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“A TURMA de VORCARO":

MENSAGENS expõem ESTRUTURA CLANDESTINA e PREOCUPAÇÃO com SAÍDA de TOFFOLI

PF aponta grupo remunerado para obter informações sigilosas e intimidar desafetos; novas mensagens reveladas neste domingo mostram preocupação com o agravamento da situação do núcleo ligado ao Banco Master

O Caso Master acaba de ganhar mais um capítulo que ajuda a dimensionar o tamanho da estrutura que a Polícia Federal afirma ter encontrado ao analisar celulares, mensagens e documentos relacionados a Daniel Vorcaro.

No centro das novas revelações aparece um grupo identificado nas conversas como “A Turma”.

Segundo a investigação da Polícia Federal, não se trataria simplesmente de funcionários ou de uma equipe convencional de segurança.

Os investigadores descrevem uma estrutura que teria sido utilizada para obter informações sigilosas, acessar dados restritos, monitorar investigações e intimidar pessoas consideradas adversárias dos interesses de Vorcaro.

E a atualização deste domingo, 14 de setembro, acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça.

 

“ESTÁ PIORANDO MUITO RÁPIDO”

Mensagens analisadas pela PF mostram que integrantes do grupo demonstraram preocupação depois que o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do Caso Master no Supremo Tribunal Federal.

Em conversa de 27 de fevereiro de 2026, Bruno Correa Lopes, apontado pelos investigadores como integrante da estrutura, conversava com Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, também investigado na Operação Compliance Zero.

Durante a conversa, Bruno teria demonstrado preocupação com o avanço das investigações e escrito:

Está piorando muito rápido agora que saiu do Toffoli.

A frase chama atenção porque revela como a mudança na condução do processo era observada pelas próprias pessoas investigadas.

As mensagens também mencionam movimentações envolvendo patrimônio da família Vorcaro e a necessidade de resolver determinadas questões rapidamente, segundo o material analisado pela PF.

UMA ESTRUTURA COM PAGAMENTO MENSAL

Outro aspecto revelado pela investigação impressiona pelo grau de organização atribuído ao grupo.

Segundo a PF, “A Turma” seria formada por seis integrantes e receberia aproximadamente R$ 400 mil por mês.

Os investigadores afirmam que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de “Sicário” nas mensagens, atuava como intermediário entre Vorcaro e diferentes grupos.

A PF aponta o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva como líder operacional de “A Turma”.

As mensagens são tão detalhadas que chegam a registrar preocupação com o período de férias de fim de ano do grupo.

Em dezembro de 2023, Marilson teria cobrado uma decisão sobre determinada demanda porque os integrantes entrariam em férias e o serviço poderia ficar para a última hora.

O detalhe aparentemente banal é relevante:

  • para os investigadores, ajuda a demonstrar que não se trataria de ações ocasionais, mas de uma estrutura organizada, remunerada e acionada conforme as demandas.

INFORMAÇÕES DE DENTRO DO ESTADO

A investigação vai ainda mais longe.

Relatório da PF aponta indícios de que pessoas ligadas à estrutura tiveram acesso indevido a informações sobre procedimentos existentes no Ministério Público Federal, na própria Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.

Em determinado momento, segundo o relatório, foram realizadas buscas relacionadas ao CPF de Daniel Vorcaro. A investigação identificou 15 procedimentos, dos quais 11 estavam sob sigilo.

Também teriam ocorrido pesquisas pelos termos relacionados a BRB e Master.

Quando questionado sobre a extensão das buscas, uma mensagem atribuída a Vorcaro foi direta:

Quero tudo. Atenção total.

A resposta atribuída ao intermediário foi no sentido de ampliar as consultas.

Para a Polícia Federal, existem indícios de utilização irregular de credenciais funcionais de terceiros para acessar sistemas que não estavam disponíveis ao público.

PF CITA ATÉ INTERPOL E FBI

Outro trecho do relatório chama atenção pela dimensão internacional.

As mensagens analisadas pelos investigadores contêm referências à Interpol e ao FBI.

A própria PF procurou a Interpol para verificar uma imagem que aparecia nas conversas.

A organização informou que aquela interface não correspondia aos mecanismos de consulta disponibilizados pela Interpol no Brasil, embora tenha admitido a possibilidade de se tratar de sistema utilizado em outro país.

Portanto, esse ponto ainda exige cautela: a existência das mensagens está documentada na investigação, mas isso não significa que esteja comprovado acesso direto aos sistemas centrais da Interpol ou do FBI.

INTIMIDAÇÃO TAMBÉM ESTÁ NA INVESTIGAÇÃO

Talvez a acusação mais grave seja outra.

A Polícia Federal afirma ter encontrado diálogos nos quais integrantes discutiam medidas contra pessoas consideradas adversárias.

Expressões como “medida mais drástica”, “sacode” e referências a provocar um “susto” aparecem no material atribuído aos investigados.

A PF interpreta esses diálogos como evidências de que a estrutura poderia ser utilizada também para intimidação e coerção.

É importante fazer a distinção:

  • são conclusões apresentadas pelos investigadores a partir do material apreendido e ainda estão sujeitas ao contraditório e à análise judicial.

E AGORA SURGE A PREOCUPAÇÃO COM TOFFOLI

É justamente por isso que a nova conversa divulgada neste domingo ganha relevância.

Até agora conhecíamos a descrição da estrutura, os pagamentos, as buscas por informações sigilosas e as suspeitas de intimidação.

Agora sabemos que pessoas apontadas como integrantes desse círculo também conversavam sobre os efeitos das mudanças ocorridas dentro do próprio processo do Caso Master.

A frase sobre a saída de Toffoli fornece uma fotografia do momento vivido pelo grupo:

  • eles percebiam que o ambiente estava mudando.
  • E aparentemente rápido.

A investigação do Caso Master deixou de ser apenas uma apuração sobre operações financeiras bilionárias.

A cada documento tornado público surgem ramificações envolvendo empresários, operadores, agentes públicos, sistemas restritos, movimentações financeiras e pessoas que circulavam ao redor do antigo controlador do Banco Master.

A pergunta que passa a acompanhar o caso é inevitável:

  • até onde chegava essa estrutura — e quem mais sabia de sua existência?

As próximas decisões do STF e os novos documentos da Polícia Federal poderão ajudar a responder.

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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A Turma de Vorcaro: Operação Compliance Zero
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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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