Morte súbita aos 58 anos em triatle

Infarto de Diniz pode ter elo com doença congênita; veja cuidados

O empresário João Paulo Diniz morreu neste domingo (31).

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O empresário João Paulo Diniz. — Foto: Reprodução: Facebook/ João Paulo Diniz

Especialistas ressaltam que prática de atividade física ajuda a reduzir doenças cardiovasculares, mas avaliação médica periódica é importante independentemente do nível da atividade.

 

O empresário João Paulo Diniz

morreu neste domingo (31). Ele tinha 58 anos e, durante o final de semana, participou de uma competição esportiva (veja mais no vídeo acima). A causa da morte foi um infarto

“Nadamos e remamos por 13KM no maravilhoso cenário do Saco do Mamanguá… minha dupla @joaopaulodinizoficial mandou bem demais”,

afirmou o triatleta Juraci Moreira, amigo de Diniz.

A família não divulgou detalhes sobre as circunstâncias da morte do empresário, mas especialistas ouvidos pelo g1 ressaltam que, embora uma avaliação clínica seja importante para qualquer faixa etária, a prática de exercício físicos é uma importante estratégia para a prevenção de diversas doenças, inclusive as cardiovasculares.

 

Exercícios de alta intensidade podem aumentar o risco de infarto?

O médico, pesquisador e professor titular de Cardiologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, José Francisco Kerr Saraiva, explica que a prática de atividades físicas é universalmente reconhecida como uma medida que ajuda a reduzir doenças cardiovasculares.

O especialista, contudo, ressalta que fazer exercícios, independentemente do nível de intensidade, exige uma avaliação clínica, que pode ser feita por um clínico geral, mas que é importante para todas as idades, inclusive crianças e adolescentes.

 

Existe relação entre morte súbita e atividade física?

Nos casos de pacientes que possuem certos problemas cardíacos, como hipertensão, aterosclerose, que já tiveram um infarto ou outras doenças do tipo, e para pessoas acima de 60 anos, o médico alerta, porém, que essa avaliação precisa ser mais detalhada, focando nesses possíveis riscos.

“Mesmo assim, apesar de todas essas avaliações, um indivíduo não está livre de ter uma morte súbita, que por sua vez não está vinculada obrigatoriamente ao exercício. Muitas vezes ela pode acontecer de uma maneira virtual: uma pessoa está caminhando e morre, por exemplo. Mas você não pode responsabilizar aquela caminhada”,

diz o especialista.

 

Juliana Soares,

clínica geral e cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, esclarece ainda que essa avaliação cardiológica é fundamental em esportes de alto rendimento porque essas são atividades que exigem muito do organismo, mas faz uma ressalva sobre as complicações que podem ocorrer.

 

“Como essa atividade vai exigir muito do corpo de uma pessoa, a gente precisa conhecer esse risco para prevenir. Mas não é que a atividade física de alto impacto aumenta o risco de morte. Isso não acontece. Existem algumas doenças que pessoas que praticam essas atividades podem ter e, tendo essas condições, ao serem requeridas fisicamente elas podem manifestar essas doenças”, explica.

 

Outro fator de destaque,

avalia Juliana, é que, embora a principal causa de morte súbita em atletas sejam doenças congênitas (que se manifestam desde o início da vida), a incidência desse tipo de morte nessa população é bastante rara: cerca de 5 a 10 mortes por milhão a cada ano.

“A miocardiopatia hipertrófica [que deixa os músculos cardíacos espessos] é, por exemplo uma das principais causas, e a pessoa nasce com essa condição”.

 

Apesar disso,

como pontua o cardiologista Paulo Caramori, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o fato de uma pessoa ser atleta não a exime de ter risco cardiovascular aumentado visto que mesmo um atleta de alta performance pode ter pressão arterial elevada, colesterol alto, diabetes, entre outras complicações.

“Estes são 3 riscos cardiovasculares importantes e invisíveis, que só podem ser identificados a partir de exames e devem ser regularmente monitorados em qualquer pessoa, seja ela atleta ou não”, diz.

 

O que é um exercício de alta intensidade? Os riscos da prática aumentam com a idade?

Thalles Messora, médico do Exercício e Esporte pela UNESP, diz que a intensidade do exercício é avaliada pela quantidade de trabalho realizado, que pode ser observado do ponto de vista muscular ou aeróbico (que priorizam o trabalho cardiovascular, como caminhadas, corridas pedaladas).

Nesse último caso,

Messora, explica que exercícios de alta intensidade são todos aqueles que excedem em 80% a frequência cardíaca máxima (cerca de 220 batimentos por minuto).

“Mas a idade não costuma ser um limitante para um exercício de alta intensidade”, revela o especialista.

Messora

relata ainda que uma pessoa idosa, que não tenha complicações de saúde, pode sim realizar esportes do tipo, mas que existe uma certa diferença para cada faixa etária porque a frequência cardíaca máxima de um indivíduo, ou seja, os batimentos por minuto, caem ao avançar da idade.

“Assim, os idosos trabalham em alta intensidade com frequências cardíacas menores. Ou seja, proporcionalmente, a quantidade de trabalho feito por um idoso acaba sendo mais intensa na mesma faixa que de um jovem”.

 

A cardiologista Juliana Soares

acrescenta ainda que embora doenças cardíacas congênitas têm manifestações mais precoces, ao longo da infância ou adolescência, o risco de evento cardiovascular e morte aumenta a partir de 35 anos.

“Assim, um atleta jovem tem um risco menor de ter uma morte súbita que um atleta com idade mais avançada”, alerta.

 

Qual a ‘faixa ideal’ de exercício físico?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), adultos, ou seja, pessoas entre 18 e 64 anos, devem realizar pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de moderada intensidade ao longo da semana, ou uma combinação equivalente.

 

Nos casos de atividades aeróbicas

de “vigorosa intensidade”, a OMS recomenda uma taxa menor: pelo menos 75 a 150 minutos “ou uma combinação equivalente de atividade física de moderada e vigorosa intensidade ao longo da semana para benefícios substanciais à saúde”.

No caso de atividades de fortalecimento muscular, para benefícios adicionais à saúde, a organização recomenda pelo menos dois dias por semana com exercícios do tipo.

“A gente recomenda que desde a infância as pessoas pratiquem exercícios físicos regularmente”, destaca Kerr.

O que atletas de alta intensidade podem fazer para prevenir complicações?

O médico José Francisco Kerr resume em três pontos os principais cuidados: prevenção, controle dos fatores de risco e avaliação rigorosa em pessoas que já têm certos problemas de saúde.

Kerr destaca que a própria OMS calcula que exercícios regulares associados a uma dieta saudável e um peso adequado diminiuem em até 80% o risco de uma doença cardiovascular.

“Não podemos demonizar os exercícios, pelo contrário: a falta de atividade física é uma praga, em relação a ganho de peso, fatores de risco, etc. […] Faça exercício. Exercício é fundamental. Uma caminhada de 30 a 40 minutos por dia é um excelente começo”, complementa.

A cardiologista Juliana Soares

também concorda com o colega, porém acrescenta que a atividade física é “protetora” se feita da maneira correta e com o devido acompanhamento médico.

 

Messora pontua ainda

que qualquer pessoa, seja aquela que está iniciando a prática de exercícios físicos, esportes competitivos, ou até mesmo aqueles que o já fazem, precisam avaliar seu status saúde para que entender qual seria esse nível ideal de atividade, principalmente aqueles acima dos 35 anos.

 

Tendo em vista

que existem uma série de doenças e problemas de saúde que podem ser agravados com a prática do exercício físico, não só do ponto de vista cardiovascular, como também do pulmonar.

 

“Por isso, é fundamental que seja feita essa avaliação médica para que esses problemas possam ser diagnosticados preventivamente e assim uma orientação específica possa ser feita com mais segurança, mesmo na presença de alguma doença.

O exercício dificilmente vai ser contraindicado”

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