CONTEÚDO ALESSANDRA CÂMARA
Envelhecer não significa perder a visão. Especialista explica quando a Catarata deve ser tratada
Muitos idosos acreditam que enxergar pior faz parte da idade.
Embora a catarata seja consequência natural do envelhecimento do cristalino, a perda da visão provocada pela doença tem tratamento e, quando abordada no momento adequado, pode devolver autonomia, segurança e qualidade de vida
É comum que a perda gradual da visão seja encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento. No entanto, essa percepção faz com que muitas pessoas convivam por anos com limitações que poderiam ser tratadas.
A catarata, principal causa de perda visual reversível em idosos, faz parte do processo natural de envelhecimento do cristalino. Apesar disso, a redução da visão provocada pela doença pode ser revertida por meio de cirurgia, permitindo que muitos pacientes retomem atividades que haviam deixado de realizar.
Segundo o médico oftalmologista Francisco Lima, especialista em catarata e glaucoma, um dos maiores equívocos ainda observados no consultório é acreditar que a piora da visão faz parte da idade e, por isso, não merece investigação.
Envelhecer é natural. Perder a visão por uma doença tratável não deve ser encarado como algo inevitável. Sempre que houver alteração persistente da qualidade da visão, o paciente deve procurar avaliação oftalmológica. Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo, melhores são as condições para indicar o tratamento no momento mais adequado.
Entre os primeiros sinais da catarata estão visão embaçada, aumento da sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir durante a noite, necessidade frequente de trocar os óculos, redução da nitidez das cores e sensação de que tudo parece menos iluminado.
Existe ainda um sintoma pouco conhecido.
Algumas pessoas voltam temporariamente a enxergar de perto sem os óculos de leitura, fenômeno popularmente conhecido como “segunda visão”. Apesar de parecer uma melhora, essa alteração também pode indicar a evolução da catarata.
O mito da catarata “madura”
Durante décadas, muitos pacientes ouviram que era necessário esperar a catarata “amadurecer” antes da cirurgia. Segundo Francisco Lima, essa orientação pertence ao passado.
Hoje não esperamos a catarata ficar avançada. O momento ideal para operar é quando ela começa a comprometer a autonomia, a segurança ou a qualidade de vida do paciente. Quanto mais endurecido o cristalino se torna, maior pode ser a complexidade técnica do procedimento.
A decisão cirúrgica, explica o especialista, é individualizada e leva em consideração muito mais do que o grau da catarata. O impacto na rotina, nas atividades profissionais, na leitura, na direção de veículos, no lazer e na independência do paciente também faz parte dessa avaliação.
A cirurgia evoluiu muito
A cirurgia de catarata passou por uma transformação significativa nas últimas décadas e hoje figura entre os procedimentos mais seguros e realizados da medicina.
O procedimento é feito por meio de microincisões, geralmente sem necessidade de pontos, sob anestesia local e com duração aproximada de dez minutos. Na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia e percebe melhora importante da visão nas primeiras 24 a 48 horas.
Segundo Francisco Lima, porém, a cirurgia atual vai muito além da simples retirada da catarata.
Hoje buscamos oferecer uma reabilitação visual personalizada. Além de substituir o cristalino opacificado, a cirurgia permite corrigir diferentes graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e, em muitos pacientes, reduzir significativamente a dependência dos óculos. O planejamento é individualizado para atender às necessidades e ao estilo de vida de cada pessoa.
Muito além da visão
As limitações provocadas pela catarata costumam surgir de forma lenta e progressiva. Muitos pacientes deixam de dirigir à noite, aumentam a iluminação da casa para conseguir ler, passam a evitar atividades que exigem boa visão ou trocam os óculos repetidas vezes sem perceber que o problema não está mais na graduação das lentes.
Com a evolução da doença, tarefas simples como reconhecer rostos à distância, utilizar o celular, identificar medicamentos, cozinhar ou caminhar em locais pouco iluminados tornam-se cada vez mais difíceis.
Essa perda gradual da autonomia também aumenta o risco de quedas, fraturas, isolamento social e redução da independência, especialmente entre idosos.
Hábitos que ajudam a preservar a saúde ocular
Embora a catarata relacionada ao envelhecimento não possa ser completamente evitada, alguns hábitos contribuem para retardar seu aparecimento e preservar a saúde dos olhos.
Entre eles estão o uso de óculos com proteção contra os raios ultravioleta, alimentação equilibrada rica em antioxidantes, abandono do tabagismo e controle adequado do diabetes.
Francisco Lima ressalta ainda que as consultas oftalmológicas periódicas assumem papel cada vez mais importante a partir dos 40 anos. Além de permitir o acompanhamento da catarata, os exames possibilitam identificar precocemente doenças silenciosas, como glaucoma e degeneração macular relacionada à idade, antes que provoquem danos irreversíveis à visão.
As pessoas estão vivendo cada vez mais. O objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas preservar a qualidade da visão durante esse tempo. Em muitos casos, isso depende apenas de não aceitar a perda visual como uma consequência natural da idade e procurar avaliação no momento certo.
Por ALESSANDRA CÂMARA
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— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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