18 DE MAIO:
O DIA QUE O BRASIL FOI OBRIGADO A CRIAR PORQUE FALHOU EM PROTEGER SUAS CRIANÇAS
O Brasil é obrigado a olhar para uma realidade que muitos preferem esconder atrás das paredes de casa, do medo e da hipocrisia social.
Enquanto muitos comemoram datas, o Brasil hoje relembra uma ferida aberta, cruel e perturbadora: milhares de crianças continuam sendo abusadas sexualmente dentro das próprias casas, diante do silêncio, do medo e da omissão da sociedade.
Existe uma pergunta que deveria causar desconforto em qualquer cidadão consciente:
- como um país chega ao ponto de precisar criar um Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes?
A resposta é brutal.
- Porque o problema nunca deixou de existir.
Neste 18 de maio, o Brasil não celebra.
O Brasil é obrigado a olhar para uma realidade que muitos preferem esconder atrás das paredes de casa, do medo e da hipocrisia social. Uma realidade onde crianças são violentadas física, emocional e psicologicamente muitas vezes por pessoas próximas, familiares, padrastos, conhecidos e até figuras que deveriam proteger.
O chamado Maio Laranja não surgiu por acaso.
Ele nasceu da dor.
Da violência. Do silêncio criminoso.
Em 18 de maio de 1973, o país foi abalado pelo Caso Araceli, uma menina de apenas oito anos que teve sua infância destruída de maneira cruel na cidade de Vitória, no Espírito Santo.
Raptada, violentada e assassinada, Araceli se tornou símbolo de uma tragédia nacional que, décadas depois, ainda ecoa como vergonha coletiva.
E talvez o dado mais revoltante seja este:
- o crime permanece impune até hoje.
O ABUSO NÃO ESTÁ LONGE. ELE PODE ESTAR DENTRO DE CASA.
A sociedade ainda insiste em imaginar monstros escondidos em becos escuros. Mas os números e os especialistas mostram outra realidade: o abuso sexual infantil acontece majoritariamente dentro do ambiente familiar.
Segundo os dados destacados pela psicanalista e Mestra em Biociência, Dra. Ana Claudia Segantine, a maior incidência ocorre entre crianças de 5 a 10 anos, principalmente meninas, e em contextos intrafamiliares.
Isso significa que o perigo, muitas vezes, dorme na mesma casa.
É exatamente por isso que tantas vítimas se calam.
- Elas têm medo.
- Vergonha.
- Confusão emocional.
- Ameaças.
- Chantagens psicológicas.
- Muitas sequer compreendem que estão sendo vítimas.
O TRAUMA NÃO TERMINA NO ABUSO
O abuso sexual não destrói apenas a infância. Ele invade a mente, a autoestima, a capacidade de confiar e até o desenvolvimento emocional da vítima.
Os efeitos podem durar décadas.
- Pesadelos,
- ansiedade extrema,
- depressão,
- isolamento social,
- automutilação,
- abuso de drogas,
- comportamento agressivo e
- transtornos emocionais graves aparecem como consequências recorrentes em vítimas de violência sexual.
Em muitos casos, a dor permanece silenciosa até a vida adulta.
E talvez seja exatamente esse o aspecto mais perturbador:
- existem adultos vivendo hoje com feridas abertas desde a infância, sem nunca terem conseguido denunciar.
O SILÊNCIO TAMBÉM VIOLENTA
O Brasil ainda carrega uma cultura perigosa de relativização, culpabilização da vítima e silêncio familiar.
- Quantas vezes alguém desconfiou e preferiu “não se meter”?
- Quantas vezes sinais foram ignorados?
- Quantas crianças foram chamadas de mentirosas?
Segundo estimativas citadas no estudo apresentado pela Dra. Ana Claudia Segantine, cerca de 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente todos os anos no Brasil.
E apenas uma pequena parcela dos casos chega às autoridades.
- Os números oficiais assustam.
- Os números reais provavelmente aterrorizam ainda mais.
A SOCIEDADE PRECISA PARAR DE DESVIAR O OLHAR
A violência sexual contra crianças não pode continuar sendo tratada como assunto desconfortável que se evita no almoço de família.
- É preciso conversar.
- Orientar.
- Observar mudanças comportamentais.
- Ensinar proteção emocional e corporal às crianças.
- Porque o abusador cresce justamente onde existe silêncio.
O Estatuto da Criança e do Adolescente é claro:
- nenhuma criança ou adolescente pode ser submetido a negligência, exploração, violência, crueldade ou opressão.
- Mas lei nenhuma funciona quando a sociedade escolhe fingir que não vê.
DENUNCIAR NÃO É “SE METER”. É SALVAR UMA VIDA.
- Muitas vítimas jamais terão coragem de falar.
- Por isso, adultos conscientes precisam agir.
Se houver suspeita de abuso ou exploração sexual infantil, a denúncia pode ser feita de forma anônima pelo Disque 100.
- O silêncio protege o agressor.
- A denúncia pode salvar uma infância inteira.
Sobre a autora
Dra. Ana Claudia Segantine é psicanalista e Mestra em Biociência, atuando nas áreas de Neurociência, Depressão, Dependência Química, TDAH, TAG, TEPT e acolhimento emocional humanizado.
Por Gildo Ribeiro
Redação Sete Minutos — Brasília
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