Profissão estagiário

Estudantes contam quais os desafios da atividade

No mês que se comemora o dia do estagiário, o 7 Minutos traz relatos dessa atividade agridoce.

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Profissão estagiário. Estudantes contam quais os desafios da atividade

Consegui um emprego na área em que escolheu como profissão é o sonho de todos os estudantes do ensino superior, e o estágio é uma oportunidade para alcançar esse resultado.

Através dele o estudante exercita o que aprendeu com os professores e aprende novas práticas, mas nem sempre essa experiência é tão positiva.

No mês que se comemora o dia do estagiário, o 7 Minutos traz relatos dessa atividade agridoce.

Uma piadinha antiga diz que a culpa é sempre do estagiário, mas será mesmo?

Amanda Araújo tem 25 anos, trabalha em uma empresa de publicidade, e discorda.

Ela contou que já precisou corrigir erros de alguns profissionais, mas que isso não a incomodou tanto quanto receber ligações dos chefes fora do horário do expediente e também nos fins de semana. No começo, a jovem não via problema, mas com o tempo isso mudou.

“Eu já ouvi várias vezes que a culpa é do estagiário, mas isso não é verdade. Acho legal que os chefes cobrem de mim para apresentar resultados similares a de um profissional, mas é importante saber que como estagiária eu ainda estou aprendendo e meu salário é, na verdade, uma bolsa, um valor bem menor que o salário de um profissional”, afirmou.

Ela tem razão em reclamar. A pandemia do novo coronavírus provocou alterações na rotina de estudantes e profissionais, mas não alterou a Lei 11.788/2008 que estabelece as regras para o estágio. Segundo a legislação, estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular podem ter carga horária de até 6 horas diárias e 30 horas semanais.

No caso dos estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos (Eja) o expediente precisa ser de até 4 horas diárias e 20 horas semanais. Em todas as situações a carga horária deve ser reduzida pela metade no período de provas e avaliações, mas algumas empresas ignoram a norma.

Camila Fernandes, 28, é estudante de História e fez estágio em uma escola pública no ano passado. A atividade não era remunerada, e ela contou que fazia muitas horas extras, mas que apesar das dificuldades e dos desafios, foi divertido ou quase isso.

“Fiquei com turmas do 7º ano e meu trabalho era acompanhar o professor em sala de aula. Na hora que cheguei, ele me falou, ‘olha, a gente passa 80% do tempo pedindo silêncio e 20% a gente consegue aproveitar, é uma turma bem complicada, eles são muito agitados’. Eu fiquei um pouco assustada e, de fato, foi desesperador, mas eu gostei”, contou.

Outros estudantes relataram casos de sobrecarga de trabalho.

Eles não quiseram se identificar, mas disseram que em algumas empresas aconteceram demissões de profissionais e as vagas foram substituídas por estágio. O resultado foi mais trabalho para os novatos e a precarização do serviço. As denúncias são de antes mesmo da pandemia.

A recomendação das empresas e das faculdades é pra que nesses casos o estagiário sempre converse com o supervisor, com a coordenação de estágio da empresa ou com a coordenação da faculdade.

O dia do estagiário é comemorado todo dia 18 de agosto, data em que foi publicado o Decreto nº 87.497 de 1982 que regulamentou a lei existente sobre estágio, além de estabelecer regras e limites para a atividade.

As entidades de Recursos Humanos na Bahia não souberam informar a quantidade total de postos de estagiários no estado, mas disseram que o setor também sofreu retração por conta da pandemia.

Sempre é preciso defender o profissionalismo e a valorização do profissional. Essas são as bases de uma economia saudável, e sem esses esforços as profissões estarão fadadas a desaparecer.

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