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Consumidores reagem após cofundadores da Natura doarem R$ 250 mil para campanha de Tabata Amaral

Doações atribuídas a Pedro Passos e Guilherme Leal provocam debate nas redes e levantam uma velha questão: até onde as escolhas políticas de grandes empresários interferem na relação entre consumidores e marcas?

Uma informação envolvendo dois nomes históricos ligados à Natura começa a provocar uma discussão que vai muito além das urnas: o consumidor deve levar em consideração as posições políticas dos empresários ligados às marcas que coloca dentro de casa?

Segundo os dados apresentados sobre a prestação de contas eleitoral, Pedro Passos e Guilherme Leal, dois dos cofundadores da Natura, teriam destinado juntos R$ 250 mil à campanha de reeleição da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).

Os valores informados são:

  • Pedro Passos: R$ 150 mil
  • Guilherme Leal: R$ 100 mil

Há, entretanto, uma diferença fundamental que precisa ficar absolutamente clara.

As contribuições são atribuídas às pessoas físicas dos empresários, e não à Natura como empresa.

Portanto, não seria correto afirmar que “a Natura doou R$ 250 mil” ou que a companhia oficialmente financia a candidatura.

Mas isso encerra a discussão?

Para uma parcela dos consumidores, certamente não.

QUANDO POLÍTICA E CONSUMO SE ENCONTRAM

O Brasil vive uma época em que decisões de consumo passaram também a carregar valores culturais, ambientais, sociais e políticos.

Durante décadas, empresas quiseram convencer o público de que uma marca representa muito mais do que simplesmente aquilo que vende.

Agora existe o outro lado dessa relação.

O consumidor também começou a perguntar:

Quem está por trás da marca que estou financiando quando compro um produto?

É exatamente aí que a notícia envolvendo os cofundadores da Natura ganha dimensão política.

Tabata Amaral possui posições e alianças que encontram forte resistência em segmentos da direita brasileira.

Assim, consumidores conservadores podem interpretar as contribuições feitas pelos empresários como incompatíveis com seus próprios valores.

E alguns já defendem responder utilizando a ferramenta mais simples disponível ao consumidor:

  • a liberdade de comprar — ou de não comprar.

#NAOCONSUMANATURA: O CONSUMIDOR TEM DIREITO DE ESCOLHER

Defender que alguém deixe de consumir determinada marca por discordar das posições de seus fundadores ou dirigentes é uma forma legítima de manifestação, desde que exercida pacificamente e baseada em informações verdadeiras.

Ninguém é obrigado a comprar Natura.

Assim como ninguém é obrigado a deixar de comprar.

Cada brasileiro decide onde coloca seu dinheiro.

É justamente essa liberdade que torna movimentos de boicote econômico politicamente relevantes.

Se consumidores decidirem espontaneamente adotar a hashtag #NaoConsumaNatura, estarão exercendo uma escolha individual de mercado.

Mas essa mobilização precisa partir de uma informação correta:

não foi a empresa Natura que realizou essas doações eleitorais; foram empresários historicamente ligados à companhia, na condição de pessoas físicas.

Essa distinção fortalece — em vez de enfraquecer — qualquer crítica séria.

GUILHERME LEAL E TABATA: UMA RELAÇÃO POLÍTICA QUE NÃO COMEÇOU AGORA

O apoio financeiro de Guilherme Leal à trajetória política de Tabata Amaral possui antecedentes.

O empresário já apareceu anteriormente entre financiadores ligados à parlamentar e ao seu projeto político.

Portanto, não se trata simplesmente de um episódio isolado.

A presença de empresários e investidores entre os financiadores de campanhas de Tabata também ajuda a derrubar uma simplificação comum do debate político brasileiro: grandes empresários não financiam exclusivamente candidatos identificados com a direita.

O capital privado circula por diferentes campos políticos.

E o eleitor tem todo o direito de conhecer essas relações.

O DINHEIRO É PARTICULAR. A REPERCUSSÃO É PÚBLICA.

Pedro Passos e Guilherme Leal possuem o direito de apoiar os candidatos que desejarem, observadas as regras eleitorais.

Esse direito precisa ser respeitado.

Mas consumidores possuem exatamente a mesma liberdade para discordar.

Essa é a essência de uma sociedade livre.

O empresário escolhe para quem doa.

O eleitor escolhe em quem vota.

E o consumidor escolhe de quem compra.

Nenhuma dessas liberdades deveria existir apenas quando favorece determinado lado político.

O PODER SILENCIOSO DO CARRINHO DE COMPRAS

Talvez essa seja a discussão mais interessante de toda essa história.

Durante muito tempo, imaginamos participação política apenas como voto, manifestação de rua ou filiação partidária.

A internet modificou esse cenário.

Hoje uma decisão aparentemente banal diante da prateleira também pode se transformar em manifestação.

Comprar.

Não comprar.

Trocar uma marca por outra.

Questionar uma companhia.

Pesquisar quem são seus controladores.

Cobrar posicionamentos.

O consumidor descobriu que seu dinheiro também comunica suas escolhas.

Por isso, a repercussão das doações atribuídas aos cofundadores da Natura merece ser acompanhada.

Não porque empresários devam ser impedidos de participar politicamente.

Muito pelo contrário.

Eles são cidadãos.

Mas porque os consumidores também são.

E liberdade funciona nos dois sentidos.

7MINUTOS OPINIÃO

O Portal 7Minutos defende que informações sobre financiamento político sejam apresentadas com transparência e precisão.

Se um empresário decide utilizar parte de seu patrimônio pessoal para apoiar determinado projeto político, essa é uma escolha dele.

Se um consumidor toma conhecimento dessa decisão e resolve direcionar seu dinheiro para outra empresa, essa é uma escolha dele também.

Por isso, a discussão não precisa ser transformada em perseguição.

Pode ser transformada em consumo consciente politicamente.

A partir daí, cada brasileiro tira sua própria conclusão.

Porque, no final das contas, existe uma urna que aparece a cada eleição.

E existe outra que utilizamos praticamente todos os dias:

o nosso bolso.

 

Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7Minutos — Brasília

 

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  • Gildo Ribeiro

    Gildo Ribeiro é editor do Grupo 7 de Comunicação, liderado pelo Portal 7 Minutos, uma plataforma de notícias online.

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