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Muda a relação Governos e BIG TECHS

CALIFÓRNIA ENFRENTA as BIG TECHS: novas leis proíbem recursos “viciantes” para menores de 16 anos

Pacote assinado por Gavin Newsom mira autoplay, feeds algorítmicos, publicidade direcionada e inteligência artificial; empresas também poderão enfrentar pesadas indenizações por danos a crianças

A batalha pela proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais entrou em uma fase que pode mudar definitivamente a relação entre governos e as gigantes da tecnologia.

Depois do acordo bilionário envolvendo a Meta nos Estados Unidos, a Califórnia decidiu transformar parte dessa discussão em lei.

Em 10 de setembro de 2026, o governador Gavin Newsom sancionou um pacote de 13 novas leis destinadas à proteção de crianças no ambiente digital, atingindo redes sociais, sistemas de inteligência artificial, chatbots, publicidade e tratamento de dados de menores.

E uma das medidas atinge justamente o coração do negócio das redes sociais:

  • manter o usuário conectado pelo maior tempo possível.
  • Autoplay e algoritmo entram na mira

A AB 1709 estabelece que plataformas abrangidas pela legislação não poderão oferecer a usuários com menos de 16 anos determinados recursos classificados pela Califórnia como capazes de favorecer comportamento compulsivo.

Entre os exemplos citados oficialmente pelo governo estão o autoplay — quando um vídeo começa automaticamente depois do outro — e feeds algorítmicos baseados no histórico e no perfil do usuário.

É uma mudança importante.

Durante anos, essas ferramentas foram apresentadas simplesmente como recursos destinados a melhorar a experiência do usuário.

Agora, a Califórnia passa a tratá-las também sob a perspectiva de risco para crianças e adolescentes.

Não significa o fim dos algoritmos ou das redes sociais para menores.

  • Significa que determinadas funcionalidades consideradas capazes de incentivar utilização compulsiva passam a sofrer restrições legais.
  • A responsabilidade poderá chegar ao bolso das empresas
  • Outro componente do pacote, a AB 2, aumenta significativamente a responsabilidade civil envolvendo danos sofridos por crianças.

Isso abre a possibilidade de grandes plataformas enfrentarem consequências financeiras expressivas quando forem preenchidos os requisitos estabelecidos pela nova legislação.

A mensagem política é evidente: proteger menores deixa de depender apenas das promessas e ferramentas voluntárias oferecidas pelas próprias empresas.

Passa a existir risco jurídico e financeiro real.

Newsom afirmou ao sancionar o pacote que a segurança das crianças deve acompanhar a velocidade da inovação tecnológica.

O governo californiano apresenta as medidas como algumas das proteções mais fortes dos Estados Unidos para menores no ambiente digital.

E não são apenas Meta e TikTok

Embora Facebook, Instagram, TikTok e YouTube estejam naturalmente no centro da discussão, o pacote é muito mais amplo.

Uma das novas leis cria regras particularmente duras para chatbots de companhia utilizados por crianças.

A chamada “Adam’s Law” determina, entre outras medidas, protocolos para situações envolvendo ideação suicida, controles parentais, notificações quando determinadas configurações de segurança forem desativadas e auditorias independentes de segurança infantil e avaliações anuais de risco.

Outra frente fortalece a proteção contra exploração sexual infantil e passa a abranger materiais alterados digitalmente ou produzidos por inteligência artificial que representem menores em situações sexuais.

Também aparecem novas proteções contra publicidade direcionada a crianças e regras envolvendo dados de estudantes.

Portanto, não estamos diante de uma única lei contra uma empresa.

É uma tentativa de estabelecer um novo sistema de responsabilidade para a infância digital.

O caso Meta começa a produzir algo muito maior

Esse é justamente o ponto que conecta a decisão da Califórnia à investigação que o Portal 7Minutos vem acompanhando.

A Meta aceitou um acordo gigantesco depois de enfrentar acusações relacionadas à segurança e ao impacto de Facebook e Instagram sobre crianças e adolescentes.

TikTok também enfrenta processos e decisões.

YouTube aparece no debate.

E agora o estado que abriga algumas das maiores empresas de tecnologia do planeta decide legislar diretamente sobre mecanismos utilizados para aumentar o engajamento.

A discussão mudou.

Já não se pergunta apenas:

“Quanto tempo uma criança deveria ficar no celular?”

A pergunta agora é muito mais desconfortável:

“Até onde uma empresa pode desenvolver um produto para fazer uma criança querer permanecer nele?”

A infância começa a valer mais que o clique

Esse talvez seja o maior significado da decisão californiana.

Rolagem contínua, autoplay, recomendações personalizadas, notificações e inteligência artificial são ferramentas extremamente poderosas.

Nas mãos de adultos, já provocam discussões sobre dependência e excesso de utilização.

Nas mãos de crianças, governos começam a concluir que simplesmente dizer aos pais “controlem seus filhos” talvez não seja suficiente.

A Califórnia decidiu colocar parte da responsabilidade também sobre quem desenvolve a tecnologia.

  • E isso acontece justamente no quintal das Big Techs.

Facebook e Instagram pertencem à Meta. TikTok disputa agressivamente o público jovem. YouTube domina uma parcela gigantesca do consumo de vídeos.

Todas essas empresas terão de acompanhar cuidadosamente o que está acontecendo.

Porque aquilo que hoje é lei na Califórnia pode servir de modelo para outros estados americanos e alimentar propostas semelhantes em outros países.

O próprio governo californiano defende uma resposta nacional para os riscos associados às novas tecnologias.

Depois dos bilhões envolvidos nos processos e acordos, a batalha entra em uma etapa ainda mais importante.

A discussão já não é somente quanto as gigantes da tecnologia terão de pagar.

É sobre quanto terão de mudar.

E, quando crianças e adolescentes estão do outro lado da tela, essa talvez seja a conta mais importante de todas.

 

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

Crianças, tecnologia e lei na Califórnia

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Infância Não é Lucro: Novas Leis na Califórnia
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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