EUA estão espionando infraestrutura de energia da Rússia
A informação foi passada à imprensa americana por oficiais do Comando Cibernético americano, que estaria agindo em uma escala
nunca antes vista desde o início de suas operações.
Os trabalhos, de acordo com as fontes ouvidas pelo jornal The New York Times, teriam se intensificado
ao longo do último ano. Códigos de vigilância e obtenção de dados estariam inseridos nas redes de
energia russas com o objetivo de manter o que foi chamado de “presença persistente” na infraestrutura.
Entretanto, nenhum ataque teria sido realizado a partir de tais aberturas.
As operações do Comando Cibernético voltadas para o setor elétrico da Rússia teriam começado em 2012,
jamais parando, mas também nunca possuindo o nível de atividade visto entre o final de 2018 e este
primeiro semestre de 2019. De acordo com os oficiais, tal agressividade ainda não havia sido registrada
e malwares potencialmente disruptivos estariam instalados nos sistemas do país rival, teoricamente
prontos para a realização de ataques que poderiam colocar em xeque o fornecimento de eletricidade no
país.
Seria, de acordo com as fontes, algo colocado ali apenas com a intenção de uso “caso necessário”.
Possuir malwares e focos de ataque ativos se tornou uma prioridade para os oficiais do Comando
Cibernético, que não falaram à reportagem sobre atos específicos nem deram detalhes sobre as novas
autorizações concedidas pelos superiores, que teriam liberdade para agir a partir de ordens do
Secretário de Defesa James Mattis, que teria independência e poderia tomar decisões mesmo sem consultar
o presidente Donald Trump.
Apesar de não terem dado informações precisas sobre as operações, a imprensa americana afirma que elas
seriam semelhantes às registradas em novembro de 2018, às vésperas de eleições nos EUA. O foco, na
ocasião, era acabar com operações de manipulação política e fake news que estariam sendo realizadas a
partir da Internet Research Agency, uma agência de Moscou com ligações ao governo Putin. Na ocasião, o
grupo teria seu acesso à internet cortado remotamente e perdido o acesso a perfis e grupos em redes
sociais.
Neste caso, o alerta às autoridades russas seria de que o governo dos Estados Unidos estaria disposto a
realizar ciberataques caso se sentisse ameaçado, uma bravata raramente acompanhada de atitudes reais
que acontecem nos bastidores das conversas diplomáticas entre os países. Mais uma vez, a preocupação
seria quanto às vindouras eleições do ano que vem, na qual a presidência mais uma vez será decidida. De
acordo com o Conselheiro de Segurança John Bolton, o governo está disposto a fazer com que qualquer um
que tente interferir no processo democrático “pague um preço alto”.
O próprio presidente, entretanto, não teria sido informado sobre os passos da operação nem saberia da
presença dos malwares na estrutura energética russa. Seria uma medida de segurança, de forma a evitar
que o assunto seja discutido com círculos internos que não precisam saber, e também um temor de que o
líder interrompesse os trabalhos, deixando o que seriam os interesses do país menos protegidos.
Oficialmente, entretanto, nada de comunicado do governo americano sobre a suposta presença na
infraestrutura russa. Da mesma maneira, o Kremlin também não se manifestou sobre o assunto.
Fonte: The New York Times
Por Felipe Demartini
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