Senado discute vota temas decisivos
Gracinha Caiado se confunde em sabatina ao responder pergunta sobre comunicação e acesso à informação
Questionada pelo jornalista Edson Nunes sobre um tema ligado à comunicação, candidata ao Senado levou a resposta para o acesso tecnológico, deixando evidente uma confusão entre conceitos diferentes
Episódio chama atenção justamente porque o Senado discute e vota temas decisivos para o futuro da comunicação brasileira.
Uma sabatina eleitoral existe justamente para retirar o candidato da zona de conforto.
É o momento em que discursos preparados dão lugar a perguntas objetivas e em que o eleitor pode avaliar não apenas propostas, mas também conhecimento, capacidade de interpretação e segurança para responder sobre assuntos que poderão chegar ao Congresso Nacional.
Foi nesse cenário que uma pergunta do jornalista Edson Nunes colocou a candidata ao Senado por Goiás Gracinha Caiado (União Brasil) diante de um momento delicado nesta quinta-feira, 27 de agosto.
A participação ocorreu na série de sabatinas promovida pela Rádio São Francisco 97,7 FM, de Anápolis, dentro do programa São Francisco News.
A emissora programou entrevistas com os candidatos ao Senado entre 24 e 28 de agosto e, posteriormente, com os candidatos ao Governo de Goiás. A própria rádio informa que a iniciativa tem o lema “Voto Consciente é Democracia” e pretende apresentar ao eleitor as propostas e os posicionamentos dos concorrentes.
E foi exatamente o exercício do voto consciente que tornou o episódio relevante.
A pergunta de Edson Nunes e a confusão na resposta
Ao formular sua pergunta, Edson Nunes colocou em discussão uma questão relacionada ao universo da comunicação e dos veículos tradicionais de informação.
Na resposta, entretanto, Gracinha Caiado caminhou para outro terreno: o do acesso à tecnologia.
Parece uma diferença pequena?
Não é.
Ter acesso à tecnologia não significa necessariamente ter acesso à informação jornalística de qualidade.
Um cidadão pode possuir smartphone, internet de alta velocidade e utilizar diferentes plataformas digitais durante praticamente todo o dia e, ainda assim, não acompanhar rádio, televisão, jornais, portais jornalísticos ou qualquer outro veículo profissional de comunicação.
Da mesma maneira, ampliar conectividade é uma política importante de inclusão digital, mas ela não resolve, sozinha, questões relacionadas à produção jornalística, pluralidade informativa, sustentabilidade dos veículos, presença da imprensa regional ou acesso da população a conteúdo confiável.
São discussões que podem se encontrar em determinados pontos, mas não são a mesma coisa.
Foi justamente aí que a resposta da candidata pareceu se perder.
O próprio jornalista Edson Nunes resumiu posteriormente sua avaliação do episódio:
A Gracinha Caiado não soube responder à minha pergunta. Misturou acesso tecnológico com comunicação dos veículos tradicionais de informação.
A observação merece atenção porque vai diretamente ao ponto central da pergunta: tecnologia é o meio; comunicação jornalística é outra discussão.
Para uma candidata ao Senado, a diferença importa e muito
É aqui que o episódio deixa de ser apenas uma resposta mal formulada durante uma entrevista.
Gracinha Caiado disputa uma cadeira no Senado Federal.
Um senador participa de debates e votações que podem envolver telecomunicações, inteligência artificial, plataformas digitais, liberdade de expressão, radiodifusão, concessões públicas, direitos autorais, proteção de dados, regulamentação tecnológica e o futuro econômico dos meios de comunicação.
Portanto, compreender as diferenças entre infraestrutura tecnológica, conectividade, plataformas digitais e veículos de comunicação não é mero preciosismo acadêmico.
- É conhecimento relevante para quem pretende legislar sobre o Brasil.
Uma candidata ao Senado não precisa conhecer de memória cada detalhe técnico de todos os assuntos nacionais. Isso seria uma exigência irreal.
Mas uma sabatina serve justamente para revelar como o candidato reage quando é confrontado com um assunto que não estava necessariamente previsto no roteiro.
- Pode pedir que a pergunta seja esclarecida.
- Pode admitir que precisa estudar determinado ponto.
- Pode discordar da premissa.
- Pode apresentar outra interpretação.
O que se torna politicamente mais complicado é responder a uma questão diferente daquela que foi apresentada.
O contraste com outros momentos da entrevista
A confusão chama ainda mais atenção porque Gracinha demonstrou segurança ao abordar outros assuntos durante a própria sabatina.
Na entrevista desta quinta-feira, por exemplo, posicionou-se contra câmeras nas fardas de policiais e defendeu penas mais severas para autores de feminicídio.
Esses posicionamentos repercutiram na imprensa goiana poucas horas depois da participação na Rádio São Francisco.
Portanto, seria injusto transformar aproximadamente um momento da sabatina em julgamento definitivo sobre toda a candidatura.
Mas seria igualmente errado ignorá-lo.
Sabatinas existem exatamente para isso:
- mostrar os acertos e também os tropeços de quem pede o voto da população.
A pergunta talvez tenha revelado algo maior
Há ainda uma discussão interessante escondida por trás da resposta.
Durante muitos anos, falar em democratização da informação praticamente significava ampliar o alcance do rádio, da televisão e dos jornais.
Hoje o cenário é radicalmente diferente….
O Brasil possui milhões de pessoas conectadas, mas conectividade não significa automaticamente informação.
As redes sociais transformaram qualquer telefone em uma porta de entrada para bilhões de conteúdos.
Ao mesmo tempo, criaram um ambiente em que jornalismo profissional, entretenimento, propaganda, opinião pessoal, publicidade política e desinformação disputam os mesmos segundos de atenção.
Por isso, discutir o futuro dos veículos tradicionais e profissionais de comunicação tornou-se talvez ainda mais importante na era digital.
O celular entrega a informação.
Mas alguém precisa apurá-la, confrontá-la, contextualizá-la e assumir responsabilidade editorial por aquilo que publica.
Essa diferença deveria estar muito clara para qualquer parlamentar que pretenda participar das futuras discussões sobre comunicação no Congresso.
Uma pergunta simples que produziu uma resposta politicamente desconfortável
Edson Nunes não criou uma “pegadinha”.
Fez aquilo que se espera de um jornalista convidado para uma sabatina eleitoral:
- perguntou.
A candidata respondeu.
- E agora cabe ao eleitor avaliar.
Gracinha Caiado possui trajetória pública ligada principalmente às políticas sociais desenvolvidas em Goiás e confirmou ainda em dezembro de 2025, também em entrevista à Rádio São Francisco, que entraria na disputa pelo Senado.
Agora, porém, a campanha entrou em outra fase.
Quando alguém deixa a condição de primeira-dama e se apresenta ao eleitor como candidata a uma das apenas três cadeiras que representam Goiás no Senado, aumenta também o nível de cobrança.
O Senado não é apenas uma tribuna política.
É uma das instituições responsáveis por decidir questões que podem determinar os rumos do país durante décadas.
Por isso, a cena desta quinta-feira merece ser observada sem exageros, mas também sem passar pano.
Uma resposta ruim não encerra uma candidatura.
Mas uma pergunta que não foi compreendida pode revelar ao eleitor exatamente aquilo que uma boa sabatina pretende descobrir:
- o quanto cada candidato está preparado para ocupar a cadeira que está pedindo nas urnas.
E nesse episódio específico, a pergunta de Edson Nunes permaneceu mais clara do que a resposta recebida.
Gracinha Caiado se confunde em sabatina ao responder pergunta sobre comunicação e acesso à informação
Questionada pelo jornalista Edson Nunes sobre um tema ligado à comunicação, candidata ao Senado levou a resposta para o acesso tecnológico, deixando evidente uma confusão entre… pic.twitter.com/dIQrO7ViOe
— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) August 27, 2026
Por Gildo Ribeiro
Redação Portal 7 Minutos — Brasília
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— 7Minutos Notícias (@7minutos_news) December 15, 2025
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