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Bahia estuda retomada das aulas presenciais

Salvador também está avaliando a possibilidade de reabrir as escolas

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A volta às aulas presenciais tem preocupado os professores. Eles disseram que esse impasse sobre voltar para a sala de aula na pandemia tem provocado o medo de contaminação e casos de ansiedade. Pexels/Alexandra_Koch

A discussão sobre a retomada das aulas presenciais em Salvador e em toda a Bahia está acalorada nos últimos dias, após o governo e a prefeitura afirmarem que estão avaliando a possibilidade de retomar essas atividades em breve. Estudantes, pais e professores temem risco para a saúde, e donos de escolas citam prejuízos financeiros.

As aulas estão suspensas na Bahia desde o dia 18 de março, no interior e na capital. Para a estudante do ensino médio Aline Souza, 15 anos, a medida foi a mais correta, mas ela acredita que o ano letivo não tem mais salvação porque estudar em casa não garantiria o aprendizado.

“A decisão de fechar as escolas foi correta, porque elas concentram um grande número de pessoas em espaços pequenos. A pandemia não acabou e ainda não temos vacina, então, não é hora de voltar. A gente tenta estudar em casa, mas não é a mesma coisa de estudar na escola, com um professor para esclarecer as dúvidas. Eles [autoridades] precisam aceitar que o ano letivo está perdido”, afirmou.

A professora Eliane Araújo, 48 anos, concorda em manter as aulas suspensas, mas também fez algumas ressalvas. “Não quero mandar minhas filhas para a escola porque tenho medo da contaminação, mas elas estudam em uma instituição particular que tem aulas virtuais. Então, mesmo com o colégio fechado elas estão aprendendo, enquanto meus alunos, que estudam em uma escola pública, não têm a mesma oportunidade”, contou.

Fecha

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia é contra o retorno das aulas presenciais. O coordenador-geral da entidade, Rui Oliveira, afirmou que caso as autoridades insistam em retomar as atividades a categoria fará greve.

“Conteúdo a gente repõe, vidas não. Estamos em um platô alto, são mais de mil mortes por dia no Brasil. Isso não é brincadeira. Perdemos uma diretora sindical, professora Clarice, que morreu de covid-19. Festas como o carnaval estão sendo canceladas porque ainda não temos vacina, mas a gente já pode voltar para a sala de aula? Vamos ajuizar uma ação civil e criminal, e se eles insistirem faremos greve”, afirmou.

Cerca de 300 mil professores lecionam na rede municipal das 417 prefeituras da Bahia, outros 50 mil na rede estadual e 40 mil nas escolas particulares. São 800 mil estudantes na rede estadual e 2,5 milhões nas redes municipais e privadas.

Desde a segunda-feira (10), Salvador iniciou a segunda fase de retomada das atividades econômicas. Bares, restaurantes, salões de beleza, barbearias e academias de ginástica foram autorizados a funcionar. O município está aguardando os primeiros 15 dias dessa reabertura para avaliar a possibilidade de retomar as aulas, mas já cogita manter suspenso o ensino infantil até o final do ano.

O Governo do Estado também está levando em consideração o avanço da pandemia na Bahia para tomar uma decisão, mas já fala em reabertura das escolas em setembro ou outubro. Na quarta-feira (12), representantes da Secretaria de Educação do Estado se reuniram com representantes das Secretarias de Educação dos municípios da Região Metropolitana de Salvador para discutir protocolos de retomada das atividades.

Abre

No mês passado, alguns donos de escolas fizeram uma manifestação em Salvador contando os prejuízos e pressionando as autoridades a retomarem as aulas. Maria Rita Novaes, 51, é proprietária de uma escola e concorda. Ela acredita que com protocolos de segurança bem estabelecidos é possível retomar as atividades.

“Com os devidos cuidados nós podemos evitar que o ano letivo seja totalmente perdido”, disse, e completou “dei desconto nas mensalidades, mas a estrutura da escola continua igual. Não demitimos ninguém, e as contas continuam chegando”. Ela contou que mesmo sem os alunos no prédio as despesas permanecem altas.

Em Manaus (AM), as aulas presenciais na rede pública foram retomadas esta semana, mas a rede particular está em atividade desde o mês passado. Em São Paulo, os alunos voltam para as salas em setembro, mas obedecendo a protocolos de segurança. Rio de Janeiro e Distrito Federal ainda não retomaram as aulas públicas e tiveram decisões judiciais nesta semana impedindo o retorno dos estudantes das escolas privadas.

A volta às aulas presenciais tem preocupado os professores. Eles disseram que esse impasse sobre voltar para a sala de aula na pandemia tem provocado o medo de contaminação e casos de ansiedade.

Sempre é preciso defender o profissionalismo e a valorização do profissional. Essas são as bases de uma economia saudável, e sem esses esforços as profissões estarão fadadas a desaparecer.

Redação 7Minutos Salvador Bahia

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