Conteúdo: Dra ANA CLAUDIA SEGANTINE
31 de Agosto – Dia do Nutricionista: quando alimentar também é cuidar das emoções
Para a Dra. Ana Claudia Segantine, compreender nossa relação com a comida exige olhar além dos nutrientes: afetos, memórias, ansiedade, prazer e até sofrimento emocional também podem chegar à mesa
Por: Dra. ANA CLAUDIA SEGANTINE
Neste 31 de agosto, Dia do Nutricionista, a homenagem a esses profissionais também nos convida a refletir sobre algo que faz parte da vida de todos nós: nossa relação com a comida.
Alimentar-se é uma necessidade biológica, mas está longe de ser apenas isso.
Desde os primeiros momentos da vida, o alimento aparece associado ao cuidado, à presença e ao vínculo.
Com o passar dos anos, sabores, cheiros e refeições passam a carregar lembranças, afetos, costumes familiares e experiências pessoais.
Quem nunca sentiu saudade ao experimentar uma comida que lembrava a infância?
É justamente aí que percebemos que nem toda fome está apenas no estômago.
Quando comemos nossas emoções
Pela perspectiva da psicanálise, nossa relação com a alimentação também pode envolver desejos, angústias, frustrações, compensações, culpa e necessidade de controle.
Em determinados momentos, a comida pode ser procurada como conforto diante da tristeza, da ansiedade ou da solidão. Em outros, o próprio ato de comer — ou deixar de comer — pode estar relacionado à insatisfação com o corpo, à cobrança excessiva ou a conflitos emocionais mais profundos.
É o que, numa linguagem popular, muitas vezes chamamos de “comer nossas emoções”.
Isso não significa afirmar que todo comportamento alimentar tenha origem psicológica. A alimentação envolve fatores biológicos, nutricionais, sociais, culturais e emocionais.
E é exatamente essa complexidade que torna tão importante um cuidado individualizado e responsável.
O nutricionista vai muito além da dieta
O trabalho do nutricionista não deveria ser compreendido simplesmente como a elaboração de uma lista do que uma pessoa pode ou não pode comer.
Existe um ser humano por trás daquele prato.
Cada paciente possui sua própria história, seus hábitos, sua cultura, sua relação com o corpo e experiências particulares envolvendo alimentação.
Em alguns casos, inclusive, podem existir transtornos alimentares ou outras situações que exigem acompanhamento multiprofissional.
Nessas circunstâncias, a integração entre nutricionistas e profissionais da saúde mental pode contribuir para um cuidado mais amplo.
A pergunta deixa de ser somente “o que essa pessoa come?” e passa também por questões importantes:
- O que a comida representa para ela?
- O que sente quando come?
- Por que determinados alimentos provocam conforto, culpa ou ansiedade?
- Como essa pessoa enxerga seu próprio corpo?
São perguntas que não substituem a avaliação nutricional, mas podem ajudar a compreender a história existente por trás do comportamento alimentar.
- Alimentação não deveria ser sinônimo de culpa
Vivemos em uma sociedade cercada por padrões estéticos, dietas da moda, comparações e promessas de transformação rápida do corpo.
Nesse ambiente, cuidar da alimentação pode facilmente se transformar em cobrança e sofrimento.
Mas cuidar de si não deveria nascer da punição.
Uma relação saudável com a comida também passa pelo respeito ao próprio corpo, pela consciência das necessidades individuais e pela possibilidade de buscar orientação profissional quando necessário.
Nutricionista e profissional da saúde mental possuem funções diferentes, mas podem encontrar um ponto importante de diálogo: o bem-estar integral do paciente.
Quando diferentes áreas trabalham de maneira responsável e complementar, podemos compreender não somente aquilo que está no prato, mas também o ser humano que está diante dele.
Uma homenagem a quem transforma alimentação em cuidado
Neste Dia do Nutricionista, fica o reconhecimento aos profissionais que diariamente utilizam conhecimento, ciência e dedicação para promover saúde, prevenção e qualidade de vida.
Que nutricionistas continuem sendo parceiros importantes na construção de uma relação mais equilibrada com a alimentação e que, sempre que necessário, possam caminhar ao lado de outros profissionais envolvidos no cuidado físico e emocional.
Porque alimentar-se é indispensável à vida.
Mas compreender nossa relação com o alimento também pode ser uma maneira de compreender um pouco mais sobre nós mesmos.
Parabéns a todos os nutricionistas!
Sobre a autora
Dra. Ana Claudia de Laet Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência. Atua principalmente nas áreas de Neurociência, TAB, TDAH, Depressão, Suicídio, Dependência Química, TAG e TEPT, desenvolvendo trabalho baseado em acolhimento, informação, orientação e cuidado, sem preconceitos ou julgamentos.
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Contato: (62) 98244-0724
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— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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