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João Doria: parece, mas não é

Na eleição municipal de 2016, o então candidato do PSDB à prefeitura fez cerca de 80 promessas.

Eleito, deixou o cargo 10 meses depois sem realizar outras 34

“Hoje é um dia histórico para a ciência no Brasil”, escreveu o governador João Doria (PSDB), no Twitter, em 11 de junho.

“Vamos anunciar que São Paulo produzirá a vacina contra o coronavírus, através de uma parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório internacional Sinovac Biotech. É uma das mais avançadas”.

Pelo discurso, parecia que a vacina contra o vírus chinês estava pronta para ser aplicada. Não era bem assim.

Na entrevista coletiva que começou horas depois, os brasileiros ficaram sabendo que, na verdade, tratava-se do anúncio de uma parceria para a produção de um imunizante entre o Butantan e o laboratório chinês — a empresa, aliás, é acusada de subornar membros do Partido Comunista para obter a aprovação de medicamentos.

“O governador também estava em busca de 9 mil voluntários para participarem da fase de testes da vacina.

Este é apenas o exemplo mais recente. Existem dezenas de outros.

O paradoxo entre expectativa e realidade é quase uma regra quando o assunto é João Doria. O governador de São Paulo é o grande beneficiário de uma campanha de marketing muito bem articulada.

Durante a eleição municipal de 2016, por exemplo, o então candidato do PSDB à prefeitura da maior cidade do país fez cerca de 80 promessas. Uma delas: cumprir integralmente o mandato. Eleito, deixou o cargo 10 meses depois sem realizar outras 34. Para se redimir, reciclou boa parte ao inseri-las no programa de governo com o qual concorreu ao Palácio dos Bandeirantes.

Habitação
Expectativa: Doria garantiu num debate que impediria invasões de propriedades públicas e privadas.
Realidade: Em abril de 2019, contudo, pelo menos 12 prédios da região central haviam sido ocupados, uma vez que o Ministério Público entrou com ações civis públicas para que os proprietários e a própria prefeitura adotassem medidas para requalificar a segurança dos imóveis.

Educação
Expectativa: O então prefeito prometeu zerar em 2017 a fila de 100 mil crianças à espera de uma vaga em creches da capital.
Realidade: Em novembro de 2019, entretanto, ainda faltavam 71 mil vagas.

Outra promessa na área era ampliar os Centros Educacionais Unificados (CEUs), o que não foi feito.

Saúde
Expectativa: Em setembro de 2016, Doria anunciou o lançamento de um cartão do SUS com chip e um aplicativo com o prontuário do paciente. “Um médico, seja da UBS, da AMA, ou do hospital, terá acesso ao seu prontuário por completo”, garantiu.
Realidade: Eleito, simplesmente abandonou a ideia.

Comércio
Expectativa: Outra promessa foi o programa ‘ruas 24 horas’, uma espécie de “feira da madrugada em tempo integral”, com centros de compras, negócios, lazer e atividades culturais.
Realidade: Segundo a prefeitura, a empreitada não deu certo porque a ação só poderia ser executada com a implantação de uma estrutura turística adequada no centro da cidade.

População de Rua
Expectativa: Quando candidato, Doria prometeu proporcionar “condições de reinserção social para os moradores em situação de rua, reduzindo o número atual desta população”.
Realidade: A população de rua, entretanto, saltou de 15.905, em 2015, para 24.344, em 2019 — um aumento de 53%.

Limpeza pública
Expectativa: Doria chegou a se fantasiar algumas vezes de gari para mostrar como as ações de zeladoria seriam prioridades em seu governo.
Realidade: Serviços de limpeza e manutenção registraram queda já em 2017, primeiro ano da gestão Doria. De janeiro a outubro de 2019, a varrição reduziu 9% em comparação ao mesmo período de 2016 e o volume de sujeira recolhido nas ruas caiu de oito para cerca de sete toneladas por mês.

O gasto na manutenção de corredores e faixas de ônibus também foi reduzido em 40%.

Privatizações
Expectativa: Durante toda a campanha, Doria anunciou um “plano ambicioso” de desestatização que incluía, entre outros ativos, o sambódromo do Anhembi, o autódromo de Interlagos e o parque Ibirapuera (que renderiam mais de R$ 8 bilhões aos cofres públicos).
Realidade: Apenas o Mercado de Santo Amaro e o Estádio do Pacaembu foram privatizados — e na gestão de Bruno Covas.

Coronavírus
Expectativa: Em março deste ano, a Secretaria Estadual da Saúde comprou três mil respiradores chineses por R$ 180 mil cada. O preço de mercado desses aparelhos oscila entre R$ 59 mil e R$ 75 mil.
Realidade: O preço exorbitante da negociação fez com que o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado abrissem um inquérito para investigar a transação.

“Eleito pegando carona na onda Bolsonaro – quando chegou a lançar o slogan BolsoDória —, o governador tornou-se um dos maiores críticos do presidente. Ao mesmo tempo, o discurso 100% antipetista, cedeu espaço a afagos públicos a Lula em redes sociais.

Diante de tantas transformações, resta a pergunta: João Doria é ou realmente só parece?

By Cristyan Costa

Link original da matéria:
https://revistaoeste.com/joao-doria-parece-mas-nao-e/

[caption id="attachment_83308" align="alignnone" width="1024"] O então prefeito de São Paulo João Doria.   Foto: LUIZ GUADANOLI/SECOM[/caption]
[caption id="attachment_83309" align="alignnone" width="1024"] Na campanha de 2018, João Doria usou o nome de Bolsonaro para ganhar apoio do eleitorado conservador Foto: DIVULGAÇÃO/JOÃO DORIA/INSTAGRAM[/caption]
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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