANDRE DE MORAES

Outro elemento já revelado pela investigação torna esse conjunto ainda mais delicado.

Metadados encontrados pela PF em arquivo relacionado ao contrato indicaram participação de um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” na edição ou revisão do documento.

O escritório apresentou explicação para isso.

Segundo sua versão, Moraes foi consultado pela área de compliance, na condição de marido da sócia-administradora, para verificar se existiria algum impedimento jurídico à contratação.

O escritório afirma que a conclusão foi de que não havia impedimento.

Novamente: editar ou revisar um documento não significa participar de eventual irregularidade.

Mas o episódio passou a integrar o conjunto de fatos que agora está sendo analisado no Supremo.

HOJE O STF ENTRA NO CENTRO DA CRISE

E existe uma coincidência temporal poderosa.

Essas informações aparecem justamente no dia em que o Supremo se prepara para discutir a controvérsia envolvendo o relatório da PF, Vorcaro, Moraes e a condução das diligências determinadas por André Mendonça.

Moraes apresentou uma extensa manifestação contestando a validade e a interpretação do material.

Mendonça, por sua vez, conduziu parte importante das diligências que colocaram os dados digitais no centro da crise institucional.

Agora os ministros precisam decidir juridicamente o que permanece válido e quais providências deverão ser adotadas.

E O ICLOUD DE “SICÁRIO”?

Aqui o Portal 7Minutos mantém uma linha clara.

Essas novas informações não podem ser apresentadas como revelações do iCloud de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”.

Até esta manhã, não existe confirmação pública de que os documentos sobre os R$ 80,4 milhões tenham sido extraídos daquela nuvem.

O iCloud continua sendo uma frente separada — e potencialmente explosiva — da investigação.

Quando houver um documento, áudio, fotografia ou mensagem oficialmente identificado como resultado daquela extração, será possível dizer que a nuvem finalmente começou a revelar seu conteúdo.

Ainda não chegamos a esse ponto.

AGORA NÃO BASTA SABER QUANTO FOI CONTRATADO

O Caso Master começa a entrar numa fase diferente.

Já conhecemos contratos.

Já conhecemos mensagens.

Já conhecemos reuniões.

Agora começam a aparecer números sobre quanto efetivamente teria sido pago.

E a diferença é enorme.

Um contrato mostra uma intenção comercial.

O pagamento mostra que o dinheiro caminhou.

A partir daí surgem as perguntas que a investigação precisa responder:

Quais serviços justificaram R$ 80,4 milhões? Quem efetivamente trabalhou nesses serviços? Quem eram os três escritórios contratados? Quanto cada um recebeu? E existe alguma conexão entre esses pagamentos e os demais acontecimentos encontrados no celular de Daniel Vorcaro?

  • Nenhuma dessas perguntas permite antecipar culpa.
  • Mas todas elas merecem resposta.

Porque, no Caso Master, a investigação parece estar chegando exatamente ao ponto em que a trilha das mensagens começa a encontrar a trilha do dinheiro.

E quando essas duas trilhas se cruzam, os documentos passam a falar muito mais alto.

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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Escândalo financeiro entre justiça e poder
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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